
O Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (30). Após uma disputa acirrada em viva-voz, a espanhola Aena venceu o leilão com uma proposta de R$ 2,9 bilhões, mais que triplicando o valor mínimo estipulado pelo governo, de R$ 932,8 milhões.
O resultado veio depois de um processo que começou ainda na etapa de propostas fechadas, passou por empate técnico e terminou em uma escalada de lances que chamou atenção do mercado. No fim, o Galeão deixa para trás um período de incertezas e entra em uma nova fase, com expectativa de investimentos, modernização e reposicionamento no mapa da aviação.
Emilio Rotondo, Diretor geral da Aena Internaciona, classificou o resultado como um momento simbólico para a companhia e para o Brasil, destacando o Galeão como peça central na estratégia da empresa no país. “Hoje é um dia muito importante para a Aena e para o Rio de Janeiro. Estamos muito felizes com este passo e confiantes de que podemos contribuir para o desenvolvimento das infraestruturas brasileiras, como já fazemos há anos”, afirmou.
Ele também destacou o papel da operação da empresa no país, lembrando que esta foi a terceira participação da Aena em leilões no Brasil e que, com o Galeão, a companhia amplia significativamente sua presença. Segundo ele, a expectativa é alcançar cerca de 62 milhões de passageiros movimentados no país, consolidando a Aena entre os maiores operadores aeroportuários do mercado brasileiro.
O executivo ainda reforçou o interesse de longo prazo da empresa. “Estamos muito orgulhosos e esperamos estar presentes por muitos anos no Brasil”, disse, encerrando com agradecimentos às autoridades, investidores e demais participantes do leilão.
Como foi a disputa pelo Galeão

A disputa começou equilibrada. Na primeira rodada, duas empresas já mostravam força: a Zurich Airport e a Aena, ambas com propostas na casa de R$ 1,5 bilhão. O empate levou a um sorteio, que colocou a Aena na liderança antes do início do viva-voz.
A partir daí, o ritmo acelerou. Os lances começaram a subir em blocos de R$ 20 milhões, mas rapidamente ultrapassaram esse patamar. A Aena assumiu a dianteira e passou a puxar a disputa, enquanto a Zurich tentava acompanhar com diferenças mínimas.
A Rio de Janeiro Aeroporto S.A., que entrou com proposta próxima ao valor mínimo, perdeu fôlego logo no início e ficou fora da briga principal.
Escalada bilionária até o lance final
O que se viu nos minutos seguintes foi uma escalada típica de grandes ativos. A disputa saltou de R$ 2,2 bilhões para R$ 2,5 bilhões em pouco tempo. Depois, veio a sequência de R$ 2,6 bilhões, R$ 2,7 bilhões e R$ 2,8 bilhões, sempre com a Aena na frente.
A Zurich ainda tentou pressionar, cobrindo lances com valores simbólicos acima da concorrente, mas sem conseguir inverter a liderança. Nos momentos finais, a Aena fez o movimento decisivo e cravou R$ 2,9 bilhões.
Sem novas ofertas dentro do tempo limite, o martelo foi batido. O ágio final chegou a 210,88%, um dos maiores já vistos em leilões recentes de aeroportos no Brasil.
O que muda com a vitória da Aena
Com a vitória, a Aena assume o controle total do Galeão e passa a ser responsável por uma nova fase do aeroporto. O contrato prevê investimentos em infraestrutura, modernização de terminais e melhorias na eficiência operacional.
A expectativa é que o terminal volte a ganhar protagonismo, especialmente no mercado internacional. Nos últimos anos, o Galeão perdeu espaço, mas ainda mantém posição estratégica como porta de entrada do Rio de Janeiro.
O novo operador terá o desafio de aumentar o fluxo de passageiros, atrair rotas e melhorar a experiência do viajante, em um cenário de competição com outros aeroportos do país.
Por que o Galeão ainda é estratégico
Mesmo com altos e baixos, o Galeão segue como peça-chave para o turismo e a logística. Em 2025, o aeroporto movimentou cerca de 18 milhões de passageiros e registrou forte crescimento no número de turistas internacionais.
O terminal também tem relevância no transporte de cargas, o que amplia seu papel além do turismo. Para o governo, o leilão representa não só uma mudança de gestão, mas uma tentativa de reposicionar o aeroporto como hub internacional competitivo. A aposta agora está na capacidade da Aena de transformar esse potencial em resultado.







