
O rei Charles III começa nesta terça-feira (27) uma viagem pelo Caribe que passa por três destinos: Bahamas, Guiana e Antígua e Barbuda. O roteiro, que termina em 4 de novembro, reúne compromissos ligados a juventude, meio ambiente, biodiversidade, relações diplomáticas e à Commonwealth. A etapa final coincide com a CHOGM 2026, reunião bienal da organização da qual Charles é chefe.
A viagem ocorre também em meio ao aumento das cobranças de países e organizações caribenhas para que o Reino Unido reconheça sua participação no comércio transatlântico de escravizados e avance em medidas de reparação. Em setembro, a Comunidade do Caribe (Caricom), formada por 23 Estados-membros e associados, afirmou que defenderia a inclusão do tema na agenda da CHOGM.
Em 2022, durante uma reunião de líderes da Commonwealth, Charles já havia manifestado pesar pessoal pela escravidão. Agora, segundo a Reuters, o Palácio de Buckingham afirma que o monarca não evitará abordar a participação britânica no comércio transatlântico, embora não esteja prevista uma desculpa formal. A posição segue a política do governo britânico, que também rejeita pagamentos de reparações financeiras.
A secretária-geral da Caricom, Carla Barnett, defende que o debate seja tratado como uma questão de justiça. “As reparações dizem respeito, fundamentalmente, à justiça”, declara. Segundo ela, o tema envolve reconhecimento, responsabilização e transformação para os descendentes das pessoas escravizadas.
Outro integrante da Commonwealth que defende a discussão é a secretária-geral da organização, Shirley Botchwey. Ela afirma que chegou o momento de discutir reparações, que poderiam envolver compensações financeiras ou outras medidas, como a devolução de artefatos.
Entre os séculos 15 e 19, pelo menos 12,5 milhões de africanos foram sequestrados e vendidos como escravizados por comerciantes europeus. De acordo com os dados citados pela Reuters, comerciantes britânicos transportaram cerca de 3,2 milhões de pessoas, colocando o Reino Unido como o segundo país europeu com maior participação nesse transporte, atrás de Portugal.
Bahamas

A primeira parada de Charles III é Nassau, capital das Bahamas, onde o monarca permanece nos primeiros dias da viagem. Na programação, o rei participa de um encontro com jovens para destacar a participação da juventude na vida nacional. Também visita a base de Coral Harbour da Royal Bahamas Defence Force e participa de compromissos relacionados à conservação ambiental e à sustentabilidade. A agenda inclui ainda uma atividade esportiva, passagem pela Parliament Square, encontros com representantes da sociedade das Bahamas e uma recepção no formato de Garden Reception. Charles também realiza audiências durante a estadia.
Guiana

A passagem marca 60 anos de relações bilaterais entre Reino Unido e Guiana e o principal ponto da agenda é Georgetown, capital guianense. Entre os compromissos está uma visita ao Commonwealth War Graves, além de atividades relacionadas à preservação da história e do patrimônio do país. O rei também participa de iniciativas ligadas à biodiversidade e à conservação, incluindo a Global Biodiversity Alliance Conference. Outro compromisso envolve o National Toshaos Council, órgão que representa lideranças indígenas. A agenda inclui ainda uma recepção empresarial voltada a inovação, negócios e parceria econômica, além de uma visita à Georgetown Seawall, área localizada na costa da capital.
Antígua e Barbuda

O encontro dos chefes de governo da Commonwealth ocorre de 1º a 4 de novembro. O casal participa de um serviço religioso e da parada de Independência do país, realizada no Sir Vivian Richards Stadium. A programação inclui ainda passagem pela Government House e uma recepção em jardim.
Para Charles, estão previstos compromissos relacionados ao meio ambiente, patrimônio e desenvolvimento sustentável, além de uma reunião com empresários no Sticky Wicket Business Forum. Camilla, por sua vez, terá compromissos próprios, entre eles uma visita à American University e uma atividade em uma escola local. Como chefe da Commonwealth, Charles participa da cerimônia de abertura da CHOGM e do jantar oficial com líderes dos países-membros. Ele também recebe os novos chefes de governo em uma recepção durante o encontro.
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