Porto Alegre ganha a partir de hoje um novo atrativo com a inauguração do Memorial Erico Verissimo. O Memorial, que apresenta um dos maiores ficcionistas brasileiros e um dos autores mais traduzidos no mundo, foi possível graças à iniciativa e ao envolvimento do CCCEV e aos patrocínios do Grupo CEEE, Gerdau e Pro-Cultura RS. A produção cultural é assinada pela Backstage. No local, estão reunidos os acervos de dois amigos do escritor: o jornalista e bibliógrafo, Mário de Almeida Lima, e o doutor em Letras, Flávio Loureiro Chaves, este último tinha convivência muito próxima e foi quem organizou o segundo volume de memórias de Erico, Solo de Clarineta, deixado inacabado por ocasião de sua morte súbita, em 28 de novembro de 1975. Nas palavras de Chaves, o local se torna, a partir da inauguração, “um centro de excelência sobre a obra do escritor gaúcho”.

Na cerimônia de inauguração, a diretora do CCCEV, Regina Ungaretti, afirmou que, com a criação do memorial, o Centro Cultural CEEE Erico Verissimo cumpre sua missão de preservar a memória do escritor. “Criar este espaço é atender ao anseio social de guardar e difundir a memória do Contador de Histórias interessado nas pessoas e nos problemas humanos que, a partir de sua experiência e legado nos proporciona hoje, mesmo após mais de 30 anos de ausência, atualidade no seu olhar sobre a vida e sobre o homem”, comentou. Ela ressaltou ainda que o projeto tem o objetivo de reunir amigos e incentivar novos leitores, tornando-se também, um ponto de encontro para leitores e amigos do autor.

Luis Fernando Verissimo ressaltou a importância do espaço para que as novas gerações possam conhecer melhor a obra do pai, segundo ele, um dos primeiros autores brasileiros a tratar a temática urbana em seus livros. “Um escritor urbano e muito ligado à realidade”, ressaltou. Luis Fernando elogiou ainda a disposição do acervo. “A melhor maneira de homenagear um criador é com criatividade. E isso não faltou na idealização do Memorial”, frisou.
O presidente do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, afirmou estar feliz em presenciar a inauguração do espaço que vai enaltecer Erico Verissimo e reforçou a identificação da obra do escritor com o Estado. “Se alguém quer conhecer o Rio Grande do Sul, procure Erico Verissimo”, frisou.

No terceiro andar do Centro Cultural, os visitantes terão a oportunidade de conhecer originais de obras como Fantoches, uma coletânea de histórias que marcou a sua estreia em 1932, a novela Noite, o segundo livro da trilogia O Tempo e O Vento, O Retrato, publicado em 1951, o segundo volume da autobiografia Solo de Clarineta, e o espaço Nanquinote, dedicado às crianças. Também será revelador conhecer detalhes do seu processo de trabalho, como as rasuras de seus textos feitas à mão, em diferentes cores a cada revisão.Outra  curiosidade que pode ser conferida sobre a maneira de delinear suas histórias, é o costume que o escritor tinha de desenhar personagens e lugares, a exemplo do mapa da cidade fictícia, onde se passa Incidente em Antares, e o mapa de El Sacramento, cenário de O Senhor Embaixador. A geografia dos lugares estará exposta em 3D, no centro deste andar, e lá será possível identificar, no caso de Incidente em Antares, o coreto, as mansões das famílias Vacariano e Campolargo e a loja do sapateiro comunista. “O pai tinha mesmo esse costume de desenhar. Ao criar um romance, ele esboçava no papel as personagens para torná-las mais reais, palpáveis”, relembra o filho, também escritor, Luis Fernando Verissimo. Ainda no terceiro pavimento os visitantes podem conferir uma linha do tempo, construída a partir de recursos iconográficos, que traça um paralelo entre acontecimentos históricos e a vida do escritor.