
As enchentes repentinas que atingiram a região entre Nepal e Tibete deixaram centenas de turistas e peregrinos estrangeiros desaparecidos. O desastre, registrado na quarta-feira (26), provocou mortes, destruiu estradas, pontes e edificações e interrompeu conexões de comunicação em áreas montanhosas próximas à fronteira.
Os números seguem sendo atualizados pelas autoridades. Segundo o Nepal Tourism Board, 590 turistas estão desaparecidos ou sem contato, sendo 476 estrangeiros e 114 nepaleses. Entre os estrangeiros, os maiores grupos são de Índia (177), Estados Unidos (63), Ucrânia (53), Austrália (34), Reino Unido (33) e Canadá (25). Até o momento, não havia registro de brasileiros entre os turistas desaparecidos, segundo as informações divulgadas pelas autoridades brasileiras mencionadas no material inicial. A situação, porém, permanece em evolução e os números podem mudar conforme avançam as operações de busca e identificação.
Turistas e peregrinos entre os desaparecidos
A região afetada é frequentada por turistas de aventura, grupos de trekking e peregrinos que seguem em direção ao Monte Kailash, no Tibete, um dos principais locais de peregrinação religiosa do Himalaia.
A viagem costuma passar pelo norte do Nepal antes da entrada no Tibete. O período de monções aumenta os riscos de deslizamentos e enchentes repentinas em uma área marcada por estradas de alta altitude e difícil acesso.
Um dos grupos atingidos reunia 77 peregrinos de diferentes nacionalidades, incluindo americanos, canadenses, australianos e britânicos. O grupo havia concluído uma peregrinação ao Monte Kailash e estava no centro de imigração de Gyirong quando as águas avançaram pela região.
Índia concentra maior número de desaparecidos
Os indianos formam o maior grupo de estrangeiros desaparecidos no lado nepalês. A proximidade geográfica e a importância religiosa do Monte Kailash ajudam a explicar o grande número de peregrinos indianos que percorrem a região.
Também há dezenas de cidadãos dos Estados Unidos, Ucrânia, Malásia, Austrália, Reino Unido e Canadá entre os desaparecidos. Alemanha, Japão, Nova Zelândia, Rússia, Singapura, África do Sul e outros países também registraram cidadãos sem contato.
As listas ainda podem sofrer alterações, já que autoridades e governos estrangeiros trabalham para confirmar a situação dos viajantes e diferenciar pessoas efetivamente desaparecidas daquelas que perderam contato devido aos danos nas comunicações.
Fronteira entre Nepal e Tibete também foi atingida
No lado chinês da fronteira, na região de Gyirong, no Tibete, 558 pessoas foram inicialmente dadas como desaparecidas, incluindo 260 estrangeiros, segundo informações divulgadas pelas autoridades chinesas.
A infraestrutura turística e de transporte foi severamente afetada. A enchente destruiu ou danificou pontes, estradas, casas e redes de comunicação, dificultando o acesso das equipes de resgate e o contato entre turistas, familiares e operadores.
Operação de resgate continua
Equipes de segurança e emergência do Nepal utilizam helicópteros e drones nas buscas, enquanto autoridades trabalham para alcançar comunidades isoladas e localizar turistas e moradores desaparecidos. A dimensão do desastre continua sendo atualizada à medida que as equipes conseguem acessar as áreas mais afetadas.
Para o setor de turismo, o desastre chama atenção para os riscos associados às viagens de aventura e peregrinação em regiões de alta montanha durante a temporada de monções, especialmente em áreas remotas e sujeitas a mudanças climáticas rápidas.







