
A história recente da BeFly pode ser dividida em dois momentos distintos. O primeiro é marcado por uma expansão acelerada, que transformou a empresa em uma das maiores holdings de turismo do país. O segundo começa quando o nome da companhia passa a ser associado ao caso Banco Master, dando início a um período de questionamentos sobre sua estrutura, seus investimentos e seus efeitos sobre a operação.
Fundada por Marcelo Cohen, a BeFly consolidou sua estratégia de crescimento por meio da aquisição de empresas tradicionais do setor. Em poucos anos, incorporou mais de 30 marcas, entre elas Flytour, STB, Queensberry, Qualitours e Reservia, formando um dos maiores grupos de turismo do Brasil.
O ritmo das aquisições se intensificou no período posterior à pandemia, quando diversas empresas do segmento buscavam investidores ou parceiros para retomar suas atividades. Em 2024, a holding já movimentava cerca de R$ 12 bilhões em vendas, posicionando-se entre as maiores empresas do turismo nacional.
Ao longo desse processo, a capacidade financeira da BeFly passou a chamar atenção do mercado. A discussão ganhou novos contornos com o avanço das investigações envolvendo o Banco Master e seu então controlador, Daniel Vorcaro.
Em manifestações públicas, a BeFly afirmou que manteve linhas de crédito junto ao Banco Master durante o período de funcionamento regular da instituição financeira, mas sustenta que Vorcaro nunca foi sócio direto de nenhuma empresa do grupo.
A empresa também declarou que fundos citados em reportagens sobre sua estrutura societária não integram mais seu quadro de investidores e reiterou que mantém padrões de governança e que suas operações não foram afetadas pelo caso.
Relação entre CEO da BeFly e ex-banqueiro
À medida que as investigações sobre o Banco Master avançaram, a associação entre a holding e o ex-banqueiro passou a repercutir também no setor de turismo. A exposição foi ampliada pela conhecida relação de proximidade entre o CEO da BeFly, Marcelo Cohen, e Daniel Vorcaro.
Segundo reportagem da Revista Oeste, os dois são amigos de longa data e se conheceram ainda na juventude, quando trabalharam como guias turísticos nos parques da Disney, nos Estados Unidos. Conforme noticiou o Brazil Journal, a amizade evoluiu para uma relação de negócios, com o Banco Master oferecendo linhas de crédito que contribuíram para a estratégia de expansão da BeFly e para a realização de aquisições no setor.
A proximidade entre Cohen e Vorcaro ganhou ainda mais visibilidade após a divulgação, pelo jornal O Globo, de uma fotografia em que ambos aparecem juntos a bordo de um jato particular durante as investigações envolvendo o ex-banqueiro.

Postagem no Instagram do O Globo mostram Vorcaro e Cohen no mesmo jato (Reprodução/Instagram)
Foi nesse contexto que começaram a ocorrer mudanças envolvendo empresas e lideranças da holding.
Em junho deste ano, a Jazz Side anunciou a recompra da participação de 51% que havia vendido à BeFly em 2023, encerrando sua vinculação societária com o grupo. Ao comentar a decisão, o CEO da empresa, Pedro Opice, afirmou que “quando surge qualquer eventual ruído que pode esbarrar em nossa operação, a parceria fica mais frágil”, ao justificar o movimento.
Também passaram a circular informações sobre uma possível reorganização societária envolvendo a Student Travel Bureau (STB), embora a empresa não tenha confirmado oficialmente uma saída da holding. No mesmo período, Christina Bicalho deixou a vice-presidência da empresa após 37 anos de atuação.
Paralelamente, a BeFly registrou uma série de mudanças em cargos de liderança. Nos últimos meses, deixaram o grupo Flavio Marques, diretor da Flytour Consolidadora e Reservia; Luti Guimarães, vice-presidente de Negócios da BeFly nos últimos quatro anos; Larissa Freitas, gerente executiva de Negócios; Matheus Jorge, gerente de Atendimento de Grupos da Flytour; Victor Oliveira, gerente da Flytour; além da própria Christina Bicalho.
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Embora as movimentações tenham ocorrido em diferentes empresas e áreas da holding, elas coincidem com o período em que a BeFly passou a enfrentar maior exposição em razão dos desdobramentos do caso Banco Master.
O que diz a BeFly
Procurada pelo Mercado & Eventos, a BeFly afirma que acompanha o tema “com transparência e serenidade” e que as especulações envolvendo o caso Banco Master não impactaram sua posição no mercado de turismo. Segundo a companhia, a operação segue independente, preservando a confiança de clientes, parceiros comerciais, franqueados e fornecedores.
A empresa afirma ainda que não identificou impactos relevantes em suas operações ou relações comerciais e que continua executando seu plano de crescimento e mantendo suas parcerias estratégicas.
Sobre a saída da Jazz Side, a BeFly informou que a decisão vinha sendo discutida há algum tempo e ocorreu de forma consensual, alinhada às estratégias de negócio das duas empresas. Em relação a possíveis reorganizações societárias ou desinvestimentos, a holding afirmou que avalia continuamente oportunidades que contribuam para a evolução dos negócios, mas disse não haver informações adicionais a divulgar neste momento.
Questionada sobre a sequência de desligamentos de executivos, a companhia afirmou que a movimentação faz parte da dinâmica natural do mercado e do processo contínuo de evolução organizacional. Segundo a empresa, somente nos últimos dois meses foram realizadas 77 contratações, reforçando que não se trata de uma reestruturação extraordinária. A apuração é que mais de 70 funcionários também tenha sido desligados no período.
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A BeFly também declarou que não mantém atualmente qualquer relação societária, financeira ou comercial com Daniel Vorcaro. Sobre a expansão da companhia, informou que, além das operações já comunicadas anteriormente ao mercado, não há informações adicionais a divulgar sobre investimentos, aportes ou financiamentos ligados ao ecossistema do Banco Master.
Por fim, a empresa fez questão de reiterar que segue comprometida com transparência, governança e excelência operacional e afirmou que continuará investindo no crescimento dos negócios e no fortalecimento de seu ecossistema, “mantendo o compromisso de gerar valor para clientes, agentes de viagens, fornecedores e parceiros”.







