
A maioria dos brasileiros pretende viajar nos próximos 12 meses, apesar dos custos e das incertezas que afetam o planejamento do turismo. Levantamento da plataforma de viagens Omio, desenvolvido em parceria com a YouGov, mostra que 73% dos entrevistados no Brasil provavelmente farão ou já reservaram uma viagem de férias ou lazer para o período. Além disso, 18% consideram viajar uma prioridade máxima, o dobro da média global, de 9%.
O estudo entrevistou 8.505 adultos no Brasil, na Alemanha, na Itália, na Espanha, no Reino Unido e nos Estados Unidos. Desse total, 1.067 eram brasileiros. A análise sobre as perspectivas de viagem nos próximos 12 meses considerou 7.357 pessoas que indicaram alguma probabilidade de viajar, das quais 942 eram do Brasil.
“Os viajantes estão cada vez mais interessados em assumir um papel ativo no planejamento de suas jornadas, organizando as viagens de acordo com suas próprias prioridades, seja em roteiros com várias paradas ou em férias mais tranquilas e em destinos familiares, sem deixar de estar preparados para adaptar os planos quando necessário”, afirmou Naren Shaam, CEO da Omio.
O interesse por viagens também cresceu na comparação internacional. Entre os entrevistados dos seis países, 43% querem viajar com mais frequência, ante 32% em 2025. O resultado indica uma disposição maior para fazer mais deslocamentos, embora as condições financeiras e o cenário internacional influenciem as decisões.
Passagens aéreas e orçamento influenciam os planos

O custo das viagens é um dos fatores que condicionam as escolhas dos consumidores. Em agosto de 2026, a tarifa aérea média por trecho chegou a R$ 776,87, alta de 14,5% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Na comparação mensal, entretanto, o movimento foi diferente. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, registrou queda de 13,17% nos preços das passagens aéreas em agosto. Em setembro, houve alta de 9,66%, conforme o índice divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os indicadores medem aspectos diferentes do mercado. A Anac acompanha a tarifa aérea média praticada no setor, enquanto o IPCA mede a variação dos preços pagos pelos consumidores. Por isso, a queda mensal registrada em agosto não elimina a alta observada na comparação anual.
A necessidade de controlar os gastos também aparece no levantamento da Omio. Entre os entrevistados dos seis países, 78% esperam adotar pelo menos uma medida para economizar nas viagens. As estratégias mais citadas são procurar ofertas ou planejar com flexibilidade, mencionadas por 32%; viajar na baixa temporada, por 30%; e organizar os deslocamentos com maior antecedência, por 29%.
No Brasil, a preocupação com os custos é ainda mais disseminada: 88% esperam tomar alguma medida para controlar as despesas com viagens.
Viagem nacional lidera a preferência dos brasileiros
O interesse dos brasileiros por destinos nacionais é de 76%, que significa 10 pontos acima da média global (66%). Entre os seis países, 46% planejam viajar dentro do continente; para os brasileiros, a Europa lidera fora da América do Sul (18%), seguida pela Ásia (8%). Globalmente, a Ásia lidera (18%, contra 13% em 2025), indicando mudança de interesse.
Preocupações com o impacto do turismo levam parte dos viajantes a evitar aglomerações e considerar as comunidades locais: 22% viajam fora da alta temporada, 15% pesquisam regras ou postura local, 14% evitam atrações lotadas e 12% buscam lugares menos conhecidos.
Entre os brasileiros, 21% viajaram fora da alta temporada e 17% pesquisaram regras ou o comportamento dos moradores. Globalmente, 75% dizem que eventos mundiais afetam seus planos — 36% buscam destinos seguros. No Brasil, essa influência chega a 84%, 9 pontos acima da média dos seis países, mostrando que o cenário internacional pesa na organização das viagens.
Além do destino, os viajantes buscam diversificar: 48% dos entrevistados (seis países) e 53% dos brasileiros planejam ou consideram roteiros com múltiplas paradas nos próximos 12 meses. Entre esses brasileiros, 30% buscam experiências variadas e memoráveis, outros 30% citam aproveitamento do tempo ou custo-benefício, e 19% valorizam o deslocamento como parte da viagem.
A pesquisa também aponta interesse por tranquilidade e destinos conhecidos: 27% dos brasileiros preferem descanso (mais que há alguns anos), 25% querem retornar a lugares conhecidos, 27% valorizam facilidade de acesso e deslocamento, 19% preferem ficar em um só lugar e 15% buscam locais previsíveis.
Calor muda o planejamento das viagens
As temperaturas elevadas também aparecem entre os fatores que podem alterar os planos dos turistas. O levantamento mostra que 83% dos brasileiros adotariam pelo menos uma medida para adaptar as viagens durante períodos de calor intenso.
Entre as alternativas, 26% considerariam escolher um destino mais fresco, visitar locais de maior altitude ou incluir uma parada em uma região com temperaturas mais amenas. Outros 21% optariam por viajar em outro mês ou estação.
No conjunto dos seis países, 76% dos entrevistados afirmaram que adotariam alguma medida específica para lidar com o calor. A mudança do mês ou da estação da viagem foi a alternativa mais citada, por 37%, enquanto 21% considerariam destinos mais frescos ou a inclusão de paradas em locais com temperaturas menores.
O calor também pode modificar a organização dos deslocamentos. Globalmente, 23% dos entrevistados considerariam reorganizar o dia em função dos horários mais frescos, e 29% avaliariam mudanças no horário, no trajeto ou no meio de transporte utilizado.
Diferenças geracionais no planejamento da viagem
Na média de seis países, 34% da Geração Z planeja com antecedência (23% dos Baby Boomers); 26% da Geração Z corta gastos (16% dos Baby Boomers). No Brasil, os Baby Boomers lideram: 39% planejam antes (35% da Geração Z) e 32% reduzem gastos (22% da Geração Z). As estratégias variam por idade e mercado.
Segundo a Omio, viagens por eventos ou interesses pessoais crescem: no Brasil, 78% (71% global) já fizeram ou considerariam destinos incomuns por paixão; 61% aceitariam gastar mais e 63% aceitariam viagens mais longas ou menos confortáveis. Concessões podem incluir descanso e compromissos: 73% dos brasileiros usariam as férias para um interesse pessoal; 58% abririam mão ou adiariam outras férias; 52% alterariam eventos importantes.







