
Na terça-feira, 29 de abril de 2025, a Espanha e Portugal restabeleceram quase totalmente o fornecimento de energia elétrica, após um colapso repentino no sistema europeu deixar milhões de pessoas sem luz na véspera. Segundo os operadores nacionais, 99,95% do abastecimento foi retomado na Espanha e a maior parte do território português voltou a operar normalmente. A falha, que derrubou cerca de 15 gigawatts da rede em apenas cinco segundos, ainda está sob investigação.
O apagão provocou impactos em larga escala na Península Ibérica e partes do sul da França, interrompendo voos, linhas de trem, funcionamento de hospitais e o tráfego urbano. A normalização da rede elétrica ocorreu ao longo da madrugada de terça, com auxílio de conexões internacionais e ativação de protocolos de contingência nos dois países.
“Para se ter uma ideia, 15 gigawatts equivalem a cerca de 60% do consumo do país na hora do incidente”, afirmou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, em pronunciamento na noite de segunda-feira. Ele classificou a resposta do sistema como “rápida, dentro do possível”, e reforçou que as causas do colapso ainda não foram identificadas.
A falha atingiu centenas de cidades — entre elas Madri, Lisboa, Barcelona, Sevilha e Valência —, deixando aeroportos às escuras, trens parados e semáforos desligados. Na capital espanhola, bombeiros fizeram 174 resgates de pessoas presas em elevadores. Hospitais ativaram geradores, e serviços de emergência operaram em regime especial.
Em Portugal, moradores celebraram o retorno da energia com aplausos registrados em vídeos nas redes sociais. Apesar disso, o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, responsabilizou o país vizinho pela origem do problema. “Tudo indica que o problema se originou na Espanha. Não começou em território português”, disse.
O presidente da operadora portuguesa REN (Redes Energéticas Nacionais), João Faria Conceição, explicou que a dependência de importação de eletricidade espanhola nas primeiras horas do dia — devido ao custo mais baixo da energia solar — contribuiu para a vulnerabilidade. “Somos periféricos. Enquanto a Espanha recebeu apoio da França e do Marrocos, Portugal não tinha de onde obter reforço imediato”, afirmou.
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Mesmo com a energia restabelecida, os efeitos colaterais continuam. Na Espanha, trens de média e longa distância permaneciam suspensos até a manhã de terça, com operação parcial prevista para os dias seguintes. A companhia aérea portuguesa TAP orientou os passageiros a não irem aos aeroportos após cancelamentos em Lisboa.
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Turistas relataram dificuldades nos terminais aéreos. “Estávamos no escuro, sem ar-condicionado ou água corrente. As lojas só aceitavam dinheiro”, contou Ellie Kenny, que aguardava voo no Aeroporto Humberto Delgado. Passageiros também ficaram presos em túneis em Madri, e estações de trem foram isoladas.
Eventos esportivos foram cancelados, como no torneio de tênis Madrid Open, que suspendeu jogos e retirou o público das quadras após o corte de energia. Na França, o operador RTE confirmou que áreas do País Basco sofreram um corte breve, que foi rapidamente restabelecido. “Durou apenas alguns minutos”, afirmou a porta-voz Emilie Grandidie.
Na tentativa de conter o caos, a Espanha decretou estado de emergência em cinco regiões — Madrid, Andaluzia, La Rioja, Múrcia e Extremadura. Portugal declarou crise energética em todo o território. O Exército foi mobilizado em Madri para apoiar ações emergenciais.
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O presidente do Conselho Europeu, António Costa, ex-premiê português, descartou a hipótese de ciberataque. “A origem ainda não é clara, mas não há qualquer evidência de ação maliciosa”, disse.
Com cerca de 60 milhões de habitantes afetados, a Península Ibérica viveu um dos maiores colapsos energéticos já registrados na região. A rápida restauração do fornecimento evitou um apagão prolongado, mas os desdobramentos logísticos devem continuar nos próximos dias.
Prejuízo sem assistência
Segundo a AirHelp, empresa especializada em direitos de passageiros aéreos, os viajantes afetados por atrasos ou cancelamentos de voos devido ao apagão não terão direito a compensação financeira. De acordo com a empresa, as perturbações provocadas pela falha no fornecimento de energia estão fora do controle das companhias aéreas e dos aeroportos.
“Se o atraso for superior a três horas ou se o voo for cancelado, o passageiro afetado não tem direito a qualquer compensação financeira”, esclareceu a AirHelp em comunicado. Apesar disso, as companhias aéreas continuam obrigadas a prestar assistência durante a interrupção.
Entre os deveres das empresas estão o fornecimento de água, alimentos e acesso a telecomunicações a partir de duas horas de atraso, além de oferecer transporte alternativo ao destino ou o reembolso integral do bilhete caso o passageiro opte por não embarcar. Se houver necessidade de pernoite, a companhia aérea deve custear hospedagem e transporte até o local de alojamento.
A AirHelp recomendou ainda que os passageiros guardem todos os cartões de embarque e recibos de despesas com alimentação, bebida e hospedagem, a fim de facilitar eventuais processos de reembolso ou reclamação junto às transportadoras.







