
A Petrobras anunciou uma redução de 14,2% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras a partir de junho. Segundo comunicado divulgado pela estatal nesta segunda-feira (1º), a medida representa uma queda de R$ 0,93 por litro em comparação ao valor praticado no mês anterior.
A redução interrompe uma sequência de reajustes para cima registrada desde março e ocorre em um contexto de desaceleração das cotações internacionais do petróleo. De acordo com a Petrobras, a mudança reflete a “atenuação do cenário de elevação das cotações internacionais” provocada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Nos últimos meses, o mercado global de petróleo acompanha com atenção os desdobramentos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A possibilidade de interrupções na oferta mundial de petróleo impulsiona os preços da commodity, principalmente devido aos riscos relacionados ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas utilizadas para o transporte da produção global de petróleo.
O estreito, localizado entre Omã e Irã, concentra uma parcela significativa do comércio internacional da commodity. Qualquer ameaça à navegação na região costuma gerar reflexos imediatos nos preços internacionais do petróleo e, consequentemente, em combustíveis derivados, como o querosene de aviação. Como os preços do QAV acompanham as oscilações do mercado internacional de petróleo, as altas registradas nos últimos meses ampliaram os custos operacionais das companhias aéreas em diversos países, incluindo o Brasil.
Combustível e impacto no setor aéreo
O querosene de aviação é considerado um dos principais componentes da estrutura de custos das empresas aéreas. Por isso, qualquer alteração em seu preço costuma ser acompanhada de perto pelo setor. A redução anunciada pela Petrobras pode representar um alívio financeiro para as companhias, que enfrentam meses de aumento nos custos operacionais em decorrência da valorização do petróleo.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível passou a responder por cerca de 45% dos custos operacionais das empresas após os reajustes observados nos últimos meses. Esse cenário levou o setor a alertar para os impactos sobre as margens operacionais e para o risco de repasses aos consumidores por meio do aumento das tarifas aéreas. Com a queda anunciada para junho, o mercado passa a avaliar a possibilidade de redução da pressão sobre os preços das passagens. Embora não exista uma relação automática entre o custo do combustível e o valor cobrado dos passageiros, o QAV é um dos fatores que mais influenciam a composição tarifária.
Além do combustível, as companhias precisam considerar despesas com manutenção, leasing de aeronaves, câmbio, aeroportos, pessoal e serviços de navegação aérea. Mesmo assim, a redução do querosene de aviação é vista como um elemento relevante para o equilíbrio financeiro das empresas em um período de recuperação e expansão das operações.
Apesar da queda registrada em junho, os números acumulados ao longo do ano ainda indicam uma pressão significativa sobre os custos do setor. Dados divulgados pela Petrobras mostram que o combustível acumula alta de 54,5% em 2026. Em comparação com dezembro do ano passado, o preço médio do querosene de aviação permanece R$ 1,98 por litro mais caro. O resultado evidencia que a redução anunciada neste mês compensa apenas parte das elevações observadas desde o início do ano.
Governo mantém medidas para conter impactos
A redução promovida pela Petrobras ocorre poucos dias após o governo federal decidir prorrogar benefícios tributários relacionados ao setor de combustíveis. Na semana passada, a administração federal estendeu até 31 de julho a isenção de impostos sobre a venda e a importação de querosene de aviação e biodiesel. A medida integra um conjunto de ações anunciado em abril com o objetivo de reduzir os impactos da alta internacional do petróleo sobre a economia brasileira.
O benefício tributário venceria em 31 de maio, mas foi prorrogado por mais dois meses. A expectativa do governo é reduzir custos para companhias aéreas, importadores e produtores de combustíveis, contribuindo para limitar repasses aos consumidores. Embora mais de 80% do querosene de aviação consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação continua vinculada às cotações internacionais do petróleo. Por esse motivo, mesmo com produção nacional relevante, o mercado doméstico permanece sujeito às oscilações provocadas por eventos geopolíticos e mudanças na oferta global da commodity.
O pacote de medidas anunciado pelo governo para enfrentar os efeitos da alta dos combustíveis tem custo estimado em R$ 30,5 bilhões. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o valor será compensado por outras fontes de arrecadação, evitando impacto nas contas públicas.
Entre as medidas previstas estão a subvenção ao diesel nacional e importado, a isenção de tributos federais sobre o biodiesel, a subvenção ao gás liquefeito de petróleo (GLP), incentivos ao querosene de aviação e linhas de crédito destinadas ao setor aéreo.
Como parte dessas iniciativas, o Ministério da Fazenda definiu no sábado (31) uma subvenção de R$ 351,50 por metro cúbico de diesel, equivalente a aproximadamente R$ 0,35 por litro. O benefício será destinado a produtores e importadores durante dois meses, com possibilidade de extensão conforme a evolução do cenário internacional.
*Com informações de G1.
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