Abrafesta
Ricardo Dias, presidente da Abrafesta  (Divulgação/Abrafesta)

A Abrafesta defende a retomada e o aperfeiçoamento do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), com foco na geração de empregos formais, na qualificação profissional e na inclusão produtiva. Para a entidade, o programa contribuiu para a recuperação das empresas após a pandemia e pode voltar a impulsionar a atividade econômica. A proposta de retomada anunciada em 20 de outubro pelo candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) é vista pela associação como uma oportunidade para avançar nessa discussão.

“O Perse foi extremamente exitoso porque deu fôlego a uma cadeia produtiva duramente atingida pela pandemia. Seu mérito está na capacidade de apoiar empresas, preservar a atividade e criar condições para a retomada do emprego. Não estamos defendendo um benefício pelo benefício. Estamos defendendo uma política pública que transforme incentivo em trabalho formal, qualificação e dignidade”, afirma Ricardo Dias, presidente da Abrafesta.

Setor de eventos destaca geração de empregos

A Abrafesta cita indicadores do mercado de trabalho para defender a continuidade de políticas de incentivo ao setor. Estimativas divulgadas em 2022 apontavam que os eventos e sua cadeia produtiva respondiam por dois a cada dez empregos criados no Brasil. Já um estudo da Tendências, baseado em dados da RAIS e do Caged e divulgado em maio de 2025, identificou que, em 2024, a geração de empregos formais nas atividades contempladas pelo Perse ocorreu em ritmo duas vezes superior ao registrado no restante da economia.

Para a entidade, a avaliação do programa não deve considerar apenas a renúncia fiscal, mas também os efeitos sobre a atividade econômica, a contratação formal e a recuperação da arrecadação ao longo do tempo. A proposta é que uma eventual nova fase tenha critérios transparentes e acompanhamento dos resultados econômicos e sociais.

O turismo também é apontado como parte desse potencial. O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) projetou para 2025 uma contribuição do setor equivalente a 7,7% da economia brasileira e a geração de 8,2 milhões de empregos, considerando os impactos diretos, indiretos e induzidos. Os números abrangem o turismo como um todo, não apenas o segmento de eventos. Confira a projeção do WTTC.

Abrafesta propõe contrapartidas para os incentivos

A associação defende que uma eventual retomada do Perse esteja vinculada a compromissos verificáveis de contratação formal, capacitação e formalização de trabalhadores, com metas e acompanhamento. Também propõe regras compatíveis com a sazonalidade do setor, que envolve etapas de montagem, realização e desmontagem de eventos.

“Precisamos reinserir pessoas na força produtiva de maneira formal e com dignidade. O incentivo deve abrir portas para quem precisa trabalhar, qualificar quem já atua no setor e tornar a formalização uma possibilidade concreta. Uma nova etapa do Perse, bem desenhada e com contrapartidas, pode impulsionar novas contratações e entregar resultados ainda mais efetivos para o Brasil”, destaca Dias.

A discussão ocorre também em meio às mudanças nas regras de jornada de trabalho. Segundo a Abrafesta, a transição para a escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso, com redução da jornada semanal, pode pressionar os custos das empresas de eventos e dificultar contratações se não houver medidas de adaptação às características do setor. A entidade considera que um Perse reformulado poderia ajudar a preservar postos de trabalho e reduzir os riscos de informalidade.

Programa foi encerrado em abril de 2025

“A manifestação de Flávio Bolsonaro sobre a retomada do Perse é bem-vinda. Vamos trabalhar com o setor produtivo e dialogar com o poder público para transformar essa sinalização em uma política consistente. O Brasil tem um enorme potencial em eventos e turismo. Precisamos de condições para converter esse potencial em mais empregos, mais qualificação e mais oportunidades”, afirma o presidente da Abrafesta.

Criado em 2021 para reduzir os impactos econômicos da pandemia, o Perse concedeu benefícios tributários a atividades elegíveis dos setores de eventos e turismo. Os incentivos foram encerrados em abril de 2025, após o atingimento do limite de renúncia fiscal previsto em lei.