Embratur
Bruno Reis, da Embratur (Ana Azevedo/M&E)

LISBOA – Na BTL 2026, a Embratur reforça uma estratégia que vai além da promoção tradicional. A proposta é posicionar o Brasil como destino de experiência, identidade e impacto positivo, combinando brasilidade, sustentabilidade e inteligência comercial para ampliar resultados no mercado internacional.

Em entrevista exclusiva ao M&E, o diretor de Marketing e Sustentabilidade, Bruno Reis, detalhou as novidades apresentadas na feira, as metas em revisão e o momento que considera o mais favorável para o país.

Brasil como soft power

Questionado sobre os destaques da BTL, Bruno afirmou que o estande, desenvolvido com elementos sustentáveis e referências à brasilidade, traduz um trabalho contínuo de construção de narrativa. “A gente tem tentado posicionar o Brasil pelo ponto de vista do soft power, nos apropriando da narrativa da brasilidade, do borogodó. O estande representa isso no mundo todo nos últimos três anos, com resultados muito assertivos.”

Embratur aposta em 'soft power' e viagens com propósito para fortalecer presença do Brasil no exterior em 2026
No estande da Embratur há um mapa do Brasil em relevo para ajudar os visitantes a entender a localização das regiões do país (Ana Azevedo/M&E)

Após apresentar uma campanha ancorada na identidade nacional durante a World Travel Market, em Londres, a entidade passa a reforçar um novo direcionamento estratégico: estimular deslocamentos que deixem legado concreto nos destinos. “Agora estamos falando de viagens com propósito. Turismo regenerativo, sustentável, impacto positivo e bem-estar. O Brasil pode proporcionar isso de uma maneira única.”

O plano prevê ações promocionais ao longo dos próximos dois meses em dez mercados europeus, com atenção redobrada ao fortalecimento da malha aérea. Entre os movimentos destacados estão a rota Bruxelas–Guarulhos e novas conexões entre a Europa e o Nordeste brasileiro, ampliando o acesso ao país. “Promoção e conectividade aérea precisam caminhar juntas.”

Janela otimista e revisão de metas

Para Bruno Reis, o Brasil vive um momento particularmente favorável no cenário internacional. “Talvez estejamos vivendo a janela mais otimista de posicionamento internacional do Brasil. Isso se reflete em números. A ação promocional só funciona se houver venda, e o trade brasileiro está mais maduro.”

A Embratur trabalha na revisão do Plano Brasis até o fim de 2026, reavaliando metas e ajustando diretrizes. Um dos sinais positivos apontados pelo diretor é o movimento das companhias aéreas. “Quando elas colocam mais assentos, é porque já existe demanda.”

Ele destaca ainda o crescimento da malha fora do eixo tradicional Rio de Janeiro–São Paulo, com expansão de voos para Centro-Oeste, Nordeste e Norte, reforçando a descentralização do turismo internacional.

Influência digital e descentralização

O bom momento também se conecta ao ambiente digital. Segundo Bruno, o engajamento com plataformas como Instagram e TikTok fortalece o posicionamento do país. “A influência digital ajuda muito. Engajamos com plataformas como Instagram e TikTok para reforçar esse posicionamento. Falamos também sobre nomadismo digital, porque isso mostra a experiência real de viver no Brasil.”

O resultado é um turismo mais distribuído geograficamente. “Hoje, os estrangeiros não estão só no Rio de Janeiro. Eles estão espalhados pelo país inteiro. Isso ajuda a descentralizar o turismo, algo que era muito difícil no começo dos anos 2000.”

Fim da promoção genérica

Ao ser questionado sobre novas tendências além dos destinos clássicos, Bruno foi direto: a promoção precisa ser segmentada. “Não dá mais para fazer promoção genérica. Cada mercado tem suas especificidades.”

Ele cita o kitesurf no Nordeste como exemplo de nicho que compete com destinos de características semelhantes, independentemente da fama de capitais como Rio ou São Paulo. Outros segmentos estratégicos incluem luxo, turismo regenerativo, safári e observação de onças.

“Trabalhar segmentos específicos com canais distintos é mais eficiente. A maturidade do trade nacional melhorou muito e isso gera novos negócios. Nosso papel é ser o capitão desse time.”

Ao apostar em identidade cultural, segmentação e propósito, a Embratur sinaliza que o novo ciclo de promoção internacional do Brasil passa menos pelo volume e mais pela qualidade da experiência e valor agregado que o destino pode oferecer.

*O M&E viaja em parceria com a Shift Mobilidade e cobertura GTA.