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André Mercadante, da Azul, Evan Berg, da ASM e Ryan Isemeyer, da Volaris – Painel no Routes America 2026 debate frota, mão de obra, custos e uso de dados no planejamento de rotas (Beatriz Waehneldt/M&E)

RIO DE JANEIRO – Executivos de companhias aéreas discutem os impactos da escassez de frota e de profissionais no painel “Overcoming the Supply Crunch: Navigating Workforce and Fleet Constraints”, realizado hoje (4) durante o Routes Americas 2026, no Rio de Janeiro. Participaram André Mercadante, Director of Planning & Revenue da Azul Airlines; Ryan Isemeyer, Head of Capacity Planning and Network Strategy da Volaris; e o moderador Evan Berg, Director Air Service Development da ASM. O debate abordou como as empresas estão ajustando planejamento de malha, gestão de ativos, retenção de pilotos e uso de tecnologia para enfrentar restrições operacionais e pressão de custos.

A restrição de oferta de aeronaves e a escassez de profissionais qualificados têm alterado o planejamento estratégico das companhias aéreas nas Américas. No painel, os executivos detalharam como as empresas estão reagindo a um cenário que combina limitações de frota, aumento de custos trabalhistas e necessidade de maior eficiência operacional.

Ao tratar da utilização de ativos, foi destacado que o ambiente atual exige decisões mais cautelosas. Segundo os participantes, as empresas estão assumindo menos riscos do que em períodos anteriores e operando com foco em produtividade.

A pressão sobre a disponibilidade de aeronaves também impacta diretamente o aproveitamento das horas de voo. Com menos flexibilidade de frota, cada decisão de alocação precisa considerar restrições operacionais e comerciais. Nesse contexto, a eficiência do planejamento passa a ser central. “Cada hora de aeronave” precisa ser analisada sob a ótica de retorno financeiro e viabilidade operacional.

No campo da força de trabalho, a escassez de pilotos foi apontada como um dos principais desafios das aéreas

A falta de profissionais é destaque especialmente em mercados como o dos Estados Unidos. O aumento de salários e benefícios, impulsionado pela competição por profissionais, elevou os custos das companhias. Foi questionado como essa pressão afeta a estrutura de custos e a sustentabilidade das operações.

André Mercadante afirmou que, no caso da Azul, a estratégia tem sido concentrar esforços em treinamento e desenvolvimento interno. “A estabilidade da companhia aérea traz credibilidade”, declarou, ao explicar que planos de carreira estruturados ajudam a manter pilotos na empresa.

A retenção também envolve qualidade de vida e desenho de malha. Mercadante destacou que a companhia busca organizar escalas que permitam produtividade sem ampliar o tempo fora de casa. “Queremos que o piloto saia de casa e voe o máximo possível”, afirmou, ao mencionar a tentativa de equilibrar eficiência operacional e bem-estar dos tripulantes.

Outro ponto abordado foi a relação entre flexibilidade e utilização de ativos. Um dos executivos reconheceu que otimizar escalas para atender necessidades da força de trabalho pode reduzir o aproveitamento da frota. “Sempre que você otimiza para isso, acaba perdendo um pouco da utilização do ativo”, o executivo da Azul destacou, acrescentando que é necessário equilibrar prioridades ao longo de todo o processo de planejamento.

No caso do México, foi mencionado que o mercado de pilotos apresenta características próprias. “O grupo de onde você pode encontrar seus pilotos é bastante específico”, afirmou Isemeyer ao explicar que o país depende de um perfil determinado de profissionais, o que exige investimento contínuo em formação e relacionamento com universidades.

O debate também tratou da relação entre companhias aéreas e aeroportos em um contexto de restrição de capacidade. Segundo os executivos, a abertura de uma nova rota não deve ser vista apenas como o lançamento de um voo, mas como um projeto conjunto. “Quando lançamos um voo, não estamos simplesmente criando uma nova rota. Estamos desenvolvendo um novo projeto junto com os aeroportos”, destaca Isemeyer.

Essa abordagem implica maior integração entre companhias, aeroportos e, em alguns casos, governos locais. A cooperação pode envolver ações de marketing, incentivos e ajustes operacionais para garantir viabilidade de longo prazo. A necessidade de comunicação constante foi reforçada, especialmente quando há mudanças de frequência ou ajustes de malha. “Ninguém quer perder frequência semanal”, disse o executivo da Volaris, ao tratar do impacto de cortes de voos na percepção do mercado.

A utilização de tecnologia e dados apareceu como um dos caminhos para aumentar a adaptabilidade

Mercadante afirmou que a Azul vem experimentando o uso de inteligência artificial para apoiar decisões prospectivas. Ele ressalta que o objetivo é antecipar movimentos de mercado em vez de apenas reagir. Ao mesmo tempo, foi reconhecido que existe um limite entre otimização e excesso de análise. “Você pode passar horas por dia e meses trabalhando em um projeto para tentar encontrar o horário perfeito”, afirmou Isemeyer, ao alertar para o risco de complexidade excessiva nos modelos de planejamento.

O comportamento do consumidor também foi citado como variável relevante na definição de capacidade e frequências. A forma como os passageiros compram passagens, inclusive com janelas curtas de antecedência, influencia a previsibilidade de demanda e a alocação de ativos.

O painel deixou claro que a combinação de escassez de frota, falta de pilotos e aumento de custos trabalhistas está redefinindo o planejamento das companhias aéreas nas Américas. As empresas relatam postura mais cautelosa, maior foco em eficiência, investimento em formação e retenção de profissionais e uso ampliado de dados e tecnologia para sustentar decisões. A cooperação com aeroportos e parceiros locais foi apontada como parte central da estratégia para manter conectividade em um ambiente de restrição de oferta.