
Uma das pautas mais faladas ao longo de 2024 com certeza foi a do overtourism – ou o turismo em massa, em português. Principalmente em destinos da Europa e Ásia, não foram raros os casos de cidades, ou até países inteiros, que tomaram medidas drásticas para desacelerar esse crescimento exacerbado do turismo.
Apesar de representar que o setor está voltando à normalidade e em constante evolução, o turismo em massa diversas vezes pode ser um risco para destinos pouco estruturados, e até mesmo nocivo. Por isso, a revista americana Fodor’s Travel Guide selecionou os destinos que os turistas não devem visitar no ano de 2025 – e não por serem ruins, pelo contrário, é tanta demanda que muitos deles enfrentaram problemas nos últimos anos com o excesso de pessoas os visitando.
Confira o TOP 10 abaixo.
“Esses locais são populares por um bom motivo: são impressionantes, intrigantes e culturalmente significativos. No entanto, alguns destes pontos turísticos altamente cobiçados estão a ruir sob o peso da sua própria proeminência”, explica Fodor’s em sua publicação.
Confira 10 destinos para NÃO visitar em 2025:
Bali, Indonésia
Bali se tornou o destino queridinho das “it girls” e blogueiros. O que não falta nas redes sociais são fotos e vídeos do local. Isso porque, além de ser um lugar com natureza e cultura rica, a ilha também é conhecida por ser muito mais em conta do que outros destinos de praia.
O problema, é que essa fama toda resultou em um desenvolvimento rápido e descontrolado do turismo de Bali, o que levou a ilha à sofrer com o chamado “apocalipse do plástico”. Enquanto a ilha cresce em hospitalidade, a sua saúde ambiental decai. Hoje, 303 mil toneladas de resíduos de plástico são gerados no destino anualmente. Desse número, apenas 7% é reciclado, e o restante acaba invadindo o ecossistema da região.
Koh Samui, Tailândia
Cenário principal da nova temporada da famosa série “The White Lotus”, Koh Samui é um destino de praia com águas cristalinas e areias brancas. A ilha, felizmente, já recuperou os níveis pré-pandemicos de fluxo de turistas, com 3,4 milhões de visitantes no ano de 2023, e a previsão é que esse número cresça em 10% a 20% com as novas estatísticas de 2024, mas esse número positivo para o setor tem um grande preço por trás.
Longe dos olhos dos turistas e das vilas luxuosas, um aterro de 200 mil toneladas de resíduos se acumula, enquanto novas construções, frequentemente sem regulamentação, avançam rapidamente pelas montanhas.
Monte Everest
O Monte Everest sempre foi um ícone no turismo de escalada, e é raro encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar da montanha. Contudo, o alto número de visitação do gigante está afetando diretamente as comunidades locais e o meio ambiente.
A mudança do perfil econômico da região, com a transformação de antigas fazendas em comércios e hotéis, revela um lado obscuro do turismo: a geração constante de lixo. As encostas do Everest agora sofrem com o acúmulo de cerca de 30 toneladas de resíduos e uma quantidade preocupante de fezes humanas. Essa situação se agrava durante a alta temporada, quando o fluxo de visitantes e trabalhadores gera 790 toneladas de lixo por dia.
Agrigento, Sicília, Itália
Capital Italiana da Cultura em 2025, Agrigento se prepara para receber cada vez mais turistas. O problema, neste caso, é que a cidade enfrenta uma grave crise hídrica, devido às mudanças climáticas, e o turismo em massa pode causar danos graves para os moradores da região, que tendem a sofrer cada vez mais com a escassez de água.
Ilhas Virgens Britânicas
Localizado no Caribe, próximo à Porto Rico, o local sempre foi acostumado com grandes quantidades de turistas, afinal, as ilhas são destinos de diversos cruzeiros que saem dos Estados Unidos, por exemplo. No entanto, os moradores do arquipélago passaram questionar ao longo dos anos se todo esse esforço para manter o turismo vivo nas Ilhas é válido.
Os locais esperam há anos que a infraestrutura se desenvolva no destino a partir do turismo, já que esse é um dos principais pilares da economia das Ilhas, mas isso, aparentemente, não está acontecendo. Desde 2011 foi prometido ao povo que um plano de estratégia turística seria criado para melhorias nesse setor, e consequentemente nas ilhas como um todo, mas isso nunca foi entregue.
Kerala, Índia
O turismo em Kerala, na Índia, tem apresentado um crescimento exponencial, com um recorde de 21,8 milhões de turistas nacionais e 649.057 estrangeiros em 2023, e projeções ainda maiores para as estatísticas de 2024, ainda não divulgadas.
Apesar dos benefícios econômicos, com o turismo respondendo por 10% do PIB estadual, esse crescimento descontrolado tem intensificado os impactos de desastres naturais, especialmente em áreas onde o desenvolvimento desenfreado obstruiu os cursos d’água e aumentou o risco de deslizamentos de terra. Esse modelo de desenvolvimento insustentável e prejudicial ameaça as comunidades e ecossistemas deste estado costeiro indiano.
Kyoto e Tóquio, Japão
O Japão como um todo está sofrendo com o overtourism. A prova disso é que, no final do ano passado, o Monte Fuji passou a implementar taxa de entrada pela preocupação com o número elevado de turistas. Além disso, a cidade de Fujikawaguchiko, próxima à Tóquio, contraiu uma barreira que impedia que visitantes tirassem foto do Monte Fuji para evitar que a qualidade da vida dos moradores fosse afetada com o número de turistas.
Esse turismo em massa no Japão tem gerado um crescente desconforto, que se reflete na expressão “Kankō kōgai”, ou “poluição turística”. Esse termo, que ganhou destaque na mídia, descreve a irritação com a chegada em massa de turistas estrangeiros e os problemas que ela acarreta, como a superlotação, o aumento dos custos, a falta de serviços e o desrespeito aos costumes locais.







