
A ITA Airways encerrou 2025 com um marco importante: pela primeira vez desde sua criação, a companhia aérea italiana registrou lucro. O resultado líquido chegou a €209 milhões, uma melhora expressiva em relação ao prejuízo do ano anterior e um sinal claro de que a empresa começa a encontrar um caminho mais sustentável.
Os números foram aprovados pelo conselho de administração em reunião realizada no dia 24 de março e mostram uma evolução consistente, ainda que cercada de desafios operacionais e financeiros ao longo do ano.
Receita bilionária e avanço operacional
A companhia fechou o ano com €3,2 bilhões em receita total, sendo €2,8 bilhões vindos do transporte de passageiros. O dado representa crescimento de 2,7% nesse segmento, mesmo com uma redução no número de voos e passageiros transportados.
O EBITDA ficou em €404 milhões, enquanto o EBIT atingiu €25 milhões, mantendo o resultado operacional positivo pelo segundo ano seguido. Já o fluxo de caixa somou €639 milhões, mostrando melhora na capacidade financeira da empresa.
Apesar da redução de 11% nos voos programados e queda de 8% no número de passageiros, que chegou a 16,2 milhões, a taxa de ocupação subiu para 83,4%. Na prática, menos voos, mas mais cheios, um ajuste que começa a fazer diferença na conta.
Parceria com Lufthansa começa a aparecer nos números
Parte desse resultado já tem relação direta com a aproximação com o Lufthansa Group. A parceria, ainda em fase inicial, começou a gerar sinergias operacionais que ajudaram a sustentar o desempenho em um ano complicado.
O CEO da companhia destacou esse momento como um divisor de águas. Segundo ele, “2025 marcou um ponto de virada: registramos lucro pela primeira vez, confirmando que estamos no caminho certo”. Ele também reforçou que o resultado é fruto do esforço interno combinado com os primeiros efeitos concretos da parceria industrial.
Os desafios que ainda pesam
Nem tudo, porém, está resolvido. A empresa ainda convive com custos elevados, principalmente ligados ao leasing da frota, um dos pontos que mais pressionam o resultado operacional.
Além disso, 2025 foi marcado por um cenário externo complicado. Questões geopolíticas, limitações na frota de curto e médio alcance e até a ausência de apoio comercial em rotas importantes entre Itália e Estados Unidos impactaram o desempenho ao longo do ano.
Outro fator relevante foi a necessidade de manutenção em motores Pratt & Whitney, que obrigou a paralisação gradual de algumas aeronaves.
Mesmo assim, houve um efeito positivo pontual vindo do ajuste contábil de dívidas e créditos em moeda estrangeira, especialmente em dólar, que ajudou a melhorar o resultado final.
Frota mais moderna e estratégia de longo prazo
A ITA também avançou na modernização da frota. Dez novas aeronaves foram incorporadas ao longo do ano, enquanto modelos mais antigos começaram a ser retirados de operação.
Com isso, a empresa fechou 2025 com 106 aeronaves, sendo 70% de nova geração e idade média de 6,5 anos. Um movimento importante para reduzir custos operacionais no longo prazo e melhorar eficiência.
O que vem pela frente
Apesar do lucro histórico, a própria companhia reconhece que ainda não chegou no ponto ideal. O peso dos custos financeiros segue alto e a busca agora é por uma rentabilidade mais estável.
O presidente da empresa resumiu o momento como mais um passo relevante dentro de uma trajetória maior. Segundo ele, os resultados reforçam a solidez do plano e a importância da colaboração entre os acionistas.
A leitura do mercado é simples: a ITA Airways finalmente saiu do modo sobrevivência. Agora, o desafio é provar que consegue se manter no azul sem depender de ajustes pontuais ou fatores externos.
Se conseguir equilibrar custos e aproveitar melhor as parcerias, principalmente com o grupo Lufthansa, a companhia pode entrar de vez no jogo das grandes europeias.







