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Airbus vê Nordeste com potencial para novas rotas de longo curso com aviões de corredor único (Divulgação/Airbus)

O Nordeste brasileiro pode ganhar novas conexões aéreas internacionais com a Europa nos próximos anos. A avaliação é da Airbus, que identifica a região como um dos mercados com potencial para expansão de rotas de longa distância operadas por aeronaves de corredor único, como o A321XLR.

A possibilidade foi apresentada por Arturo Barreira, presidente da Airbus para a América Latina e o Caribe, durante evento da fabricante realizado na Cidade do México, no México, em 19 de outubro, quando a empresa divulgou suas projeções para o mercado de aviação latino-americano até 2045. Segundo a companhia, o modelo pode permitir que as empresas abram ligações diretas entre cidades que não tenham demanda suficiente para sustentar operações com aviões maiores.

Ao abordar as possibilidades de utilização do A321XLR na América Latina, Barreira cita diretamente o Nordeste brasileiro. “Também vemos aplicações desse avião a partir do Peru em direção ao norte do continente, inclusive a partir do Nordeste brasileiro, de onde a Iberia já opera voos para a Europa”, afirma o executivo. A declaração ocorre em um momento em que a região já registra expansão de conexões com o continente europeu por meio do mesmo modelo de aeronave.

A Iberia inaugurou a ligação entre Madri e Recife em 13 de dezembro de 2025, utilizando o A321XLR. A operação começou com três frequências semanais e, posteriormente, foi ampliada. Em janeiro de 2026, a companhia também iniciou a rota entre Madri e Fortaleza, igualmente com o A321XLR. Com as duas operações, a aérea espanhola passou a conectar diretamente a capital espanhola a dois destinos do Nordeste brasileiro.

Em abril de 2026, a Iberia informou que pretendia ampliar as frequências das duas rotas durante a temporada de inverno europeia. Recife passaria de três voos semanais para entre cinco e sete, chegando a ter operação diária durante parte da temporada. Fortaleza, por sua vez, teria entre quatro e cinco frequências semanais, ante três inicialmente. As duas rotas são operadas com o A321XLR, configurado pela Iberia para transportar 182 passageiros em duas classes.

A escolha do modelo está relacionada às características do mercado. De acordo com a Airbus, o A321XLR tem alcance de até 4.700 milhas náuticas, ou aproximadamente 8.700 quilômetros, e capacidade máxima de 244 passageiros. Na configuração típica de duas classes, a aeronave comporta entre 180 e 220 passageiros. O avião também pode realizar voos de até 11 horas, segundo a fabricante.

Para a Airbus, a principal possibilidade está justamente na abertura de mercados que não necessariamente justificariam a utilização de aeronaves de fuselagem larga. “O A321XLR não foi desenvolvido para substituir outras aeronaves, mas para complementá-las”, afirma Barreira. A lógica é utilizar um avião de corredor único em mercados com demanda menor ou em rotas nas quais a frequência seja mais importante do que a capacidade de uma aeronave maior.

A fabricante também considera possíveis aplicações do modelo em outros mercados da América Latina. Barreira cita ligações entre o Cone Sul, o Caribe e a Flórida, além de possíveis voos entre a Venezuela e a Espanha. O A321XLR, segundo a Airbus, foi desenvolvido para ampliar a possibilidade de operações ponto a ponto e conectar cidades secundárias a destinos internacionais sem a necessidade de um avião de fuselagem larga.

Airbus projeta 2.720 novas aeronaves na América Latina

A possibilidade de expansão de rotas está inserida em uma previsão mais ampla da Airbus para a aviação latino-americana. No Global Market Forecast 2026, divulgado em 19 de outubro, a fabricante estima uma demanda por 2.720 novas aeronaves de passageiros na região entre 2026 e 2045. A projeção anterior apontava 2.440 aviões.

Do total previsto, 2.520 serão aeronaves de corredor único e 200 serão modelos de fuselagem larga. A Airbus calcula que 1.220 aeronaves serão necessárias para ampliar a frota, enquanto outras 1.500 substituirão aviões de gerações anteriores. Com isso, a frota comercial de passageiros da América Latina deverá passar de cerca de 1.550 aeronaves para 2.770 até 2045.

A fabricante projeta ainda crescimento anual de 3,7% no tráfego de passageiros medido pelo fluxo de origem e destino na América Latina nas próximas duas décadas. O mercado doméstico deverá registrar alta média de 4% ao ano, enquanto o tráfego dentro da América Latina e do Caribe deve crescer 3,3% ao ano. O aumento da urbanização, do número de centros urbanos e da população de classe média está entre os fatores apontados pela Airbus para a expansão da demanda.

Nesse cenário, os aviões de corredor único de maior alcance podem ter papel na criação de novas ligações. A Airbus afirma que o crescimento da rede aérea regional tende a ser acompanhado pela abertura de rotas possibilitadas por aeronaves de nova geração. A companhia também prevê aumento das conexões internacionais da América Latina com mercados como China, África e Oriente Médio.

No caso brasileiro, o Nordeste aparece como uma das regiões que podem se beneficiar dessa mudança no perfil das operações. Recife e Fortaleza já demonstram a possibilidade de utilizar um avião de corredor único em voos diretos para a Europa. A expansão futura, no entanto, dependerá das decisões das companhias aéreas, da demanda e da viabilidade econômica de cada ligação.

*Com informações de Clara Assunção, Exame.