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Com atrasos e cancelamentos de voos em todo o país, paralisação do governo pode afetar o feriado de Ação de Graças, o mais movimentado do ano (Divulgação/Wirestock)

A paralisação parcial do governo federal dos Estados Unidos entrou, nesta segunda-feira (3), em sua sexta semana consecutiva, somando 34 dias e se aproximando de se tornar o shutdown mais longo da história do país. O impasse, iniciado em 1º de outubro por falta de aprovação do orçamento federal para o exercício fiscal 2025/2026, já provoca impactos diretos no setor de turismo e viagens, um dos pilares da economia americana.

A crise tem provocado uma reação em cadeia nos aeroportos do país. Com cerca de 13 mil controladores de voo sem receber salários, cresce o número de faltas e licenças, resultando em atrasos e cancelamentos generalizados. No último domingo, mais de 5 mil voos decolaram com atraso e 557 foram cancelados até o início da noite, segundo dados da FlightAware.

A situação preocupa companhias aéreas e agências de viagens diante da proximidade do feriado de Ação de Graças, marcado para 27 de novembro, quando dezenas de milhões de americanos se deslocam para celebrar a data em família. O feriado é tradicionalmente o período de maior movimento do ano, com picos históricos de tráfego aéreo e rodoviário. Em 2024, cerca de 80 milhões de pessoas viajaram dentro dos Estados Unidos durante a data, sendo 6 milhões por avião.

A Administração Federal de Aviação (FAA) e o Departamento de Segurança Interna (DHS), responsáveis pela segurança e fiscalização em aeroportos, operam com equipes reduzidas, já que grande parte dos servidores está sem remuneração ou afastada. A Associação de Companhias Aéreas da América (A4A) alertou que, sem um acordo orçamentário nas próximas semanas, o sistema de aviação do país pode enfrentar gargalos severos durante o feriado, com reflexos em aeroportos internacionais.

Além do transporte aéreo, o setor rodoviário também sente os efeitos da paralisação. A redução de funcionários federais afeta operações de fiscalização nas estradas e o funcionamento de órgãos de licenciamento e transporte interestadual. Agências de turismo relatam queda nas reservas domésticas e internacionais, enquanto hotéis próximos a grandes hubs aéreos registram aumento de cancelamentos.

O impacto econômico é expressivo. Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o shutdown já causa perdas diárias estimadas em US$ 15 bilhões à economia americana, comprometendo setores como turismo, hospitalidade, transporte e comércio. “A continuidade dessa paralisação tem um efeito devastador, reduzindo a confiança do consumidor e afetando diretamente as viagens e o turismo interno”, declarou Bessent.

O Congresso tenta, pela 12ª vez, chegar a um acordo para suspender temporariamente o shutdown até a aprovação definitiva do orçamento. Senadores republicanos e democratas discutem um texto emergencial que permitiria a retomada de parte das operações do governo. A volta do presidente Donald Trump de uma viagem pela Ásia pode ampliar as chances de entendimento, segundo parlamentares próximos à Casa Branca.

Enquanto isso, companhias aéreas e entidades do setor de turismo reforçam campanhas para alertar passageiros sobre possíveis atrasos e cancelamentos. A expectativa é que, caso o impasse persista, o movimento no Ação de Graças seja o mais caótico da década, com longas filas, voos lotados e impacto direto na imagem internacional do turismo americano.

Caso o bloqueio orçamentário alcance 35 dias, o episódio igualará o recorde do shutdown ocorrido no primeiro mandato de Donald Trump, em 2018–2019, marcando mais um capítulo de instabilidade política e econômica com reflexos profundos para as viagens e o turismo nos Estados Unidos.