
As companhias aéreas de todo o mundo gastaram US$ 24,5 bilhões em 2025 com taxas e outros custos para receber pagamentos de passagens e serviços. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (28) pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) e mostram que essas despesas estão crescendo mais rápido do que as vendas do setor.
Entre 2023 e 2025, os gastos das empresas com pagamentos aumentaram 10,4%. No mesmo período, o valor total das vendas cresceu 7,7%, passando de US$ 977 bilhões para US$ 1,05 trilhão.
Segundo a IATA, as companhias aéreas gastaram, em média, US$ 5 por passageiro apenas para processar pagamentos. O valor supera o lucro líquido médio de US$ 4,50 por passageiro que a associação prevê para 2026.
“O setor aéreo é extremamente competitivo, exige alto investimento de capital e é conhecido por suas baixas margens de lucro. Em um ambiente como esse, cada item de custo precisa ser analisado criteriosamente”, afirmou Sandrine Le Borgne, diretora-geral interina e diretora financeira da IATA.
A executiva alertou que o crescimento dessas despesas preocupa as empresas, principalmente porque o setor trabalha com margens de lucro reduzidas.
“O fato de os custos de transação estarem crescendo mais rápido do que as receitas da indústria é insustentável e, apesar dos avanços tecnológicos significativos, evidencia a necessidade crítica de maior eficiência operacional”, acrescentou.
Taxas cobradas sobre pagamentos representam 84,5% dos custos
A maior parte dos US$ 24,5 bilhões gastos pelas companhias aéreas em 2025 foi destinada às taxas cobradas por empresas responsáveis por processar os pagamentos. Essas cobranças somaram US$ 20,7 bilhões, o equivalente a 84,5% do total. Outros US$ 2,9 bilhões, ou 11,8%, foram gastos pelas próprias companhias aéreas para manter seus sistemas de pagamento funcionando. O valor inclui despesas com funcionários, manutenção de plataformas, cumprimento de regras financeiras e atrasos no recebimento do dinheiro das vendas.
As perdas com fraudes e pagamentos que não chegaram a ser recebidos somaram US$ 900 milhões, representando 3,7% das despesas. Os cartões de crédito e débito apareceram entre as formas de pagamento mais caras para as companhias aéreas, com uma taxa média de 2,53% sobre o valor das transações. Para comparação, a média considerando todos os meios de pagamento analisados foi de 1,97%.
Algumas alternativas de pagamento apresentaram taxas de apenas 0,01%, segundo a IATA. Diante dessa diferença, a associação defende que as empresas ofereçam mais opções aos passageiros para reduzir os custos das vendas.
Pagamentos digitais ganham espaço entre passageiros
A pesquisa mundial de passageiros realizada pela IATA em 2025 mostrou que 29% dos viajantes preferem pagar suas compras utilizando carteiras digitais, como aquelas disponíveis em celulares. Outros 8% demonstraram preferência por sistemas de pagamento instantâneo utilizados em seus países.
Para acompanhar essas mudanças, a associação desenvolve ferramentas que permitem às companhias aéreas aceitar diferentes formas de pagamento, sem depender exclusivamente dos cartões de crédito e débito. Uma dessas soluções é o IATA Pay, que permite comprar passagens utilizando sistemas locais de pagamento instantâneo. A ferramenta já foi implementada em 34 países e está integrada a 38 sistemas de pagamento.
A entidade também oferece o IATA Financial Gateway (IFG), plataforma que reúne diferentes opções de pagamento em um único sistema. Atualmente, a ferramenta atende mais de 170 países e permite utilizar mais de 300 métodos de pagamento. Outra medida envolve as agências de viagens. A IATA busca dar mais transparência às taxas cobradas quando as agências utilizam cartões para pagar passagens emitidas para seus clientes.
Por meio do programa Transparency in Payments, as companhias aéreas podem estabelecer regras para aceitar esses pagamentos e comparar os custos dos cartões com outras alternativas disponíveis no sistema de faturamento e pagamento da IATA, conhecido como BSP.
Entre as opções está o IATA EasyPay, desenvolvido para permitir que agências de viagens realizem pagamentos às companhias aéreas por um sistema específico da associação.
Pagamentos recusados também provocam perda de vendas
Além das taxas cobradas pelas instituições financeiras, as companhias aéreas enfrentam perdas quando os pagamentos dos passageiros são recusados. Segundo a IATA, aproximadamente uma em cada cinco tentativas de compra de serviços adicionais não é concluída porque o pagamento inicial foi recusado e o passageiro não recebeu outra opção para finalizar a compra.
Esses serviços incluem produtos vendidos separadamente da passagem aérea, como despacho de bagagem, escolha de assentos e outras opções oferecidas pelas companhias.
“Além da redução de despesas, as pesquisas da IATA indicam que oferecer métodos alternativos de pagamento pode gerar receita adicional”, afirmou Sandrine Le Borgne.
A executiva explicou que permitir ao passageiro escolher outra forma de pagamento pode evitar a perda dessas vendas.
“Disponibilizar mais alternativas de pagamento tem o potencial de ajudar as companhias aéreas a recuperar parte dessa receita perdida”, acrescentou.
IATA também prepara mudanças nos pagamentos de viagens corporativas
A associação trabalha ainda em soluções para simplificar os pagamentos de viagens a negócios, especialmente aquelas compradas por empresas para seus funcionários. Uma das iniciativas está relacionada ao modelo internacional chamado Offers & Orders, que pretende reunir informações sobre passagens, serviços contratados e pagamentos em um sistema integrado.
A proposta é facilitar o controle das despesas de viagens corporativas, reduzir o trabalho de conferência dos pagamentos e melhorar o acesso das empresas às informações sobre suas compras. A IATA também desenvolveu um conjunto de orientações chamado Airline Payment Framework, destinado a ajudar as companhias aéreas a comparar as formas de pagamento disponíveis e identificar os custos envolvidos em cada uma delas.
Segundo a associação, o objetivo dessas iniciativas é diminuir as despesas cobradas sobre as vendas e evitar que passageiros desistam de compras por falta de alternativas de pagamento.







