
FORT LAUDERDALE — “Queremos ser reconhecidos como uma organização de resgate animal que também opera parques temáticos.” A frase de Jay Uzak resume o principal movimento do United Parks & Resorts em 2026: reforçar globalmente uma narrativa que sempre esteve na origem da companhia, mas que agora ganha ainda mais protagonismo na comunicação da marca.
Durante a IPW 2026, em Fort Lauderdale, o grupo colocou conservação animal, resgate de espécies marinhas e experiências ligadas à natureza no centro das conversas com o trade internacional, justamente em um momento em que a empresa amplia investimentos, acelera lançamentos e busca fortalecer produtos premium como o Discovery Cove.
O movimento acontece acompanhado de números relevantes. Segundo o balanço financeiro do primeiro trimestre de 2026, o United Parks recebeu 3,2 milhões de visitantes e registrou receita de US$ 278,3 milhões entre janeiro e março. Apesar da retração no fluxo internacional para os Estados Unidos e do impacto causado pelo clima em mercados importantes como Flórida, Califórnia e Texas, a companhia registrou aumento no gasto médio por visitante dentro dos parques — que atingiu recorde histórico de US$ 86,43 per capita.
Mais do que o volume de visitantes, a empresa vê crescimento em experiências de maior valor agregado. O principal exemplo é o Discovery Cove, que segue com reservas antecipadas acima dos níveis de 2025 e vem ganhando força especialmente entre os brasileiros.
“O Discovery Cove entrega algo único em Orlando: um ambiente mais tranquilo, all inclusive e muito voltado para famílias e grupos de amigos”, afirmou Leonardo Ferrazo, gerente de Vendas e Marketing do United Parks para o Brasil, durante entrevista ao M&E na IPW 2026.
Segundo os executivos, o crescimento acompanha uma mudança importante no perfil do viajante brasileiro, hoje mais interessado em experiências personalizadas, menos massificadas e conectadas a bem-estar, exclusividade e tempo de permanência maior no destino.
“O brasileiro gosta de montanha-russa, gosta dos animais, gosta de Orlando e tem uma conexão histórica muito forte com nossos parques”, destacou Jay Uzak.
Conservação ganha ainda mais espaço
Embora o SeaWorld e os demais parques do grupo sempre tenham trabalhado com conservação e reabilitação animal, o United Parks quer tornar esse posicionamento mais visível para o público internacional.
Hoje, a companhia afirma já ter ultrapassado a marca de 43 mil animais resgatados ao longo de sua história — incluindo golfinhos, peixes-boi, tartarugas marinhas, aves, focas e leões-marinhos.
Somente nos primeiros meses de 2026, mais de 200 animais receberam assistência das equipes da empresa nos Estados Unidos. Um dos casos recentes destacados pela companhia envolveu o resgate de um filhote de leão-marinho encontrado debilitado na Califórnia e encaminhado para reabilitação pelas equipes do grupo.
“Essa sempre foi a essência da empresa. O que estamos fazendo agora é garantir que as pessoas entendam ainda mais o impacto desse trabalho”, afirmou Jay Uzak.
Segundo o executivo, parte da estratégia passa justamente por aproximar entretenimento, educação ambiental e experiências imersivas.
“As pessoas visitam os parques para se divertir, mas essa diversão também financia um trabalho muito maior de conservação e proteção animal”, disse.
Ele também ressaltou que o grupo busca se posicionar de maneira diferente dentro do mercado de entretenimento de Orlando.
“Outros concorrentes trabalham muito com fantasia e imaginação. Nós somos conectados ao mundo real, à natureza, aos animais e às experiências de aventura”, afirmou.

Investimentos bilionários e novas atrações
Ao mesmo tempo em que reforça a pauta da conservação, o United Parks também acelera investimentos em atrações, infraestrutura e experiências dentro dos parques.
Segundo a companhia, mais de US$ 1 bilhão devem ser destinados a novidades nos próximos anos. Entre os projetos previstos para 2026 estão a nova área Lion & Hyena Ridge no Busch Gardens Tampa Bay, a reformulação da Expedition Odyssey no SeaWorld Orlando e novas experiências marinhas no SeaWorld San Diego.
O grupo também vem ampliando investimentos em shows noturnos, eventos sazonais, experiências aquáticas e apresentações com animais como estratégia para aumentar o tempo de permanência dos visitantes nos parques.
“Queremos que, toda vez que alguém volte aos nossos parques, encontre algo novo”, afirmou Jay Uzak.
Brasil segue entre mercados prioritários
A América Latina continua entre os mercados estratégicos para o crescimento internacional do grupo, com destaque especial para o Brasil, que segue entre as prioridades comerciais do United Parks & Resorts.
Segundo Jay Uzak, a IPW funciona como um dos momentos mais importantes do ano para fortalecer relações com operadores, agentes de viagens e parceiros comerciais da região.
“A IPW é um dos únicos momentos do ano em que conseguimos reunir parceiros de diferentes mercados em um mesmo lugar. São eles que ajudam a contar nossa história para o público em diferentes idiomas, culturas e contextos”, afirmou.
Já Leonardo Ferrazo reforçou que a estratégia da companhia no Brasil continuará fortemente apoiada em relacionamento, capacitação e presença próxima ao trade ao longo do segundo semestre. Segundo o executivo, o grupo seguirá investindo em roadshows realizados em parceria com o Visit Orlando, treinamentos presenciais em diferentes cidades brasileiras, eventos de capacitação para agentes de viagens e famtours voltados a profissionais do setor.
A companhia também prepara novas ações promocionais e experiências de imersão nos parques para parceiros comerciais, além de manter campanhas específicas para o mercado brasileiro.
“Acreditamos que capacitação é a base de tudo. O conhecimento é o que gera vendas”, destacou Ferrazo.
O M&E viaja com proteção GTA.







