
SÃO PAULO – O turismo entre Brasil e Portugal vive um momento de forte expansão e reposicionamento estratégico, impulsionado por crescimento consistente, aumento de conectividade e maior integração entre setor público e privado. Esse cenário foi destaque no painel “Portugal & Brasil – Viagens que nos ligam”, realizado nesta segunda-feira (13), durante o Fórum Atlântico de Turismo.
Os números apresentados evidenciam o peso do setor nas duas economias e o potencial de crescimento da parceria. Em Portugal, o turismo já representa 12,5% do PIB, 21,6% das exportações totais e 48,1% das exportações de serviços.
Em 2025, o país recebeu 32,5 milhões de hóspedes e registrou 82,1 milhões de dormidas, gerando receitas de 29 bilhões de euros, um avanço de quase 19% em relação ao ano anterior.
“Temos vindo a crescer de forma consistente, mas o nosso foco é crescer em valor e com impacto, não apenas em volume”, afirmou Lídia Monteiro, do Turismo de Portugal.
“Queremos que o turismo contribua para fazer do país um bom lugar para viver, investir e visitar”, complementou.

Entre os principais mercados emissores, o Brasil ocupa posição de destaque, figurando entre os dez maiores tanto em número de hóspedes quanto em receitas. Em janeiro de 2026, o mercado brasileiro apresentou crescimento de 25,7% em hóspedes, 29,6% em dormidas e 17,3% em receitas, reforçando sua relevância estratégica.
“O Brasil é um mercado que conhecemos bem, mas continuamos a apostar na diversificação, tanto de produtos quanto de territórios. Não basta visitar Lisboa ou Porto. Há uma diversidade enorme em todo o país, com experiências culturais, gastronômicas e históricas únicas”, explicou Monteiro.
Do lado brasileiro, os dados também mostram avanço significativo. O número de turistas portugueses no Brasil cresceu 49% entre 2023 e 2025, totalizando 273.483 visitantes no último ano. Portugal passou a ocupar a 7ª posição no ranking global de emissores e se tornou o principal mercado europeu para o Brasil, superando a França.
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“Esse crescimento é resultado de um trabalho estruturado de reposicionamento internacional do Brasil”, afirmou Bruno Reis, diretor de Marketing, Sustentabilidade e Inovação, da Embratur – e em breve, presidente da agência. “Pela primeira vez, Portugal assume esse protagonismo entre os mercados europeus, e isso mostra que estamos no caminho certo”, ressaltou.
A ampliação da conectividade aérea tem papel central nesse avanço. Entre 2023 e 2025, houve aumento de 18% na oferta de assentos, com previsão de alcançar cerca de 1,8 milhão em 2026.
“Mais voos significam mais oportunidades de negócios e maior fluxo turístico. Isso cria um cenário muito otimista para os próximos anos”, destacou Reis.
Além dos números, os debatedores enfatizaram a importância de estratégias de longo prazo e da continuidade das políticas públicas. Em Portugal, a estabilidade institucional é apontada como um dos pilares do sucesso do setor.
“Temos políticas que sobrevivem aos ciclos políticos, e isso é fundamental. Mas o mais importante é a articulação com o setor privado. Não há promoção internacional sem as empresas, são elas que geram negócio”, disse.
No Brasil, o desafio tem sido estruturar essa mesma lógica em um mercado mais complexo e diverso. O país lançou recentemente o Plano Brasil, com estratégias personalizadas para quase todos os estados, buscando descentralizar a oferta turística e ampliar a competitividade internacional.
“Estamos promovendo uma mudança de mentalidade. O turismo precisa ser visto como negócio, com foco em conversão e geração de valor”, afirmou Reis.
“O protagonismo deve ser da iniciativa privada, com o poder público criando as condições necessárias”, concluiu.
A diversificação também aparece como eixo comum entre os dois países. Enquanto Portugal investe em nichos como turismo cultural, literário e experiências em territórios menos explorados, o Brasil busca ampliar sua oferta além dos destinos tradicionais.

“Durante muitos anos, o Brasil esteve associado a poucos produtos. Hoje mostramos que temos uma oferta muito mais ampla e complexa”, disse Bruno.
Outro ponto destacado foi a afinidade cultural como diferencial competitivo. A relação histórica entre os países continua sendo um fator relevante na decisão de viagem, especialmente para o público brasileiro em Portugal.
“Há uma raiz comum, uma ligação afetiva. Muitos brasileiros buscam também essa reconexão com suas origens”, reforçou Lídia.
O painel reforçou que, apesar das diferenças de escala, com o Brasil sendo um país continental e Portugal de menor dimensão, há uma complementaridade estratégica que pode impulsionar ainda mais o turismo bilateral.
“A cooperação é o caminho para crescermos juntos”, concluiu Lídia Monteiro.
“Essa relação entre Brasil e Portugal tem tudo para avançar ainda mais nos próximos anos”, finalizou Bruno Reis.







