
SÃO PAULO – O debate sobre o futuro do turismo brasileiro ganhou uma reflexão estratégica durante o Seminário LIDE Turismo, realizado nesta quarta-feira (10), na Casa LIDE, em São Paulo. A presidente da Abav Nacional, Ana Carolina Medeiros questionou qual caminho o país pretende seguir nos próximos anos: competir por volume de visitantes ou por valor agregado.
A provocação foi feita durante o painel dedicado ao crescimento das viagens de incentivo, segmento que reúne eventos corporativos, convenções, premiações e experiências voltadas ao reconhecimento de equipes e clientes.
“O Brasil está competindo por volume ou por valor? Esse é o grande desafio que nós temos hoje”, afirmou.
Segundo Ana Carolina, o turismo precisa ser compreendido como uma atividade estratégica para o desenvolvimento econômico nacional. Em sua avaliação, o setor vai muito além do lazer e movimenta cadeias inteiras de serviços, gerando emprego, renda e oportunidades em diferentes regiões do país.
“O turismo é a maior economia de qualquer país e de qualquer cidade. Basta olhar para destinos que transformaram suas realidades por meio da atividade turística”, destacou.
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A executiva citou exemplos de destinos brasileiros cuja economia está diretamente ligada ao turismo, como Gramado, os Lençóis Maranhenses e Fernando de Noronha. Para ela, a atividade tem capacidade única de promover desenvolvimento regional, especialmente em localidades onde outros setores econômicos possuem menor presença.
Ao abordar o mercado de viagens de incentivo, Ana Carolina ressaltou que esse segmento possui características diferenciadas dentro da indústria de viagens. Segundo ela, trata-se de um público com maior gasto médio, menor sensibilidade à sazonalidade e forte potencial para impulsionar experiências de alto valor agregado.
“Uma viagem de incentivo oferece experiências que muitas vezes não estão disponíveis para compra individual. São vivências exclusivas, acesso a locais diferenciados e oportunidades que geram transformação para quem participa”, explicou.
A presidente da Abav destacou ainda que as viagens de incentivo contribuem para o fortalecimento da cultura organizacional, do engajamento de equipes e da retenção de talentos, tornando-se uma ferramenta estratégica para empresas que buscam melhorar desempenho e relacionamento com colaboradores.
Dados apresentados durante sua exposição apontam que o ticket médio global desse segmento gira em torno de US$ 4.900 por participante, reforçando o potencial econômico das viagens corporativas e de incentivo para os destinos que conseguem atrair esse público.
Brasil peca na promoção de seus ativos
Apesar das oportunidades, Ana Carolina alertou para desafios que ainda limitam a competitividade brasileira. Entre eles estão a falta de conectividade entre destinos, gargalos logísticos, dificuldades de infraestrutura e a percepção internacional sobre segurança no país.
“Nós temos tudo o que outros destinos concorrentes oferecem. Temos natureza, cultura, gastronomia, diversidade e experiências únicas. O desafio é conseguir mostrar isso para o mundo e também para os próprios brasileiros”, afirmou.
A executiva também chamou atenção para a necessidade de ampliar a qualificação do setor e investir em inteligência de mercado, com dados mais consolidados para orientar investimentos e políticas públicas.
Segundo ela, destinos concorrentes como Caribe, México e países europeus avançam justamente por trabalharem de forma integrada a promoção turística, a infraestrutura e a experiência oferecida aos visitantes.
Ao final de sua participação, Ana Carolina apoiou a proposta apresentada anteriormente pelo ex-ministro do Turismo Vinicius Lummertz de criar uma articulação permanente entre as entidades do setor. Para a presidente da Abav, o Brasil precisa construir uma estratégia conjunta de longo prazo para ocupar uma posição mais relevante no mercado global de turismo.
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“Não precisamos criar uma nova entidade. Precisamos unir as principais associações e construir um grande projeto para o turismo brasileiro. Juntos, temos condições de colocar o Brasil no lugar que ele deveria ocupar há muito tempo”, concluiu.







