
Os setores de alimentação fora do lar e hospedagem no Estado de São Paulo devem manter trajetória de crescimento em 2026. A projeção da Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) indica que o faturamento conjunto das duas atividades pode alcançar R$ 211 bilhões neste ano, um avanço de 9% em relação a 2025.
A estimativa parte de um cenário já robusto registrado no ano passado. Dados do Núcleo de Pesquisa e Estatística da Fhoresp mostram que o setor alcançou faturamento histórico de R$ 193,63 bilhões em 2025 no estado, consolidando a recuperação iniciada após os anos mais críticos da pandemia e inaugurando um novo ciclo de crescimento estrutural para os serviços presenciais.
Segundo o levantamento, os segmentos de alojamento e alimentação fora do lar são responsáveis por uma parcela predominante das atividades turísticas, respondendo por cerca de 80% a 90% de todo o valor gerado pelo turismo. Em 2025, a receita total do setor em São Paulo representou aproximadamente 28% do mercado nacional, que movimentou R$ 684,33 bilhões.
Dentro desse montante, a maior fatia veio da alimentação fora do domicílio. Restaurantes, bares, lanchonetes, cafeterias, padarias e estabelecimentos similares somaram R$ 167,38 bilhões em faturamento, com crescimento nominal de 9% em relação ao ano anterior. Já o segmento de hospedagem alcançou R$ 26,24 bilhões, registrando expansão mais acelerada, de 13%.

De acordo com a Fhoresp, essa diferença ocorre porque a hospedagem costuma responder de forma mais sensível a melhorias no ambiente econômico e à confiança do consumidor. Já o hábito de comer fora de casa se consolidou como prática estrutural no orçamento das famílias brasileiras.
Para a entidade, o bom desempenho também reflete mudanças no comportamento de consumo. O setor de serviços presenciais passou a ocupar papel mais relevante nos gastos de famílias e empresas, consolidando um novo patamar de demanda.
Outro fator que ajuda a sustentar esse crescimento é o mercado de trabalho aquecido. Em 2025, a taxa de desemprego atingiu o menor nível da série histórica iniciada em 2012, ficando em 5% no Estado de São Paulo e em 5,6% no Brasil. Ao mesmo tempo, a massa de rendimento real habitual cresceu 5,8% em São Paulo e 7,7% no país.
O impacto direto aparece também na geração de empregos do setor. O estoque de empregos formais nas atividades de alimentação e hospedagem em São Paulo saltou de 524.589 postos em 2020 para 695.227 em 2025, com saldo positivo de mais de 15 mil vagas no último ano.
Turismo internacional em alta
O crescimento do setor de alimentação e hospedagem também acompanha o desempenho do turismo no país. Em 2025, o Brasil recebeu mais de 9 milhões de turistas estrangeiros, um salto de cerca de 40% em relação aos 6,7 milhões registrados em 2024. O número superou com folga a projeção inicial de 6,9 milhões de visitantes.
Com esse resultado, o país liderou o crescimento global de chegadas internacionais entre os principais destinos turísticos, segundo o relatório World Tourism Barometer, da ONU Turismo. O fluxo de visitantes estrangeiros gerou receita de US$ 7,17 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, alta de 8,41% em comparação ao ano anterior.
Copa do Mundo e feriados impulsionam 2026
Para 2026, além do cenário macroeconômico relativamente estável, dois fatores específicos devem ajudar a impulsionar a receita do setor: a Copa do Mundo de futebol e o calendário de feriados prolongados ao longo do ano.
A Copa do Mundo será disputada entre 11 de junho e 19 de julho, com sedes no Canadá, México e Estados Unidos. Ao todo, 48 seleções participarão da competição em 104 partidas, geralmente realizadas nos períodos da tarde e da noite, horários considerados estratégicos para bares e restaurantes.
Segundo Edson Pinto, diretor-executivo da Fhoresp, a tradição de acompanhar os jogos em estabelecimentos comerciais costuma gerar aumento significativo de público. “O futebol é uma paixão nacional e já é tradição o País parar para assistir as partidas da Copa do Mundo, em especial, as da Seleção Brasileira. Com isso, bares, clubes e restaurantes se tornam pontos de encontro e unem as pessoas numa só torcida. No fim das partidas, o setor é sempre quem sai ganhando, independentemente do resultado do jogo”, afirma.
Outro fator favorável é o calendário de feriados. Depois do Carnaval, o Brasil ainda terá nove datas comemorativas ao longo do ano, sendo que oito cairão em dias úteis, o que favorece a possibilidade de emendas e viagens curtas.
Entre os feriados estão Sexta-feira Santa (3 de abril), Tiradentes (21 de abril), Dia do Trabalho (1º de maio), Independência do Brasil (7 de setembro), Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro), Finados (2 de novembro), Proclamação da República (15 de novembro), Dia da Consciência Negra (20 de novembro) e Natal (25 de dezembro).
Na avaliação da Fhoresp, esse calendário tende a estimular o turismo regional e as escapadas de curta duração dentro do próprio estado, beneficiando hotéis, bares e restaurantes. “Essas datas vão beneficiar quem quer realizar viagens mais curtas, para conhecer o próprio estado, por exemplo. O cenário impacta a economia como um todo, com geração de mais postos de trabalho para suprir a demanda e uma cadeia de serviços que também é movimentada pelo alto fluxo de clientes”, destaca Pinto.
A federação projeta que, mesmo com crescimento econômico mais moderado no país, o setor de serviços deve continuar apresentando desempenho superior à média da economia. Com isso, alimentação fora do lar e hospedagem seguem como dois dos principais motores do turismo e da economia paulista.







