Bruno Reis, presidente da Embratur - Turismo
Bruno Reis, presidente da Embratur (Ana Azevedo/M&E)

O turismo LGBTQIA+ ganhou protagonismo na estratégia internacional da Embratur. Com um mercado global que deve movimentar mais de US$ 600 bilhões até 2032, o Brasil quer consolidar sua imagem como um destino acolhedor, seguro e diverso para viajantes de todo o mundo. Em entrevista ao Mercado & Eventos, o presidente da Embratur, Bruno Reis, fala sobre as ações previstas para 2026, a importância da segurança para esse público, os investimentos em qualificação do trade e as oportunidades que eventos como a Copa do Mundo Feminina de 2027 podem gerar para o turismo brasileiro. Confira abaixo:

M&E – O turismo LGBTQIA+ deixou de ser um nicho dentro da estratégia da Embratur?

Bruno Reis – Sem dúvida. Mais que um nicho, o turismo LGBTQIA+ é um dos grandes motores do turismo mundial. Estamos falando de um segmento que movimenta centenas de bilhões de dólares por ano, viaja com frequência, valoriza experiências autênticas e busca destinos onde possa se sentir respeitado e acolhido. Por isso, ele ocupa um espaço importante dentro do Plano Brasis, nossa estratégia internacional de promoção do turismo brasileiro.

M&E – Quais são as principais ações previstas para fortalecer a presença do Brasil nesse mercado?

Bruno Reis – Vamos ampliar nossa participação em eventos estratégicos, como a LGBT+ Turismo Expo, a Conferência Internacional da Diversidade e a Convenção Global da IGLTA. Também vamos reforçar campanhas promocionais em mercados prioritários, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, apresentando o Brasil como um destino diverso, inclusivo e preparado para receber todos os perfis de viajantes.

M&E – O que diferencia o turista LGBTQIA+ de outros segmentos?

Bruno Reis –  É um público que costuma viajar mais vezes ao longo do ano, tem um gasto médio superior ao de outros turistas e busca experiências ligadas à cultura, gastronomia, natureza, luxo e bem-estar. Além disso, contribui para reduzir a sazonalidade do turismo, viajando também em períodos de baixa temporada, o que gera impactos positivos para toda a cadeia do setor.

M&E – A segurança ainda é um fator decisivo para esse viajante?

Bruno Reis – Sem dúvida. O turista LGBTQIA+ pesquisa muito antes de viajar. Ele quer saber se será respeitado, se encontrará um ambiente acolhedor e se poderá viver sua experiência de forma livre. Segurança, nesse contexto, não se limita aos índices de criminalidade. Ela envolve respeito, inclusão, representatividade e a certeza de que será bem recebido no destino.

M&E – Como a Embratur trabalha essa percepção internacional sobre o Brasil?

Bruno Reis – Atuamos em parceria com estados, municípios e o trade turístico para construir uma imagem baseada em experiências reais. Fazemos campanhas promocionais, press trips, famtours e ações em feiras internacionais que mostram um Brasil diverso, acolhedor e preparado para receber turistas de diferentes perfis.

M&E – A qualificação do setor também faz parte dessa estratégia?

Bruno Reis – Sim. Um dos principais instrumentos é a plataforma DesBRava, que reúne governança, capacitação e geração de negócios voltados à internacionalização do turismo brasileiro. Recentemente, disponibilizamos um relatório específico sobre o segmento LGBTQIAPN+, com dados sobre comportamento do consumidor, tendências internacionais, destinos concorrentes e oportunidades para empresas e gestores desenvolverem produtos mais alinhados às expectativas desse público.

M&E – Quais destinos brasileiros têm maior potencial para crescer nesse segmento?

Bruno Reis – Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Florianópolis já possuem reconhecimento internacional, mas o potencial do Brasil vai muito além. Nossa diversidade cultural e natural permite desenvolver produtos em áreas como turismo de natureza, afroturismo, gastronomia, roteiros culturais, turismo de luxo e destination weddings. Temos uma oferta muito rica para diferentes perfis de viajantes.

M&E – Eventos internacionais podem impulsionar essa estratégia?

Bruno Reis – Com certeza. A Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027 será uma oportunidade extraordinária para mostrar ao mundo um Brasil contemporâneo, diverso e acolhedor. É uma vitrine global que dialoga diretamente com públicos que valorizam inclusão, diversidade e experiências autênticas, fortalecendo ainda mais o posicionamento internacional do país.