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Didio Pequeno, diretor de Análises de Mercado de Hotelaria da CoStar (Natália Strucchi/M&E)

Washington D.C. – Depois de um 2025 marcado por incertezas econômicas, inflação, tarifas, desemprego e maior sensibilidade dos consumidores aos preços, a hotelaria dos Estados Unidos voltou a apresentar sinais consistentes de recuperação em 2026. Até julho, o RevPAR — receita por quarto disponível — avançou 5,4%, resultado de uma alta de aproximadamente 2% na ocupação e de 4% na diária média (ADR).

Os dados foram apresentados por Didio Pequeno, diretor de Análises de Mercado de Hotelaria da CoStar, que destacou que o desempenho positivo não está restrito aos Estados Unidos. Segundo ele, a maior parte dos principais mercados das Américas apresentou crescimento no período, impulsionada principalmente pelo aumento das tarifas médias.

No mercado americano, entretanto, alguns destinos vêm se destacando especialmente pela combinação de grandes eventos e forte demanda. Entre os 25 principais mercados analisados pela CoStar, São Francisco, Miami e Chicago aparecem entre os melhores desempenhos até julho.

São Francisco foi diretamente beneficiada pela realização de grandes eventos, entre eles o Super Bowl e a Copa do Mundo, além de um calendário robusto de convenções. Miami, por sua vez, apresentou um desempenho fortemente sustentado pelo aumento das tarifas, enquanto Chicago conseguiu registrar crescimento mesmo sendo a maior cidade americana que não recebeu partidas da Copa.

Segundo Didio, a ausência do Mundial não impediu Chicago de se beneficiar do calendário de eventos, especialmente com a realização de encontros corporativos e grandes conferências durante junho e julho. Na outra ponta, Nova Orleans apresentou o pior desempenho entre os principais mercados analisados, em grande parte por um efeito de comparação. A cidade recebeu o Super Bowl no ano anterior, elevando significativamente a base de comparação para 2026.

Seis meses consecutivos de crescimento

Mais do que os números acumulados até julho, Didio chama atenção para a mudança de trajetória observada ao longo de 2026. Depois de um ano difícil para a hotelaria americana, o setor registrou crescimento de ocupação, ADR e RevPAR por seis meses consecutivos.

“Os Estados Unidos enfrentaram um 2025 difícil, devido a uma série de fatores, como incerteza econômica, tarifas, inflação, desemprego, sensibilidade aos preços e queda na confiança do consumidor. Até julho de 2026, embora a maioria desses problemas ainda exista, as pessoas continuam viajando, e vimos ocupação, ADR e RevPAR crescerem por seis meses consecutivos.”

O cenário chama atenção porque muitos dos fatores que pressionaram o mercado em 2025 ainda estão presentes. A inflação continua sendo uma preocupação, os preços do petróleo e dos combustíveis subiram e a sensibilidade dos consumidores aos preços permanece elevada. Ainda assim, os americanos continuam viajando.

Para Didio, uma das explicações está na mudança do comportamento do viajante doméstico. Após a pandemia, os americanos passaram a priorizar viagens e, em um primeiro momento, houve um forte movimento de viagens internacionais. Em 2026, porém, os dados indicam uma redução das viagens dos americanos ao exterior no segundo trimestre.

Demanda doméstica ganha força

Outro ponto destacado pela CoStar é a evolução dos diferentes segmentos de demanda. No acumulado desde 2019, o segmento que reúne principalmente viajantes individuais e de lazer ou negócios, apresenta crescimento expressivo, com demanda cerca de 7% maior. Já o segmento de grupos sofreu uma queda aproximada de 20% no período.

Em 2026, contudo, há sinais de mudança. A demanda cresceu em ambos segmentos. Até julho, o primeiro avançou 1,8%, enquanto a demanda de grupos cresceu 2,4%, superando o ritmo do segmento individual. Para Didio, o dado mais importante é justamente o fato de que os dois segmentos voltaram a crescer simultaneamente.

Hotelaria de luxo lidera recuperação

Quando o desempenho é analisado por categoria hoteleira, os hotéis de luxo, upper upscale e upscale aparecem entre os destaques até julho. O segmento de luxo, porém, se distancia dos demais. O RevPAR dos hotéis de luxo cresceu quase 10%, praticamente o dobro do desempenho da segunda categoria com melhor resultado, a upper upscale.

O dado reforça uma tendência observada no comportamento dos consumidores de maior renda. Mesmo diante de um ambiente de maior cautela, viajantes com maior poder aquisitivo continuam viajando e gastando — e, em muitos casos, direcionando seus recursos para hospedagens de padrão mais elevado.

Diárias começam a superar inflação

A evolução das tarifas também merece atenção. A maior sensibilidade dos consumidores aos preços fez com que, durante boa parte de 2026, o crescimento do ADR permanecesse abaixo da inflação. Mas esse cenário começou a mudar. Em junho e julho, a diária média acelerou e, pela primeira vez em um longo período, o crescimento do ADR ficou acima da inflação por dois meses consecutivos.

É nesse contexto de recuperação que entra a Copa do Mundo de 2026. Realizado nos Estados Unidos, México e Canadá, o Mundial adiciona uma camada extraordinária de demanda a um mercado que já vinha mostrando sinais de recuperação.

Os números da hotelaria dos EUA até julho:

  • +5,4% RevPAR
  • +4% ADR
  • +2% ocupação
  • 6 meses consecutivos de crescimento de ocupação, ADR e RevPAR
  • +10% RevPAR na hotelaria de luxo
  • +2,4% demanda de grupos
  • +1,8% demanda de viajantes individuais e de lazer ou negócios
  • junho e julho: ADR crescendo acima da inflação