
As obras do Aeroporto da Serra Gaúcha, em Vila Oliva, Caxias do Sul, deram mais um passo nesta semana, mas as máquinas ainda não têm data para entrar no terreno. O Consórcio Serra Gaúcha-Vila Oliva entregou à Prefeitura a documentação necessária para encaminhamento à Secretaria de Aviação Civil (SAC), ligada ao Ministério de Portos e Aeroportos, enquanto o município trabalha para concluir a contratação da empresa que fará o apoio à fiscalização e à gestão ambiental do empreendimento. A expectativa da Prefeitura é conseguir a ordem de início ainda em 2026.
A documentação foi entregue na quinta-feira (10) pelo diretor de Engenharia e Obras da Terracom Construções, Marcio Brites, ao vice-prefeito Edson Néspolo. A empresa de Cubatão (SP) lidera o consórcio vencedor da licitação para executar a primeira etapa do aeroporto.
Entre os documentos apresentados estão seguros, certidões e o cronograma previsto para a obra. Segundo o planejamento apresentado pelo consórcio, a primeira etapa deverá ser concluída em 30 meses após o início dos trabalhos.
O movimento é considerado importante porque, segundo a Prefeitura, a documentação necessária para que o governo federal analise a autorização para a ordem de serviço está sendo consolidada. Ainda assim, existe uma etapa que precisa ser resolvida antes da entrada das máquinas: a contratação da empresa responsável pela fiscalização ambiental e pelo apoio técnico ao município.
Documentação chega à Secretaria de Aviação Civil
A entrega dos documentos ocorreu após uma série de reuniões entre a Prefeitura de Caxias do Sul, o consórcio vencedor e representantes da Secretaria de Aviação Civil.
O vice-prefeito Edson Néspolo relatou que esteve em Brasília na semana passada para tratar do andamento do projeto junto à SAC. Segundo ele, o município vem cumprindo as exigências estabelecidas para a utilização dos recursos federais destinados ao empreendimento.
“Cada dia que passa ficamos mais seguros de que esse sonho de toda região da Serra Gaúcha começa a se tornar realidade, e que vai representar um novo marco no desenvolvimento regional”, afirmou Néspolo.
O secretário de Planejamento e Parcerias Estratégicas, Antonio Feldmann, também destacou o trabalho realizado pelas equipes técnicas da prefeitura nas últimas semanas, principalmente nas reuniões com o consórcio responsável pela construção.
Segundo Feldmann, os documentos entregues agora permitem que a Prefeitura avance no processo de análise federal.
“Pelas nossas projeções, agora não há mais nenhum impedimento, não há mais nenhum documento faltando”, disse o secretário. A afirmação, porém, não significa que as obras possam começar imediatamente.
Fiscalização ambiental ainda precisa ser contratada
O principal ponto pendente está em uma segunda licitação, destinada à contratação da empresa que prestará serviços técnicos especializados de engenharia para apoio à fiscalização, consultoria e gestão ambiental do aeroporto. O contrato é estimado em aproximadamente R$ 10 milhões e ainda está em fase de recursos.
A contratação é necessária para que o município tenha uma estrutura técnica de acompanhamento da execução da obra e da gestão ambiental. Por isso, mesmo com o consórcio já definido e a documentação encaminhada à SAC, o início dos trabalhos depende dessa etapa.
“Agora é preciso vencer a segunda licitação, que é a contratação de empresa que vai fazer o apoio à fiscalização e gestão ambiental para que a gente também possa ter quando tiver a homologação”, explicou Feldmann.
O secretário reforçou que a empresa vencedora da obra não poderá iniciar os serviços antes da definição desse contrato de fiscalização.
“Depois, assinar o contrato e aí sim a empresa pode começar a obra, porque ela não pode começar sem ter a definição dessa empresa que ganhou essa licitação da fiscalização”, afirmou.
Obra de R$ 145 milhões terá pista de 1.930 metros
A primeira fase do Aeroporto da Serra Gaúcha será executada pelo Consórcio Serra Gaúcha-Vila Oliva, liderado pela Terracom Construções Ltda.
A proposta vencedora é de aproximadamente R$ 145 milhões, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal.
O contrato contempla o chamado Lado Ar, conjunto de estruturas necessárias para a futura operação aeroportuária. Entre os serviços estão terraplanagem, implantação da pista, pátio de aeronaves e outras estruturas vinculadas à área operacional.
Pista terá 1.930 metros de extensão
O projeto prevê uma pista de 1.930 metros de comprimento por 45 metros de largura. O dimensionamento foi elaborado para atender aeronaves de maior porte dentro dos parâmetros estabelecidos para o empreendimento.
Também está previsto um pátio de aeronaves com mais de 31 mil metros quadrados e um estacionamento com capacidade aproximada para 500 veículos.
O cronograma apresentado pelo consórcio estabelece prazo de 30 meses para a conclusão da primeira etapa.
Isso significa que, caso a ordem de início seja efetivamente emitida ainda neste ano, o calendário de implantação poderá avançar ao longo dos próximos anos, seguindo as etapas previstas no contrato.
Acesso rodoviário ainda é outro desafio
Enquanto o processo de contratação e autorização da obra avança, os acessos ao futuro aeroporto também precisam ser estruturados.
A responsabilidade pelos projetos rodoviários é do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer). Entre as alternativas estudadas está a RS-466, na Região das Hortênsias.
O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea) desse trecho já foi concluído e está em análise pelo departamento.
A expectativa é que, ainda em setembro, o processo avance para o desenvolvimento do anteprojeto da estrada. A previsão apresentada é de que as etapas previstas para 2026 sejam concluídas ao longo do ano.
Também estão em estudo alternativas de ligação pela RS-476, entre Canela e Jaquirana, e pela RS-484, em São Francisco de Paula. Para esses dois trajetos, porém, ainda não há previsão definida para o avanço dos projetos.
Prefeitura espera ordem de início ainda em 2026
Apesar das pendências, a Prefeitura de Caxias do Sul mantém a previsão de que a ordem de início das obras seja assinada ainda este ano.
Feldmann, porém, evitou estabelecer um mês específico para o começo dos trabalhos.
“Tem o período eleitoral que acaba, às vezes, até atrasando algumas questões, mas, com certeza, dentro desse ano de 2026 vai ser dada a ordem de início, com as máquinas no local e já começando a obra”, afirmou.
E resumiu o atual estágio do projeto: “Não vou mais falar em meses, mas agora está perto”.
A história do Aeroporto da Serra Gaúcha, no entanto, é bem mais antiga que a atual licitação. As primeiras avaliações de áreas para implantação de um novo aeroporto na região começaram em 2004. Desde então, o projeto passou por desapropriações, licenciamento ambiental, estudos de impacto e mudanças decorrentes de exigências técnicas de órgãos estaduais e federais.
Em 2025, o empreendimento foi incluído oficialmente no PAC e recebeu autorização do Ministério de Portos e Aeroportos para que a Prefeitura pudesse abrir a licitação da primeira etapa.
Agora, o projeto entra em uma fase mais concreta: o consórcio responsável pela obra está definido, o valor do contrato está estabelecido e o cronograma de execução foi apresentado.
Ainda falta, porém, concluir a contratação da fiscalização ambiental e obter a autorização necessária para que o município possa emitir a ordem de início.
Se o cronograma previsto pela Prefeitura for mantido, 2026 poderá terminar com uma mudança importante no cenário do aeroporto de Vila Oliva: depois de mais de duas décadas de estudos e etapas administrativas, as primeiras máquinas poderão finalmente chegar ao terreno.
*Com informações de Gauchazh







