“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.”

  • Vinícius de Moraes
O Valor dos Reencontros: Memórias, Gestão e Afeto

“No sábado, 16 de agosto de 2025, na tradicional feijoada do Novotel Morumbi,  o destino nos presenteou com um reencontro especial. À primeira vista, poderia parecer apenas uma reunião de antigos colegas de trabalho. Mas foi muito mais do que isso. Foi o resgate de um tempo em que a gestão estava verdadeiramente envolvida com a equipe, e a equipe, por sua vez, se entregava com entusiasmo à proposta de trabalho.

Entre 2000 e 2006, no time de marketing e vendas da Accor Hotels, vivemos um período marcado não só por resultados expressivos, mas também pela construção de vínculos humanos que atravessaram décadas. O reencontro despertou em cada um de nós a memória afetiva de momentos marcantes e duradouros: conquistas profissionais, aprendizados compartilhados, amizades sinceras e a sensação de fazer parte de algo maior — frutos que colhemos até hoje.

Talvez, nesses últimos 20 anos, os modelos de gestão tenham mudado. O avanço da tecnologia, a pressão por eficiência e os novos formatos de trabalho trouxeram inovações, mas também, em muitos casos, criaram distâncias. A relação próxima entre líder e equipe — aquela conversa de corredor, o cafezinho, as convenções de integração ou o simples gesto de reconhecimento imediato — deu lugar a estruturas mais frias e formais.

O reencontro, então, não foi apenas sobre olhar para o passado com nostalgia. Foi um lembrete de que a gestão, para ser eficaz e humana, precisa manter esse elo vivo: a energia de trabalhar junto, a clareza de um propósito comum e a capacidade de transformar relações profissionais em experiências de vida.

Quando Paulo Salvador trouxe essa ideia, Adriana Cardoso, Jeferson Munhoz, Carlos Jacobina e eu saímos entusiasmados, certos de que seria um encontro memorável. O grupo de WhatsApp que criamos bombou. Para o encontro, muitos ajustaram suas agendas para estar em São Paulo naquele dia — do norte ao sul do país e até de Londres —, num ambiente que reviveu a mesma vibração de outrora.

E foi inevitável lembrar que, naquela época, Paulo sempre trazia reflexões estratégicas para romper paradigmas, resumidas em uma frase que ficou marcada: “Ali não é mais Ali”. Porém, ao estarmos juntos novamente, mais de vinte anos depois, foi uma sensação única e gratificante reviver tudo, do jeito que já foi um dia.

Reencontrar, nesse sentido, foi também refletir. Refletir sobre o quanto as empresas precisam cultivar não apenas processos e resultados, mas também histórias, memórias e pessoas. Porque, no fim das contas, são essas conexões que permanecem – e que nos lembram por que vale a pena seguir construindo”.

– Toni Sando, presidente da Unedestinos e Presidente Executivo do Visite São Paulo Convention Bureau assina o artigo.