Mato Grosso do Sul
Bruno Wendling e Breno Amorim, do Fundtur-MS durante a WTM London 2026

LONDRES – O Mato Grosso do Sul está mudando a forma de promover seus destinos no exterior. Em vez de concentrar esforços apenas em publicidade e participação em grandes feiras internacionais, o Estado tem ampliado investimentos em ações cooperadas com empresas do setor, capacitação de agentes de viagens e estruturação de produtos nas operadoras estrangeiras. A estratégia já apresenta resultados, com crescimento estimado entre 30% e 40% no fluxo de turistas norte-americanos e avanço da comercialização na Argentina.

A mudança foi detalhada por Bruno Wendling e Breno Amorim, do turismo do Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), em entrevista ao M&E durante a WTM London 2026. Segundo Wendling, a participação em eventos continua importante, mas passa a ter um papel cada vez mais direcionado ao posicionamento e à construção de relacionamentos comerciais, enquanto as ações cooperadas assumem protagonismo na conversão de vendas.

“Estamos nessa era de menos publicidade e mais conversão de vendas. Temos focado muito em ações cooperadas para converter vendas”, afirmou.

Em 2026, o Estado manteve presença nas principais feiras nacionais e internacionais, incluindo Fitur, em Madri, e Arabian Travel Market (ATM). Também participou pela primeira vez de eventos como BTM, no Nordeste, e Travel Next Minas, além de iniciativas segmentadas voltadas ao turismo de aventura.

A estratégia considera as características de cada mercado e a conectividade aérea disponível. A participação na Travel Next Minas, por exemplo, foi favorecida pela existência de voo direto entre Belo Horizonte e Campo Grande. Já no segmento de aventura, o Estado mantém presença em eventos especializados para alcançar diretamente o público interessado em experiências de natureza.

Estados Unidos registram crescimento de até 40% no Mato Grosso do Sul

Um dos resultados mais expressivos da estratégia internacional aparece no mercado norte-americano. Segundo Wendling, o fluxo de turistas dos Estados Unidos cresceu entre 30% e 40%, reflexo de um trabalho de promoção desenvolvido há três anos, com representação permanente no mercado.

O executivo ressaltou que a presença internacional não se resume à participação em feiras. Os eventos funcionam como oportunidades de posicionamento, relacionamento e reuniões que podem gerar parcerias posteriormente. Já as ações cooperadas têm uma atuação mais diretamente comercial.

No mercado nacional, a demanda permanece mais estável. O Estado, entretanto, não trabalha com a perspectiva de turismo de massa, mas busca acompanhar a expansão da oferta turística, especialmente em Bonito, onde novos hotéis e atrativos ampliam as possibilidades de visitação.

De acordo com Wendling, a última temporada teve resultados positivos, com atrativos registrando lotação durante o período. O crescimento da infraestrutura exige, portanto, que a demanda acompanhe a ampliação da capacidade de atendimento.

Argentina avança com capacitação e estruturação de produtos

Outro mercado que vem recebendo atenção especial é a Argentina. Segundo Breno Amorim, o trabalho foi intensificado a partir de 2025, depois de operadores argentinos sinalizarem que sentiam falta de uma presença mais frequente do Mato Grosso do Sul no país.

A estratégia foi desenvolvida em parceria com operadoras locais e envolveu roadshow, famtour e capacitação de agentes de viagens. Além de apresentar os destinos, a equipe trabalhou para garantir que os produtos de Bonito e Pantanal estivessem disponíveis nas prateleiras das operadoras e que os profissionais conhecessem as experiências oferecidas.

O trabalho já resultou na estruturação de duas a três operadoras argentinas que comercializam os produtos sul-mato-grossenses.

“Fizemos um trabalho completo. Trouxemos os principais agentes, estruturamos os produtos nas prateleiras e capacitamos as equipes. Agora já estamos conseguindo converter esse trabalho”, explicou Amorim.

O executivo também destacou o potencial do boca a boca nesse mercado. À medida que os turistas conhecem e compartilham suas experiências, cresce o interesse de outros viajantes por destinos de natureza brasileiros, ampliando as oportunidades para Bonito e Pantanal.

Plano Brasis amplia visão sobre mercados emissores

A atuação internacional também conta com o apoio da Embratur e do Plano Brasis, que, segundo Wendling, contribuem para calibrar a estratégia estadual e identificar oportunidades em mercados emissores.

O executivo destacou que o plano oferece uma visão mais abrangente do cenário internacional, apontando mercados que podem ganhar relevância para o destino. A Holanda foi citada como exemplo de país que apresenta retomada do interesse pelo Brasil e que pode receber ações promocionais conjuntas.

Bruno também ressaltou a evolução da presença brasileira em eventos especializados em turismo de natureza. Segundo ele, a Embratur passou a compreender melhor as particularidades desse segmento e a fortalecer a participação de destinos e empresários brasileiros em iniciativas internacionais.

Para o representante do Mato Grosso do Sul, o turismo de natureza ainda tem espaço para crescer na promoção internacional do Brasil, especialmente diante da concorrência de destinos consolidados nesse segmento, como Costa Rica e Peru.

A avaliação é que a combinação entre inteligência de mercado, promoção segmentada e aproximação comercial pode ampliar a competitividade de destinos como Bonito e Pantanal no exterior. Pensando nisso, com uma nova estratégia, o Mato Grosso do Sul busca não apenas aumentar sua visibilidade internacional, mas garantir que o interesse pelos destinos se transforme em produtos disponíveis, agentes capacitados e vendas efetivas.

O M&E viaja com proteção GTA