Moody’s prevê que venda da TAP pode levar anos e aponta desafios para futuro da companhia
Agência prevê que aprovação regulatória poderá prolongar venda da TAP por vários anos (Divulgação/TAP)

A reprivatização da TAP deverá ser marcada por um processo longo e cercado por desafios regulatórios. Em análise divulgada nesta semana, a agência de classificação de risco Moody’s avalia que a conclusão da venda da companhia aérea poderá levar “vários anos”, já que a operação dependerá de uma série de aprovações das autoridades europeias.

A agência ressalta que a escolha do comprador não encerrará o processo. A transação ainda precisará ser aprovada por órgãos como a Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia, responsável por avaliar os impactos da operação sobre a concorrência no mercado de aviação do bloco. Para a Moody’s, trata-se de uma etapa “complexa”, capaz de estender significativamente o cronograma da privatização.

Ativos estratégicos impulsionam disputa

Embora veja um caminho regulatório longo, a agência ressalta que a TAP permanece como um ativo estratégico para o setor aéreo europeu. A companhia ocupa uma posição dominante no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, onde a oferta limitada de slots aumenta o valor operacional da empresa.

Outro diferencial destacado é a liderança da transportadora nas ligações entre a Europa e o Brasil, mercado considerado um dos principais pilares de sua operação internacional. Essa combinação de fatores, segundo a Moody’s, tende a manter elevado o interesse de grandes grupos do setor.

Atualmente, Lufthansa e Air France-KLM continuam entre os principais candidatos à compra de 44,9% da companhia, enquanto outras propostas voltadas aos trabalhadores também seguem em análise.

Crescimento exigirá novos investimentos

Apesar do potencial estratégico, a Moody’s avalia que a TAP continuará enfrentando um cenário financeiro desafiador nos próximos anos. A renovação da frota deverá exigir investimentos elevados, mantendo o free cash flow (fluxo de caixa livre) negativo entre 2026 e 2028.

Ao mesmo tempo, a companhia seguirá pressionada pelo aumento dos custos operacionais, especialmente com combustível e aquisição de aeronaves, fatores que deverão restringir a expansão de suas margens financeiras no médio prazo.

Auditoria acompanha trajetória da empresa

Enquanto o processo de reprivatização avança, a gestão da TAP também permanece sob análise do Tribunal de Contas de Portugal. O órgão conduz uma auditoria que abrange a administração da companhia desde julho de 2017, incluindo tanto o período em que esteve sob controle privado quanto a fase posterior de retorno à esfera pública.

A investigação ocorre em paralelo ao processo de venda e poderá lançar luz sobre a condução financeira e administrativa da empresa em um dos momentos mais importantes de sua história recente.