
A International Air Transport Association (Iata) informou, em Genebra, que a demanda global por transporte aéreo, medida em RPK (Revenue Passenger Kilometers), cresceu 3,8% em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025, recorde histórico. A América Latina avançou 8,3% no consolidado total, enquanto o mercado doméstico brasileiro registrou aumento de 10,9%, em um mês impactado pelo efeito calendário do Ano Novo Lunar.
No mercado internacional, a expansão foi mais intensa, de acordo com a Iata. A demanda cresceu 5,9% na comparação anual, enquanto a capacidade avançou 5,8%. O fator de ocupação internacional alcançou 82,5%, alta de 0,1 ponto percentual sobre o ano anterior, também configurando recorde para o mês.
Já o mercado doméstico global apresentou estabilidade, com crescimento de 0,1% na demanda e retração de 0,4% na capacidade. Ainda assim, conforme aponta relatório da Iata, o fator de ocupação doméstico subiu 0,4 ponto percentual, atingindo 81,2%, o maior nível já registrado para janeiro.
A Iata destacou que os números do mês foram impactados pela mudança do calendário do Ano Novo Lunar, celebrado em janeiro em 2025 e em fevereiro em 2026. Como o feriado costuma impulsionar viagens familiares, especialmente na Ásia, a alteração afetou a base de comparação anual, reduzindo temporariamente o ritmo de crescimento observado no início de 2026.
Você também vai gostar:
- Novo 737 da Gol transforma paisagem brasileira em cartão-postal voador; veja os detalhes
- Principal aeroporto internacional de Israel reabre em formato limitado nesta segunda-feira (02)
- 5 impactos do fechamento do espaço aéreo de Dubai após ataques no Oriente Médio
O diretor geral da Iata comenta o resultado

O diretor-geral da Iata, Willie Walsh, comentou que o momento do Ano Novo Lunar explica parcialmente a expansão ligeiramente mais lenta de 3,8% em janeiro, mas os fundamentos estão estabelecidos para que a demanda continue com forte crescimento em 2026. “Os dados de programação, por exemplo, indicam um aumento de 5,2% na capacidade global de assentos até março, o que representaria a expansão mais rápida desde abril de 2024”, explica.
Walsh também mencionou fatores externos que podem influenciar o setor. Os acontecimentos ao longo do fim de semana, introduziram alguma incerteza na evolução do tráfego e dos custos de combustível. “Todos esperamos por uma resolução pacífica antecipada das hostilidades atuais. Enquanto isso, é fundamental que os Estados respeitem sua obrigação de manter os civis e a aviação civil livres de danos”, afirma.
Em relação às tarifas, afirmou que o preço médio deve cair em termos reais ao longo de 2026, dando continuidade a uma tendência já estabelecida de viagens aéreas cada vez mais acessíveis. “Isso ocorre apesar das persistentes pressões de custos provenientes do aumento das taxas de infraestrutura, de encargos regulatórios onerosos e do crescente custo da transição energética”, completa.
Não deixe de ler:
- 4 gigantes do turismo online investem US$ 20 bilhões em marketing e elevam pressão no setor
- Como o Airbnb será taxado com a nova reforma tributária a partir de 2027; entenda mudanças
- Agente Tá On – Um Voo Azul de Prêmios: Azul Viagens leva vencedores a Orlando
No recorte regional do mercado total (doméstico e internacional combinados):

- A África apresentou crescimento de 17,9% na demanda, com alta de 16,3% na capacidade e fator de ocupação de 77,0%.
- A Ásia-Pacífico cresceu 1,4% em demanda e 1,8% em capacidade, com ocupação de 83,9%.
- A Europa registrou aumento de 6,0% na demanda e 5,1% na capacidade, com ocupação de 80,2%.
- A América Latina e Caribe superou a média global, com crescimento de 8,3% na demanda total e expansão de 6,0% na capacidade. O fator de ocupação atingiu 85,3%, alta de 1,8 ponto percentual.
- O Oriente Médio avançou 7,4% na demanda e 8,0% na capacidade, com ocupação de 83,3%.
- A América do Norte registrou aumento de 0,8% na demanda e 0,1% na capacidade, com ocupação de 80,2%.
No segmento internacional, as companhias latino-americanas registraram um dos desempenhos mais elevados entre as regiões, com crescimento de 11,4% na demanda e aumento de 8,9% na capacidade. O fator de ocupação internacional chegou a 86,5%, alta de 2,0 pontos percentuais em relação a janeiro de 2025.
Confira:
- 6ª edição do Mundo Abreu promete até 55% de desconto em viagens
- Merece o CPF: veja 16 destinos que Shawn Mendes visitou no Brasil nos últimos anos
- A380 da Quantas no GRU: superjumbo liga São Paulo a Sydney em operação inédita
Brasil ganha destaque na demanda

No mercado doméstico, o Brasil apresentou crescimento de 10,9% na demanda, com aumento de 8,3% na capacidade e fator de ocupação de 84,9%, avanço de 2,0 pontos percentuais. O desempenho brasileiro contrastou com quedas registradas em outros mercados domésticos relevantes, como China (-3,8%), Estados Unidos (-0,7%) e Austrália (-1,6%). Índia (+3,4%) e Japão (+0,7%) também registraram crescimento.
Segundo a Iata, os seis principais mercados domésticos detalhados no relatório, Austrália, Brasil, China, Índia, Japão e Estados Unidos, representam aproximadamente 29,6% dos RPKs globais e 79,4% do total doméstico. A entidade reúne mais de 360 companhias aéreas, responsáveis por cerca de 85% do tráfego aéreo mundial.
O desempenho de janeiro indica início de 2026 com crescimento global moderado, influenciado por fatores sazonais, mas sustentado por expansão consistente no segmento internacional. A América Latina manteve avanço acima da média mundial, com destaque para o crescimento de dois dígitos no mercado doméstico brasileiro e para os níveis elevados de ocupação registrados na região.
Veja também:







