Abrape projeta alta de 7,8% no consumo e criação de 143 mil empregos no setor de eventos em 2026
Hub setorial concentra quase 84% das novas vagas previstas para 2026 (Freepik)

O setor de eventos deve manter o ritmo de expansão em 2026, com crescimento estimado de 7,8% no consumo e a criação de cerca de 143 mil novas vagas formais de trabalho no Brasil, segundo projeções da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE).

De acordo com a entidade, o consumo ligado à recreação deve alcançar R$ 151,9 bilhões no próximo ano, frente à estimativa de R$ 140,8 bilhões para 2025. A expansão é considerada robusta pelos economistas responsáveis pelo estudo e reflete a consolidação da atividade tanto no core business quanto no chamado hub setorial, que reúne áreas impactadas indiretamente pelos eventos.

As projeções fazem parte do Radar Econômico, boletim mensal criado pela ABRAPE em 2021, inicialmente para monitorar os efeitos da pandemia da covid-19. O levantamento utiliza dados oficiais do IBGE, do Ministério do Trabalho e Emprego e da Receita Federal, além de indicadores como o peso do item “Recreação” no IPCA e a massa de renda real medida pela Pnad Contínua.

O hub setorial, que engloba 52 atividades impactadas pelo segmento, deve concentrar 83,9% das novas vagas, com cerca de 120 mil postos de trabalho. Entre os destaques estão bares e restaurantes, hospedagem, segurança privada, serviços gerais, publicidade, propaganda e agências de viagem. A projeção aponta níveis 24% acima do período pré-pandemia.

Para o economista Alison Fiuza, um dos responsáveis pelo estudo, o desempenho confirma o efeito multiplicador do setor. “O comportamento do hub mostra que os eventos geram impactos muito superiores à média dos serviços, impulsionando uma ampla cadeia de atividades associadas”, afirma.

Já o core business, que inclui organização de eventos, atividades artísticas e culturais, espetáculos, lazer e produção esportiva, deve responder por cerca de 23 mil novas vagas formais em 2026. Esses segmentos operam atualmente com um estoque de empregos 80,9% acima do registrado em 2019.

Segundo o economista Leonardo Alonso Rodrigues, o movimento vai além da recuperação pós-pandemia. “Não estamos diante apenas de uma retomada, mas de uma expansão estrutural do setor, que encontrou novos patamares de operação e demanda”, avalia.

Na visão de Doreni Caramori Junior, presidente da ABRAPE, os números reforçam o papel estratégico do segmento na economia brasileira e a importância de políticas públicas de apoio. “O conjunto de indicadores confirma que o setor de eventos se consolidou como um dos grandes geradores de emprego e renda no país”, destaca.