
SÃO PAULO – A Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev) apresentou suas prioridades, dados e estratégias durante a WTM Latin America, realizada entre 14 e 16 de abril, em São Paulo. Representada pela diretora executiva, Luana Nogueira, e pela nova presidente, Joyce Negrelli, a entidade destacou seu papel como apoiadora do evento, as perspectivas para o setor em 2026 e as iniciativas em educação, advocacy e governança, com foco na ampliação do turismo corporativo e na influência em políticas públicas.
A atuação da entidade está centrada em estimular a presença do público corporativo no evento e ampliar o relacionamento com fornecedores. De acordo com Luana Nogueira, a estratégia inclui o convite a associados para participarem de rodadas de negócios e espaços dedicados, como o Buyer Lounge. “Temos convidado os nossos clientes para se conectarem com todos os outros fornecedores que estão dentro da feira para fomentarem os seus negócios”, comentou.
Desempenho do setor e projeções para 2026
A executiva destacou a necessidade de ampliar o repertório dos gestores de viagens corporativas, diante de um cenário mais complexo e competitivo. “O gestor de agências precisa conhecer sobre tudo e não focar somente em um único fornecedor”, afirmou, ao defender maior diversificação de parceiros e soluções. Segundo Luana, essa ampliação de conhecimento permite maior competitividade e acesso a novas oportunidades dentro das empresas.
Em relação ao desempenho do setor, Luana citou dados do Levantamento de Viagens Corporativas (LVC). “Nós atingimos 12 bilhões em janeiro, subimos para 5,2% em comparação a janeiro do ano passado”, disse. A projeção para 2026 indica continuidade no crescimento: “temos uma previsibilidade de atingir 157 bi esse ano.”
Ela ressaltou fatores de atenção que podem impactar o setor. “A gente tem um cenário extremamente volátil para lidar”, afirmou, citando custos operacionais, reforma tributária e contexto geopolítico. Ainda assim, indicou que o volume de viagens segue como principal vetor. “Até agora está tudo ainda direcionando para o aumento de viagens.”
Luana também apontou possíveis mudanças no comportamento das empresas, com impacto na escolha de destinos. “Existe uma grande possibilidade de fomento do turismo nacional em detrimento do turismo internacional”, disse. Ela destacou a necessidade de adaptação estratégica por parte das organizações. “O corporativo vai precisar mudar talvez os seus destinos, vai precisar usar inteligência para viajar.”
Estrutura interna Alagev e novas frentes estratégicas

No âmbito institucional, a Alagev trabalha na estruturação de frentes estratégicas por meio de squads. Entre os temas, estão ESG, indicadores de viagens e eventos e reforma tributária. A entidade também prepara uma iniciativa voltada à tecnologia e inteligência artificial. “Nesse momento a gente vai trabalhar com tecnologia e inteligência artificial para avaliarmos melhores oportunidades de desenvolvimento estratégico de ferramentas.”
A nova presidente da Alagev, Joyce Negrelli, que assumiu o cargo durante o LACTE em fevereiro, reforçou as prioridades para o biênio. Segundo ela, a gestão está organizada em comitês estratégicos para ampliar a atuação da associação e aproveitar a experiência dos membros do conselho.
Outro eixo destacado é a educação, por meio da Alagev Educa. “Nós estamos colocando a Alagev Educa como prioridade máxima”, afirmou Luana. A proposta inclui ampliar a capacitação e reduzir a chamada “juniorização” do setor. Joyce destacou a agenda de advocacy como uma das principais frentes da nova gestão.“Nós estivemos na semana passada em Brasília dando voz ao mercado de viagens e eventos corporativos”, disse.
A iniciativa reúne propostas do setor para inclusão em planos de governo, em articulação com outras associações. A educação também aparece como prioridade na nova gestão. “Nós acreditamos muito no poder da capacitação”, afirmou Joyce. Segundo ela, a entidade pretende ampliar o alcance de iniciativas voltadas à formação de profissionais e integração de novos participantes do mercado.
Entre as pautas institucionais, a governança segue como eixo permanente dentro da agenda ESG. “É uma frente que continua fixa”, afirmou Joyce, ao destacar a importância de disseminar boas práticas no setor.
Durante a entrevista, também foram abordadas questões relacionadas à liderança feminina no turismo corporativo. Luana mencionou ações realizadas no LACTE, como a iniciativa da “cadeira vazia vermelha”, voltada à conscientização sobre feminicídio. “A gente tem que dar voz e visibilidade para aquelas mulheres que não estão mais aqui”, afirmou. A entidade também estuda a realização de um evento voltado à liderança feminina no setor. “A gente tá pensando em fazer um evento para liderança feminina, muito em breve”, disse.







