
LISBOA – Depois de cinco dias explorando o sul de Portugal, operadores brasileiros identificaram oportunidades para ampliar a oferta de produtos no destino, com roteiros que vão além dos circuitos tradicionais por Lisboa e Porto. A programação do pós-tour da Convenção Braztoa 2026 passou por Comporta, Melides, Sines, Porto Covo e Vila Nova de Milfontes, além de localidades do Algarve, como Albufeira, Loulé, Almancil e Vilamoura.
Entre os destaques apontados pelos participantes estão a gastronomia, a natureza, a hotelaria, as visitas a produtores locais e a possibilidade de criar viagens temáticas e grupos voltados a diferentes perfis de viajantes.
Para os participantes como um todo, conhecer as regiões de perto ajuda a identificar oportunidades comerciais, selecionar parceiros e desenvolver produtos adequados ao público brasileiro.
O que os operadores brasileiros destacam após o pós-tour da Convenção Braztoa 2026 em Portugal?

“Sem dúvida, a região do Alentejo, mas precisamente a do Algarve, é pouco buscada pelos brasileiros. O brasileiro está sempre nos principais polos de Portugal, mas a região do Alentejo, juntamente com as visitas técnicas que fizemos, é muito importante para nós, operadores. Estar em conjunto com os demais operadores também tem grande valia. Isso traz essa hospitalidade, que é importantíssima, além da gastronomia. É fundamental termos essa experiência para divulgá-la no dia a dia aos demais operadores e agentes de viagens” – André Paschoa, supervisor da Ancoradouro.
“O pós-tour é realmente muito importante para que a gente possa desenvolver o destino de forma mais assertiva. Eles desenvolvem um destino muito vendido e a gente vem agora com um complemento para trazer ao público brasileiro um adicional que já está sendo muito procurado. O bacana de estar neste famtour é ter a possibilidade de conhecer tudo com mais calma, não só o destino, como os principais pontos turísticos e a hotelaria, e realmente voltar com o embasamento para criar um produto diferenciado para o mercado brasileiro” – Priscilla Godoy, gerente comercial da Azul Viagens.
“Com certeza, a integração com o time de produtos é importante para repassar toda a experiência que tive aqui e servir, inclusive, como ponto de apoio entre alguns parceiros. Já combinei algumas reuniões pós-tour para que eles também apresentem a região ao time de produtos, porque é incrível, é linda. Acho que há bastante sinergia com o público brasileiro, e existe essa representatividade de ser a maior empresa de turismo da América Latina e essa potência para fomentar o destino, principalmente agregando o produto para o nosso público, para os nossos clientes. Aqui no Algarve e no Alentejo, há diversificações que atraem muito o brasileiro. Tem de praia a vinícola, passeio de jipe pelo meio de áreas de vegetação para conhecer as principais plantações e os produtores locais, além da marina e dos barcos. Isso tem bastante atratividade para o público brasileiro” – Eloá Salvador, gerente de relações governamentais da CVC Corp.
Novos roteiros e experiências para grupos

“Nós trabalhamos com esse mercado, especialmente o de Portugal, com muita presença já para grupos de brasileiros e grupos de agências. É um dos nossos carros-chefes. A percepção, além da convenção, são as possibilidades que surgiram de entender um pouco sobre as duas regiões que conhecemos e, a partir disso, poder personalizar cada vez mais a experiência do cliente. Vimos um Portugal um pouco diferente daquele a que estamos acostumados, que é mais vendido, como Lisboa. São cidades dos arredores. Aqui percebemos um foco maior na gastronomia e em lugares mais tranquilos. E tem público para isso. Fazer essas viagens de familiarização para depois ofertar o produto certo a quem realmente interessa é muito enriquecedor e não tem preço, por mais que hoje você tenha internet e livros para pesquisar. Claro que a gente não conhece todos os destinos, mas vir ao local também permite entender como é o atendimento. O pessoal é mais simpático, por exemplo, do que em Lisboa, que é uma grande capital e onde as pessoas são um pouco mais estressadas. Aqui as coisas passam um pouco mais devagar, tanto no Algarve quanto no Alentejo” – Rafael Tobias, diretor operacional da Mondiale by Ancoradouro.
“A Raidho sempre foca em produtos diferenciados de experiência. Normalmente, uma pessoa que vem para Portugal vai a Lisboa e ao Porto. Uma pessoa dessas não precisa de um operador ou de um DMC local, porque faz tudo diretamente. Agora, quando você sai disso e vai para o Algarve, que é realmente diferenciado, ou para o Alentejo, onde também passamos, precisa de informações a mais, e isso é o que falta no Brasil. Não temos esse tipo de informação. Para mim, eram as duas últimas regiões que faltavam conhecer em Portugal. Então, agregou bastante para ter uma ideia do que posso trazer para cá, dos tipos de produtos que posso oferecer para cada um desses hotéis que visitamos ou para os próprios DMCs. Conversei com alguns hotéis, e o tipo de coisa que vou fazer é um pacote diferenciado. Talvez trazer um grupo com um tour leader focado em arquitetura, bem-estar, meditação, constelação familiar ou outra temática, para fazer produtos fechados em grupos com esses profissionais acompanhando. O local favorece bastante. Logicamente, tem o vinho, que às vezes não é tão forte quanto o bem-estar, mas ajuda. Tudo isso vai agregar bastante para a gente” – Roberto Nedelciu, diretor da Raidho.
“Foram excelentes experiências, principalmente aqui na parte do Algarve. O Alentejo a gente já conhecia, apesar de ter estado em uma vila que eu mesma ainda não conhecia. O Algarve é um destino que, para os brasileiros, ainda tem o grande desafio de atraí-los e despertar o interesse em vir para cá. E principalmente hoje, por exemplo, com a questão do passeio de jipe, mostrar um pouquinho da parte do interior do Algarve também. Algarve não é só praia. Poder vivenciar isso no pós-tour foi excepcional, inclusive para incluir essas experiências nos nossos tours” – Laura Schultz, proprietária da Schultz Portugal.
Algarve além das praias

“Portugal já é um produto mais estabelecido pelos nossos grupos. Estamos falando dos cruzeiros do Douro, combinados com Santiago, na parte da Espanha. Essa viagem aqui está nos trazendo muito boas possibilidades de expandir a linha de produtos em Portugal. Obviamente, vamos continuar agregando a parte norte, porque tem muito mais a ver com o que oferecemos em termos de produtos de grupo. Mas uma semana no sul tem tudo para dar muito certo. Vai ser algo a mais dentro da nossa linha de produtos portugueses” – Marcelo Andrade, diretor da Transmundi.
“Nós, da Transmundi, nunca lançamos um produto que a gente não conheça. É óbvio que não conhecemos todos os hotéis do mundo, isso seria impossível. Foi muito bom conhecer as vinícolas que têm hotel. Esse é um novo produto que a gente já está pensando em lançar aqui no sul de Portugal. E os passeios foram ótimos. O pessoal nos mostrou aquilo que tem de melhor: o litoral, o interior, as cidades e os monumentos. Essa região é muito rica em história, então visitamos lugares incríveis. Acho que os brasileiros vão ter interesse, sim. Muitos já vêm para cá, mas, pela facilidade do idioma, normalmente compram por conta própria. Nosso desafio agora na Transmundi é chamar a atenção de pessoas que não gostam de viajar por conta própria e montar grupos para trazer aqui para a região” – Miguel Andrade, presidente da Transmundi.
“Eu acho que a melhor coisa de a gente ter conhecido esses destinos no pós-tour é poder vender Portugal para aquele brasileiro que já veio três, quatro vezes para Portugal, já conhece muito Lisboa, já conhece muito Porto, e oferecer uma coisa diferente. Então, tanto o Alentejo quanto o Algarve. Para mim, é isso: lua de mel também é casamento, né? Fazer eventos de casamento com pré-wedding e pós-wedding também. Eu acho que casa perfeitamente com esse nicho de pessoas que já conhecem muito o destino e querem algo diferente, uma imersão maior na natureza e conhecer lugares diferenciados, principalmente aqui no Algarve” – Marina Patriota, sócia-diretora da Viajow.
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