NFL
Partida no Maracanã reúne 72,7 mil pessoas e reforça potencial do País para turismo esportivo (Magnific)

A NFL deu mais um passo para transformar o Brasil em um dos principais destinos de sua estratégia internacional. No último domingo (27), 72.792 pessoas estiveram no Maracanã, no Rio de Janeiro, para acompanhar a vitória do Baltimore Ravens sobre o Dallas Cowboys por 34 a 31, pela terceira rodada da temporada regular.

O número representa o maior público registrado em um evento esportivo no Brasil em 2026 e coloca o primeiro NFL Rio Game em uma dimensão diferente das duas partidas anteriormente realizadas pela liga em São Paulo. Em 2024, Philadelphia Eagles e Green Bay Packers reuniram 47.236 pessoas na Neo Química Arena. No ano seguinte, Los Angeles Chargers e Kansas City Chiefs tiveram público de 47.627.

A mudança de São Paulo para o Maracanã permitiu à liga receber cerca de 25 mil espectadores a mais e, ao mesmo tempo, testar seu produto em uma das principais vitrines turísticas brasileiras. O resultado ocorre em um mercado que já reúne mais de 36 milhões de fãs da NFL, segundo a própria liga, o segundo maior contingente internacional, atrás apenas do México.

De viagem aos Estados Unidos a jogo no Brasil

Para o público brasileiro, a presença da NFL no País também reduz uma das principais barreiras para assistir presencialmente a uma partida: o custo de uma viagem aos Estados Unidos.

Os valores variam consideravelmente de acordo com equipe, adversário, estádio e momento da compra. Um levantamento do mercado norte-americano em 2026 apontou mediana de US$ 97,43 para os ingressos de entrada mais baratos, enquanto outra amostra, considerando 48 partidas realizadas em setembro, encontrou preço médio de US$ 386 por ingresso. Jogos de maior procura podem ultrapassar esses valores com facilidade.

Para um brasileiro, porém, o ingresso representa apenas uma parcela do orçamento. Passagens aéreas internacionais, hospedagem, alimentação, transporte e câmbio elevam o custo de acompanhar uma partida nos Estados Unidos e transformam a experiência em uma viagem internacional.

No Rio, os ingressos inicialmente colocados à venda para Ravens x Cowboys custavam de R$ 495 a R$ 2.720 nas entradas inteiras, dependendo do setor. A meia-entrada mais barata partia de R$ 247,50.

Ainda que os valores mais altos se aproximem do orçamento de uma viagem nacional completa, a realização do jogo no Brasil amplia o acesso ao produto para um público que anteriormente precisaria atravessar o continente para acompanhar uma partida oficial.

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Turismo entra na conta

A movimentação não termina nas arquibancadas. A realização de partidas da NFL envolve deslocamentos de torcedores, hospedagem, alimentação, transporte, entretenimento e consumo em diferentes pontos da cidade anfitriã.

A experiência de São Paulo dá uma dimensão desse potencial. Segundo dados divulgados pela SPTuris, a primeira partida da NFL na capital paulista, em 2024, movimentou mais de R$ 330 milhões na economia da cidade e gerou aproximadamente 12,5 mil postos de trabalho.

No Rio, antes mesmo da partida, a prefeitura destacava o potencial de retorno em turismo, hotelaria e restaurantes. A operação montada para o evento mobilizou cerca de 900 agentes de órgãos municipais, além de quase 600 policiais, bombeiros e outros profissionais de segurança.

O evento também foi além das quatro linhas. A programação preparada para os torcedores incluiu NFL Shop, jogos interativos, espaços para fotos com o Troféu Vince Lombardi e os 60 anéis do Super Bowl, além de opções de alimentos e bebidas.

O formato ajuda a aproximar a partida de outros grandes eventos internacionais capazes de gerar fluxo turístico durante mais de um dia, especialmente quando associado a ativações espalhadas pelo destino.

Brasil ganha espaço na expansão internacional da NFL

O avanço no Brasil acompanha uma estratégia mais ampla de internacionalização. Em 2026, a NFL programou um recorde de nove partidas internacionais, distribuídas por quatro continentes, sete países e oito estádios. Além do Rio de Janeiro, cidades como Londres, Madri, Munique, Paris, Melbourne e Cidade do México integram o calendário.

O Rio, porém, não deverá receber apenas uma partida. A NFL firmou um compromisso de cinco anos que prevê pelo menos três jogos de temporada regular no Maracanã a partir de 2026.

A continuidade muda a dimensão do projeto. Em vez de um evento isolado, a presença recorrente da liga abre espaço para operadoras, agências, hotéis, companhias aéreas e demais empresas do setor turístico trabalharem o jogo como parte do calendário de grandes eventos da cidade.

A própria NFL demonstra interesse em construir uma base permanente no País. Além das partidas, a organização mantém iniciativas como o NFL Flag e ações com parceiros e comunidades durante o ano.

Depois de receber 47 mil pessoas em cada uma das duas primeiras partidas realizadas em São Paulo, a liga ultrapassou a marca de 72 mil espectadores justamente em sua estreia no Rio. O salto de público, aliado ao acordo de longo prazo e a uma base superior a 36 milhões de fãs, reforça o espaço que o futebol americano começa a ocupar não apenas no calendário esportivo brasileiro, mas também no mercado de grandes eventos e no turismo do País.

Com informações de Poder360