Alta do combustível deve limitar crescimento da Latam, diz CEO do Grupo
Roberto Alvo, CEO do Grupo Latam (Divulgação/Latam)

A alta dos preços do combustível de aviação deve limitar o crescimento da Latam, segundo Roberto Alvo, CEO do Grupo Latam. Em entrevista à Bloomberg News, o executivo apontou restrições no refino e incertezas sobre uma solução duradoura para o conflito que afeta o mercado de energia. A companhia também mantém o foco em passageiros de maior valor, em uma estratégia que prioriza a receita gerada pelas viagens.

A pressão sobre os custos ocorre em um momento de revisão das perspectivas financeiras da companhia. Alvo evitou comentar como o aumento das despesas poderá afetar os resultados antes da divulgação do balanço do terceiro trimestre, prevista para 3 de novembro. As estimativas para o combustível, entretanto, já mostram a dimensão do desafio: a Latam projetava preços de US$ 147 por barril no terceiro trimestre e US$ 130 no quarto, enquanto o produto era negociado a cerca de US$ 190 por barril no momento da publicação da reportagem da Bloomberg.

A diferença entre os valores projetados e os praticados no mercado amplia a pressão sobre as despesas operacionais. Em maio, a companhia reduziu sua projeção de Ebitda ajustado para o ano inteiro. Em agosto, revisou para baixo suas estimativas para o preço do combustível, o que contribuiu para uma perspectiva ligeiramente mais otimista em relação a esse custo. A nova escalada dos preços, porém, volta a colocar o combustível entre os fatores que podem limitar o desempenho da empresa.

Demanda resiliente favorece estratégia de receita

Mesmo diante do encarecimento das viagens, a demanda por transporte aéreo tem se mantido resiliente, de acordo com Alvo. Na avaliação do executivo, os consumidores continuam priorizando viagens e experiências, ainda que reduzam despesas em outras categorias. “Os viajantes podem estar trocando de carro ou de televisão com menos frequência” para priorizar viagens e experiências, afirmou à Bloomberg News.

Esse comportamento ajuda a explicar a estratégia comercial da Latam, que tem concentrado esforços nos passageiros de maior valor. Segundo a reportagem, esse foco também contribuiu para amenizar a queda na ocupação das aeronaves, já que a redução do indicador se concentra principalmente entre os viajantes mais sensíveis aos preços.

Alvo afirmou que a companhia está disposta a aceitar uma ocupação menor dos aviões em troca de uma receita total mais elevada. A estratégia, portanto, não depende apenas do número de passageiros transportados, mas também do valor gerado pelas vendas de passagens. A empresa busca preservar a receita mesmo quando parte dos assentos não é ocupada.

Os dados operacionais mostram, contudo, que a ocupação segue abaixo dos níveis registrados no ano anterior. O fator de carga da Latam permaneceu inferior ao do mesmo período de 2025 desde abril e fechou setembro em 83,7%, uma queda de 1,7 ponto percentual na comparação anual.

A evolução desse indicador ocorre em paralelo à pressão dos custos sobre as tarifas. Em nota divulgada em outubro, o Citi avaliou que o fator de ocupação das aeronaves deverá permanecer moderado, considerando que o combustível mais caro pressiona os preços das passagens e pode afetar a demanda. A avaliação reforça o desafio de manter o equilíbrio entre os reajustes tarifários e a disposição dos consumidores para viajar.

Restrições no refino mantêm pressão sobre o setor

Além das oscilações nos preços, as restrições no refino e as incertezas relacionadas ao conflito seguem entre os fatores que afetam o mercado de combustível de aviação. A ausência de uma solução duradoura para a crise dificulta a previsão sobre a evolução dos custos e mantém as companhias aéreas expostas à volatilidade do mercado de energia.

Para a Latam, o cenário combina a necessidade de administrar despesas mais elevadas com uma demanda que, segundo seu CEO, continua resistente. A companhia ainda não detalhou como a pressão recente sobre o combustível poderá se refletir em suas perspectivas financeiras. Os resultados do terceiro trimestre, que serão divulgados em 3 de novembro, devem trazer novos dados sobre o desempenho do período.

Latam vê oportunidades de expansão no México

Enquanto enfrenta os desafios relacionados ao combustível, a Latam também busca ampliar sua presença em mercados internacionais. O México aparece como uma oportunidade de expansão, com a possibilidade de incluir novas rotas para Monterrey e Guadalajara.

Segundo Alvo, as aeronaves Airbus de longo alcance que estão por vir poderão tornar essas operações mais viáveis. Atualmente, a companhia já oferece voos para a Cidade do México e Cancún, e a ampliação dos serviços permitiria alcançar outros importantes destinos mexicanos.

A conectividade aérea entre Brasil e México permanece limitada, com apenas dois voos diários entre os países, segundo a reportagem da Bloomberg. Nesse contexto, novas ligações a partir da capital mexicana e de outras cidades podem ampliar as opções de deslocamento entre os dois mercados.

A expansão, no entanto, está condicionada à viabilidade das rotas e à disponibilidade das aeronaves previstas para a frota. A perspectiva de novos voos ocorre em um momento em que a companhia também precisa lidar com o aumento das despesas operacionais, apontado por Alvo como um dos fatores que devem restringir o crescimento da Latam.