
O CEO da Latam Airlines no Brasil, Jerome Cadier, defendeu a necessidade de melhorar a comunicação entre a aviação, a sociedade e o poder público como um dos caminhos para destravar o crescimento da aviação no país. A avaliação foi feita em publicação recente nas redes sociais, em que o executivo também comentou os debates realizados durante o primeiro Fórum Brasileiro de Aviação, em Brasília.
O encontro foi promovido pela Agência Nacional de Aviação Civil em parceria com a International Air Transport Association, reunindo representantes do setor público e privado para discutir desafios estruturais da aviação civil brasileira.
Segundo Cadier, a aviação no Brasil ainda é “mal compreendida”, apesar de sua relevância estratégica e de seu caráter global e dinâmico. Para ele, a falta de clareza na comunicação contribui para a percepção distorcida sobre o setor e dificulta o avanço de pautas importantes.
Entre os principais temas debatidos no fórum, o executivo destacou os impactos da reforma tributária sobre a aviação, que, segundo ele, podem ser “devastadores” para o setor. Também estiveram em pauta os avanços regulatórios relacionados a passageiros indisciplinados e o crescimento da chamada judicialização predatória, fenômeno que tem pressionado custos operacionais das companhias aéreas.
Cadier reforçou ainda a importância do diálogo contínuo entre empresas, governo e entidades do setor como forma de construir soluções sustentáveis. “As verdadeiras barreiras que impedem o Brasil de voar mais necessitam de soluções conjuntas e responsáveis, com visão de futuro e segurança jurídica”, afirmou.
O executivo também mencionou que a Latam será anfitriã, em junho deste ano, da Assembleia Geral (AGM) da IATA, evento que volta ao Brasil após 27 anos. A expectativa é que o encontro reúna lideranças globais da aviação para discutir tendências e desafios da indústria.
Apesar de ser um país de dimensões continentais, o Brasil ainda apresenta baixa frequência de viagens aéreas, com média de 0,5 deslocamento por habitante ao ano, índice inferior ao de países vizinhos como Colômbia e Chile. Para Cadier, esse cenário evidencia o potencial de crescimento do setor, desde que sejam superados entraves estruturais e regulatórios.
Na avaliação do executivo, ampliar o acesso ao transporte aéreo no país depende de um ambiente mais previsível, com segurança jurídica e políticas públicas alinhadas ao desenvolvimento do setor. Ele defende que esse avanço só será possível por meio de um debate “transparente, qualificado e recorrente” sobre os desafios reais da aviação brasileira.







