Peru (Felipe Abílio/M&E)
Fernando Albareda e Milagros Ochoa, da Promperu (Felipe Abílio/M&E)

SÃO PAULO – O Peru decidiu reposicionar sua narrativa no mercado brasileiro. Conhecido mundialmente por Machu Picchu, o país agora quer mostrar que sua oferta vai muito além do cartão-postal. Durante a WTM Latin America, representantes do Promperu apresentaram novos destinos, experiências e facilidades que buscam atrair um perfil de viajante mais curioso, interessado em cultura, natureza e vivências autênticas.

A proposta é ampliar o olhar do brasileiro sobre o país. “Estamos trazendo uma diversidade maior de produtos, com aventura, natureza, culturas vivas e experiências sustentáveis”, disse Fernando Albareda, do conselho comercial do Promperu. A ideia é conectar o viajante a regiões menos exploradas, sem abrir mão da infraestrutura.

Um dos focos dessa estratégia está no norte peruano, especialmente na região de Chachapoyas. Ainda fora do radar da maioria dos brasileiros, o destino reúne história, paisagens montanhosas e vestígios arqueológicos de uma civilização pré-inca conhecida como “guerreiros das nuvens”.

O principal símbolo dessa cultura é a Fortaleza de Kuélap, construída no topo de uma montanha e formada por estruturas circulares que contrastam com a arquitetura inca. O acesso, que antes exigia mais esforço, hoje conta com teleférico, o que facilita a visita e abre espaço para um público maior.

Além da carga histórica, a região oferece trilhas, cachoeiras e contato direto com comunidades locais. É um tipo de experiência que conversa com um viajante mais interessado em entender o destino de perto, e não apenas visitá-lo.

Outro eixo importante está no norte costeiro, onde floresceu a civilização Moche, considerada uma das mais antigas do continente. Regiões como Trujillo e Lambayeque concentram sítios arqueológicos relevantes e museus que ajudam a contar essa história, como o Museo Tumbas Reales de Sipán.

“São destinos que surpreendem pela riqueza cultural e ainda são pouco explorados pelos brasileiros”, explicou Milagros Ochoa.

Na costa sul, o roteiro passa por Ica, onde o contraste chama atenção. De um lado, dunas que lembram um deserto; do outro, vinícolas e produção de pisco. A região também serve como base para visitar as Linhas de Nazca e a reserva de Paracas, com fauna marinha e paisagens costeiras.

Mais ao sul, Arequipa aparece como um dos destinos mais completos. A cidade preserva construções coloniais e funciona como porta de entrada para o Cânion do Colca, onde o visitante pode observar condores em voo, um dos momentos mais emblemáticos da viagem.

Mesmo com a expansão de rotas, Cusco continua sendo um dos principais pontos de chegada. A diferença está na forma de explorar a região. “O brasileiro quer aventura, mas com conforto”, afirmou Milagros. Trilhas tradicionais, como a Trilha Inca, passaram a oferecer estruturas mais sofisticadas, com hospedagens e experiências gastronômicas ao longo do percurso.

Atividades como quadriciclo, trekking e visitas a comunidades também ganham força, especialmente entre viajantes que buscam algo mais ativo.

A gastronomia segue como um dos pilares mais fortes do destino. Lima se consolidou como referência internacional, com restaurantes premiados e uma cena culinária que mistura tradição e inovação. Para muitos brasileiros, a comida já virou motivo suficiente para planejar a viagem.

No acesso, o cenário também favorece. Atualmente, o Peru conta com voos diretos a partir de cinco cidades brasileiras, com mais de 70 frequências semanais. O tempo médio de viagem gira em torno de quatro horas e meia, o que permite desde viagens mais longas até escapadas curtas.

“É possível ir para Lima em um fim de semana, aproveitar a gastronomia e voltar”, comentou Albareda.

Outro ponto que começa a chamar atenção é a adoção do Pix em serviços turísticos no país. Hotéis e outros fornecedores já permitem pagamentos diretos pelo sistema brasileiro, o que reduz custos e simplifica a experiência.

Além disso, o Promperu aposta em tecnologia para facilitar o planejamento. Uma ferramenta com inteligência artificial permite que o viajante monte roteiros personalizados, conectando destinos e experiências de acordo com seu perfil.

O Peru segue valorizando Machu Picchu, mas quer mostrar que o país tem outras camadas, menos óbvias e igualmente interessantes. “Queremos que o brasileiro descubra novos lugares e novas histórias dentro do Peru”, resumiu Albareda.