
Ao participar do Gramado Summit, um dos maiores eventos de inovação e empreendedorismo do Brasil, saí com a percepção de que eles passaram a representar algo muito maior: tornaram-se ecossistemas de conexão, pertencimento e transformação.
Em um momento em que a Inteligência Artificial acelera processos, automatiza tarefas e amplia o alcance das marcas, o diferencial competitivo esteja justamente naquilo que continua essencialmente humano: as relações, as trocas, as experiências e os ambientes capazes de conectar pessoas em torno de interesses, ideias e valores comuns. O próprio tema desta edição, “Make It Human”, reforça essa provocação.
Em entrevista com Marcus Rossi, CEO do Gramado Summit, uma das frases que mais me chamou atenção foi quando ele definiu o evento como “um movimento”. E talvez essa seja uma das melhores definições para entender o papel que eventos como esse passaram a ocupar.Muito além do live marketing, empresas buscam nesses ambientes a oportunidade de criar proximidade, fortalecer posicionamento, gerar percepção de marca e participar de conversas que ajudam a construir relevância cultural e de negócio. São espaços de encontro, troca, inspiração e construção de comunidade.
Talvez o principal ativo de eventos como esse não seja audiência. Seja afinidade.
Marcus compartilhou diversos relatos de participantes que tiveram insights, encontraram parceiros, transformaram seus negócios ou até criaram empresas a partir de conexões iniciadas dentro do próprio evento. E talvez seja justamente aí que esteja seu maior valor: criar ambientes capazes de acelerar encontros que dificilmente aconteceriam de outra forma.
Participei do evento representando a TAP Air Portugal e algumas pessoas me perguntaram o que uma companhia aérea fazia em um evento de inovação e empreendedorismo. A pergunta, longe de soar deslocada, reforçou minha convicção de que estávamos exatamente onde deveríamos estar.
Porque participar de um ambiente como esse vai muito além da presença institucional ou da construção de awareness. Significa entender comportamentos, acompanhar novas tendências de consumo, conversar com startups, trocar experiências com diferentes setores e observar como as pessoas estão se relacionando com tecnologia, marcas e viagens. Mais do que promover produtos, trata-se de ampliar repertório, compreender movimentos de mercado e identificar oportunidades que, muitas vezes, não surgem dentro dos limites da própria indústria.
E aqui fica uma reflexão importante para o próprio turismo.
Durante muito tempo, nossa indústria se desenvolveu principalmente em seus próprios fóruns, feiras e eventos especializados. Eles continuam fundamentais. Mas, em um cenário onde comportamento, tecnologia e consumo mudam em velocidade acelerada, talvez seja cada vez mais importante também buscar referências também fora do setor.
Muitos dos movimentos que irão impactar o turismo amanhã já estão sendo discutidos hoje em ambientes ligados à tecnologia, varejo, creators economy, dados, Inteligência Artificial e comportamento. Talvez uma das maiores oportunidades esteja justamente nessa interseção entre mercados.
Outro aprendizado importante do Gramado Summit foi perceber que inovação não pertence apenas às empresas de tecnologia. Empresas tradicionais, marcas de varejo, aviação, educação e diferentes segmentos passaram a ocupar esses espaços porque entenderam que inovar está muito mais relacionado à capacidade de adaptação, velocidade e leitura de comportamento do que ao setor em que atuam.
Durante nossa conversa, perguntei a Marcus o que havia permitido ao evento chegar a mais de 20 mil participantes e se consolidar como uma das principais plataformas de inovação do país. A resposta me chamou atenção.
Apesar dos investimentos em mídia e marketing digital, ele acredita que grande parte desse crescimento veio de algo muito mais simples: “Gastar a sola do sapato.” A frase pode parecer simples, mas talvez traduza uma das maiores verdades sobre construção de marca. Tecnologia amplia alcance, mas são as relações que constroem confiança.
Marcus também comentou que “comunidade é o novo branding” e existe uma profundidade enorme nessa afirmação. Porque marcas fortes não são apenas aquelas que comunicam bem. São aquelas que conseguem criar ambientes onde pessoas se reconhecem, interagem e sentem que fazem parte de algo maior.
No fim, talvez o maior aprendizado de eventos como o Gramado Summit seja entender que marcas não crescem apenas pela comunicação que fazem. Elas crescem pelos movimentos que conseguem criar. E isso vale para eventos, empresas, destinos turísticos e também para cada um de nós.
A reflexão que fica é: Qual movimento o seu negócio está criando?
A conversa continua. Até o próximo artigo.





