
As operações com o novo Boeing 787 estão suspensas temporariamente nos Estados Unidos, Europa, Ásia e América do Sul. A decisão foi motivada por problemas com um avião da ANA (All Nippon Airways), obrigado a fazer um pouso de emergência por falhas na bateria na quarta-feira (16/01). Como a Boeing é americana, a Federal Aviation Administration (órgão que controla a aviação nos EUA) abriu investigação, e só vai liberar o modelo após comprovar que as baterias são seguras e confiáveis. A decisão da agência invalida a certificação da aeronave, mesmo que esta voe em outro país.
Hoje foi a vez da EASA (agência de aviação europeia) anunciar que vai seguir a decisão da instituição similar americana e que aguarda apuração sobre os riscos potenciais do problema com a bateria. Na América do Sul, a Lan, única empresa a operar com o Dreamliner, informou em comunicado que, seguindo a recomendação da Federal Aviation Administration, e em coordenação com a Direção Geral de Aeronáutica Civil (DGAC), do Chile, vai suspender temporariamente a operação de seus três aviões Boeing 787, até que a autoridade defina as ações necessárias para esses aviões.
“Os voos realizados pela frota de Boeing 787 serão operados por outros aviões da companhia, com o objetivo de mitigar o impacto que esta situação possa causar aos passageiros e clientes de carga durante a alta temporada. A companhia lamenta esta situação e reforça seu compromisso com os mais altos padrões de segurança, valor imprescindível para a Lan”, declarou a companhia em nota. Mais cedo, a ANA e a concorrente JAL (Japan Airlines) já haviam suspendido as operações do 787.
Uma das grandes apostas da Boeing, o jato foi concebido como “o comercial mais avançado do mundo” e apresentado em setembro de 2011, após mais de três anos de adiamentos, que custaram milhões de dólares à empresa. O modelo, que custa US$ 200 milhões, foi lançado prometendo economia de 20% de combustível, graças ao uso de materiais compostos e fibra de carbono. Há 800 encomendas no mundo. O incidente de ontem, que não deixou feridos graves, é o sexto envolvendo o modelo, o mais moderno da empresa americana, em dez dias. A ANA e a JAL, as maiores do setor aéreo japonês, contam com 24 dos 49 Dreamliners em operação no mundo.
Nos EUA, apenas a United Airlines utiliza o jato, com seis aeronaves. Em caráter preventivo, a All Nippon convocou ontem os seus 17 Dreamliner para uma inspeção de emergência. Por medida de segurança, a Japan Airlines seguiu a decisão em seus sete Boeings. Segundo a rede americana NBC, 46 voos foram cancelados e 16 foram remanejados. As companhias afirmaram que revisões realizadas recentemente não apontaram anomalias. Com a decisão da ANA e da JAL de cancelar voos, as ações da Boeing cairam 3,38% na Bolsa de NY.
Luiz Marcos Fernandes e Pamela Mascarenhas
Com informações da Folha de SP







