
Cuba enfrenta uma das piores crises recentes de sua indústria turística. A escassez de combustível e as dificuldades econômicas levaram ao fechamento de aproximadamente 73% dos hotéis do país, enquanto sete redes hoteleiras internacionais encerraram suas operações na ilha. Segundo o primeiro-ministro cubano, Manuel Marrero, o setor está “quase completamente paralisado”, deixando cerca de 25 mil trabalhadores em situação de incerteza.
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Entre as empresas que deixaram o mercado estão grandes grupos espanhóis, como Meliá Hotels International, Iberostar e Barceló. As sete redes administravam, juntas, quase metade dos quartos de hotéis do país. A saída representa uma mudança significativa para a hotelaria cubana, que contou por mais de três décadas com a participação de operadores estrangeiros.
Antes do agravamento da crise, o turismo era a segunda maior fonte de divisas de Cuba e gerava trabalho para mais de 300 mil pessoas. A retração do setor aumenta a pressão sobre a economia, que já enfrenta escassez de moeda estrangeira e de produtos, além dos efeitos das sanções impostas pelos Estados Unidos.
Turismo cultural e eventos na estratégia de recuperação
Para tentar recuperar o fluxo de visitantes, Cuba pretende diversificar a oferta turística, com destaque para o segmento MICE — reuniões, viagens de incentivo, congressos e exposições — e para experiências ligadas à cultura, à história, à gastronomia e às paisagens naturais.
José Luis Aguilera, conselheiro de Turismo de Cuba para a América do Sul, vê oportunidades para ampliar a chegada de visitantes da Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai. Segundo ele, a Argentina tem sido, na última década, o principal mercado emissor de turistas latino-americanos para a ilha, superando o México.
A estratégia inclui promover roteiros que integrem música, dança, patrimônio histórico, gastronomia, artesanato, rum, tabaco, golfe e passeios em carros clássicos. Entre os destinos que o país pretende valorizar estão Havana, o Vale de Viñales, a cidade de Sancti Spíritus, o centro histórico de Trinidad e o balneário de Varadero. Havana e o Vale de Viñales estão entre os atrativos reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco.
Chegada de turistas em Cuba despenca
Os números dimensionam o desafio. No primeiro semestre do ano, Cuba recebeu cerca de 360 mil turistas internacionais, uma queda de 58% em relação ao mesmo período do ano anterior. A publicação também aponta uma estimativa de 1,81 milhão de visitantes internacionais para 2025, abaixo da meta oficial de 2,6 milhões e o menor volume desde 2002.
A recuperação dependerá da capacidade do país de restabelecer operações hoteleiras, garantir condições para receber visitantes e diversificar mercados e produtos turísticos. A aposta em cultura, natureza e eventos busca manter a atratividade de Cuba em meio à crise econômica e à retração da infraestrutura turística.
Com informações do Vietnamvm







