
A Latam Airlines Group enfrenta um cenário de forte pressão de custos em 2026, com destaque para o aumento do preço do combustível de aviação (QAV), ajustes na malha aérea e discussões regulatórias no Brasil. A companhia projeta despesas adicionais superiores a US$ 700 milhões no segundo trimestre de 2026 com combustível, considerando o querosene a US$ 170 por barril.
No primeiro trimestre, o impacto adicional foi de cerca de US$ 40 milhões devido à alta dos preços.
Segundo o CEO da Latam Airlines Brasil, Jerome Cadier, a pressão já levou a ajustes operacionais. “Se você olhar junho, o que a gente imaginava voar e o que a gente efetivamente vai voar em junho, está quase 3% menor”, afirmou. O executivo explicou que o corte reflete cancelamentos pontuais de voos diante do cenário de custos e demanda.
Cadier destacou que os ajustes ainda são iniciais e devem avançar nos próximos trimestres. “Esses de Q3 e Q4 ainda não foram feitos”, disse, explicando que mudanças na malha exigem antecedência, já que voos próximos tendem a estar vendidos.
Sobre o impacto dos custos no preço das passagens, o CFO do grupo, Ricardo Bottas, afirmou que não há mudança de estratégia de precificação, mas sim consistência na proposta de valor. Ele ressaltou que parte do aumento do combustível precisa ser absorvida pelos bilhetes, dependendo das condições de mercado e da demanda.
“Existe um custo que é gerenciável e outro que é total dentro da operação. O combustível tem que ser capturado nos bilhetes na medida em que o mercado permite”, disse Bottas, acrescentando que o repasse depende também da resiliência da demanda.
O executivo também explicou que, no momento do choque de preços, grande parte dos bilhetes já havia sido vendida, o que limita repasses imediatos.
Além do combustível, a Latam acompanha possíveis impactos de mudanças trabalhistas no Brasil, como discussões sobre jornada 6×1. Cadier afirmou que eventuais ajustes teriam efeito limitado, já que a exposição da companhia nesse modelo é pequena, mas alertou para a necessidade de adequação caso novas regras avancem.
“O desafio que a gente está enfrentando é um desafio de custo”, resumiu Cadier, destacando que o principal fator atual é a escalada do preço do combustível, que chegou a dobrar em poucos meses no Brasil.







