
A privatização da TAP Air Portugal avançou para uma etapa decisiva com a definição dos três grupos que seguem na disputa pela companhia aérea portuguesa. Lufthansa Group, Air France-KLM e IAG (International Airlines Group) foram selecionados pelo governo de Portugal e já receberam a documentação necessária para a apresentação de propostas econômicas e planos estratégicos para o futuro da empresa.
Segundo informações divulgadas pelo AeroTelegraph, a Parpública, holding estatal responsável pelas participações do Estado, entregou aos interessados os dossiês que estabelecem as condições para a venda de uma participação inicial de 44,9% do capital da TAP. Outros 5% da empresa permanecerão reservados aos funcionários, conforme previsto no modelo de privatização.
Os três grupos terão até o dia 2 de abril para apresentar propostas não vinculantes. Além do valor ofertado pela participação minoritária, o governo português exige a inclusão de um mecanismo de earn-out, que condiciona parte do pagamento ao desempenho financeiro futuro da companhia. A estrutura permite que o Estado se beneficie de uma eventual valorização da TAP após a entrada do novo sócio. O pagamento poderá ser feito em dinheiro ou por meio de troca de ações dos grupos interessados, como destaca o portal Aviacionline.
O processo vai além da avaliação financeira. Um dos principais requisitos impostos pelo governo é o fortalecimento do hub de Lisboa, considerado estratégico para o país. As propostas devem detalhar as sinergias esperadas, os planos de expansão da malha aérea e as garantias de preservação da conectividade da capital portuguesa com destinos internacionais, especialmente de longo curso.
Nesse contexto, a TAP é vista como o último grande ativo disponível no processo de consolidação do mercado aéreo europeu. Seu protagonismo nas ligações entre a Europa e o Brasil é apontado como o principal atrativo para os investidores. Atualmente, a companhia detém cerca de 24% de participação nessas rotas, liderando com folga frente a outras empresas do continente.
O cenário internacional também contribui para aumentar o interesse pela TAP. Após a incorporação da SAS pelo grupo Air France-KLM e a integração da ITA Airways ao Lufthansa Group, analistas do setor avaliam que poucas companhias permanecem com potencial estratégico semelhante. Empresas como Finnair e LOT, por exemplo, perderam atratividade após o fechamento do espaço aéreo russo, o que reforça o papel da TAP como peça-chave no controle das conexões entre Europa, África e o Atlântico Sul.
TAP enfrenta diferentes cenários regulatórios na corrida pela privatização
Entre os concorrentes, as perspectivas variam. O IAG enfrenta maiores desafios regulatórios devido à sua forte presença na Península Ibérica, especialmente por meio da Iberia. A Comissão Europeia pode impor restrições a uma concentração excessiva de capacidade em rotas para a América do Sul, repetindo entraves semelhantes aos observados na tentativa frustrada de aquisição da Air Europa.
Já Lufthansa Group e Air France-KLM aparecem como favoritos na avaliação de especialistas. O grupo franco-holandês busca reforçar sua atuação no sul da Europa, criando um hub complementar aos de Paris e Amsterdã. O grupo alemão, por sua vez, aposta na consolidação de sua presença global após a recente aquisição da ITA Airways, vendo na TAP uma oportunidade estratégica para ampliar sua influência no Atlântico.
Após o recebimento das propostas em abril, a Parpública terá um prazo de 30 dias para encaminhar sua análise ao Conselho de Ministros, considerando critérios financeiros, estratégicos e de interesse público. Em seguida, os candidatos selecionados serão convidados a apresentar propostas vinculantes. A expectativa do governo português é concluir a escolha do comprador e assinar os contratos no verão europeu de 2026, encerrando um dos processos mais aguardados do setor aéreo europeu.
*Com informações de Aeroin







