
Março nos convida a refletir sobre os avanços e desafios relacionados ao papel das mulheres na sociedade. No turismo, esse movimento também é evidente, com uma presença cada vez mais central e transformadora.
No blog anterior falamos sobre como as mulheres já representam a maioria dos viajantes e também sobre o crescimento de mulheres viajando sozinhas. Mas essa presença feminina não aparece apenas no comportamento de quem viaja. Ela também é muito forte dentro da própria indústria do turismo.
Dados da UN Tourism mostram que as mulheres representam cerca de 54% da força de trabalho global no turismo, uma participação significativamente maior do que na economia em geral, onde elas correspondem a aproximadamente 39% dos trabalhadores.
Em hotéis, agências de viagens, operadoras, companhias aéreas, eventos e serviços, elas estão presentes em praticamente todos os elos da cadeia. São profissionais que acolhem, planejam, conectam destinos e viabilizam experiências.
Mas quando direcionamos o olhar para outro ponto, a liderança dentro do próprio setor, a reflexão se torna inevitável. Afinal, essa presença nem sempre se reflete proporcionalmente em cargos de liderança, gestão ou governança.
Essa diferença entre presença e liderança não acontece apenas no turismo. É um fenômeno observado em diversos segmentos da economia. Mas justamente por ser um setor tão intensamente humano, diverso e baseado em experiências, o turismo talvez tenha ainda mais responsabilidade em liderar essa transformação.
Avançar nessa agenda não é apenas uma questão de equidade. A diversidade de perspectivas fortalece a capacidade de inovação, amplia a qualidade das decisões e contribui para um turismo mais conectado com as transformações da sociedade.
O turismo é, por natureza, um setor de pessoas, de pluralidade e de encontros entre culturas, territórios e histórias. E é justamente essa diversidade de vozes, experiências e perspectivas que também precisa estar refletida em suas lideranças.
Nos últimos anos, felizmente, temos visto avanços. Cada vez mais mulheres assumem posições de liderança em empresas, entidades, destinos e organizações do setor. Lideram equipes, conduzem estratégias, criam negócios, inovam produtos e influenciam decisões que impactam milhões de viajantes e o próprio setor.
Essas trajetórias ajudam a abrir caminhos para outras mulheres e a transformar a cultura do setor.
E falo isso também a partir da experiência de quem vive esse setor há muitos anos, acompanhando de perto o talento, a competência e a dedicação de tantas mulheres que fazem o turismo acontecer todos os dias e que também me inspiram.
Precisamos continuar ampliando espaços, reconhecendo trajetórias e fortalecendo a presença feminina nos lugares onde o futuro do turismo é pensado e construído.
A pergunta que fica é simples: se as mulheres já são maioria entre quem trabalha no turismo e também entre quem viaja, estamos criando as mesmas oportunidades para que também sejam maioria entre quem decide os caminhos do setor?
Porque, no fim, o turismo é feito por pessoas. E quanto mais diverso, inclusivo e representativo for esse setor, maior será sua capacidade de compreender o mundo que conecta todos os dias e de construir um futuro melhor para quem trabalha nele e para quem viaja.
Talvez uma das reflexões que março nos deixa seja um exercício simples: olhar ao redor e identificar as mulheres que inspiram, lideram, constroem e transformam o turismo todos os dias.
Quais são as mulheres que estão ajudando a liderar e transformar o turismo ao nosso redor e estamos criando espaço para que essa participação continue crescendo e para que mais delas cheguem à liderança?
Mais do que uma pergunta, esse é um convite à ação. Que essa reflexão se traduza em decisões concretas, na abertura de caminhos e no fortalecimento de um turismo mais diverso, justo e representativo para todos.







