
Com mais de R$ 1,4 trilhão em ativos sob gestão, as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs) podem se tornar uma fonte mais relevante de financiamento para o turismo brasileiro. A aproximação entre os fundos de pensão e o setor será tema de um debate promovido pelo Maraey durante o 47º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP), organizado pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), de 21 a 23 de outubro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo.
O empreendimento turístico e imobiliário em desenvolvimento em Maricá (RJ) pretende apresentar sua estruturação financeira como exemplo de como projetos de grande porte podem atrair investidores institucionais. Com R$ 4,5 bilhões previstos para a primeira fase, o Maraey está estruturando um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) de até R$ 600 milhões, voltado à participação desse perfil de investidor, e negocia financiamentos de longo prazo com a CAF, o BID Invest e a International Finance Corporation (IFC).
A iniciativa busca ampliar a participação do capital previdenciário em empreendimentos turísticos, segmento que reúne ativos de longa duração, potencial de geração recorrente de receitas e capacidade de produzir efeitos econômicos para além da atividade hoteleira. Apesar dessa combinação, a presença dos fundos de pensão brasileiros no financiamento do turismo ainda é considerada marginal.
O assunto será discutido no painel “O Papel das EFPCs na Transformação Econômica e Social do Brasil através do Desenvolvimento Turístico Sustentável”, com a participação de Emilio Izquierdo, CEO do Maraey; Leonardo Mendes Cabral, managing director e head de Investment Banking do Santander Brasil; e Juan Parodi, diretor de Corporativos do BID Invest. A moderação ficará a cargo de Ricardo Mader, sócio-diretor da Mader Real Estate Advisors.
“Para recolocar o turismo no radar do capital previdenciário, precisamos tratá-lo com a mesma disciplina aplicada a outras classes de ativos: rentabilidade, governança clara, riscos segregados, operadores qualificados, diligência independente e mecanismos de proteção ao investidor. O Brasil tem projetos capazes de atrair esse capital, desde que sejam estruturados para atender às exigências dos investidores institucionais”, afirma Izquierdo.
Turismo ganha força econômica, mas ainda atrai pouco capital previdenciário
O potencial de aproximação entre os dois segmentos é reforçado pelo desempenho recente do turismo internacional no Brasil. A meta do Plano Nacional de Turismo era alcançar 8,1 milhões de visitantes estrangeiros por ano em 2027. O país, porém, superou esse patamar em 2025, quando recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais, recorde histórico e crescimento de 37,1% em relação ao ano anterior.
Em 2026, o fluxo segue elevado. Entre janeiro e agosto, o Brasil recebeu 6,45 milhões de visitantes internacionais, que deixaram US$ 7,4 bilhões na economia nacional. O valor representa um avanço de 10,4% na comparação com o mesmo período de 2025.
Os efeitos econômicos da atividade também se estendem a outros segmentos da cadeia produtiva. Segundo os dados apresentados pelo empreendimento, cada R$ 1 gerado pelo turismo internacional produz R$ 1,92 de impacto total sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Embora represente 7,7% do PIB nacional e mobilize atividades como transporte, alimentação, comércio, construção civil e serviços, o turismo ainda tem participação limitada nos investimentos dos fundos de pensão do país. Para o Maraey, ampliar essa conexão depende da apresentação de projetos com estruturas financeiras capazes de atender aos critérios de análise e gestão de riscos exigidos por investidores institucionais.
A experiência de outros mercados também integra a discussão. No México, fundos de aposentadoria têm exposição relevante ao setor hoteleiro por meio de veículos especializados, com mais de 85 hotéis e aproximadamente 12,5 mil quartos em portfólio, segundo as informações divulgadas pelo empreendimento. Na República Dominicana, 34% dos recursos administrados por gestoras de fundos de investimento são direcionados ao turismo, de acordo com o mesmo material.
“O turismo possui ativos de longa duração, geração recorrente de receitas e forte capacidade de produzir impacto econômico, social e territorial. Quando essa equação vem acompanhada de boa governança, operadores globais e estruturas financeiras adequadas, abre-se espaço para que o setor volte a ser analisado pelo investidor institucional brasileiro”, completa Izquierdo.







