EUA, COPA DO MUNDO, PASSAPORTE, CONSULADO EUA, VISTO EUA
Filas curtas hoje, caos amanhã? O alerta sobre vistos dos EUA para 2026 (Arquivo/Agência Brasil)

A poucos meses da Copa do Mundo FIFA 2026, o cenário para quem precisa tirar visto americano no Brasil parece, à primeira vista, mais tranquilo do que o esperado. Dados recentes do governo dos Estados Unidos mostram prazos de agendamento mais curtos nos principais consulados do país. Em alguns casos, a espera caiu para cerca de 15 dias. Só que essa aparente calmaria pode ser passageira.

O que está acontecendo agora é um raro momento de respiro em um sistema historicamente pressionado. Desde 2025, os consulados deixaram de divulgar filas em tempo real e passaram a trabalhar com estimativas mensais. Isso traz um cenário mais estável, mas também menos preciso do dia a dia.

Hoje, cidades como Recife e Rio de Janeiro aparecem com os menores tempos de espera, girando em torno de duas semanas. Brasília e São Paulo ficam próximas de um mês. Já Porto Alegre segue fora da curva, com cerca de dois meses e meio para conseguir uma entrevista.

Por que o cenário parece melhor agora

Depois do caos no pós-pandemia, quando tirar visto virou quase um teste de paciência, os consulados americanos ampliaram capacidade, reorganizaram processos e reduziram o acúmulo de pedidos. Isso ajudou a normalizar o fluxo. Mas tem outro ponto importante: ainda não começou o pico real de demanda para a Copa.

Eventos esportivos já mostraram o impacto que podem ter. Em 2025, durante a Copa do Mundo de Clubes, houve um aumento de cerca de 20% na procura por vistos por brasileiros. E isso em uma escala bem menor do que o que está por vir.

O que pode mudar nos próximos meses com a Copa

A tendência é simples de entender: quanto mais perto da Copa, maior a pressão. E não só de quem viaja sempre, mas principalmente de quem nunca precisou de visto antes. Esse novo perfil costuma deixar tudo para a última hora, o que cria um efeito dominó no sistema. As agendas começam a encher rápido, os horários disponíveis somem e os prazos disparam.

Existe também um fator psicológico. Quando começam a surgir relatos de filas maiores, mais gente corre para tentar antecipar o processo. Isso acelera ainda mais o gargalo.

“Há uma percepção equivocada de que o processo acompanha o calendário do evento”, diz Fabiano Rocha, CEO da JumpStart. “Na realidade, ele sempre vem antes. O sistema reage com atraso, e é aí que o problema aparece.”

O risco de confiar no prazo atual

Olhar o prazo de hoje e achar que ele vai se manter é um erro comum. O sistema consular funciona em ondas. Quando a demanda cresce rápido, ele demora para absorver o impacto. Isso significa que quem deixa para depois pode encontrar um cenário completamente diferente em poucas semanas.

Outro ponto que começa a circular nos bastidores é a possibilidade de medidas emergenciais para lidar com o aumento de pedidos. Entre elas, um possível “FIFA Pass” para priorizar entrevistas. Ainda não existe confirmação oficial, mas o simples fato de essa ideia estar sendo discutida já indica preocupação com sobrecarga.

O timing virou o principal fator

Mais do que escolher passagem ou hospedagem, o momento de pedir o visto pode definir a viagem. Quem entra agora no sistema encontra mais opções de datas e menos pressão. Quem espera corre o risco de enfrentar filas maiores, menos horários disponíveis e, em casos extremos, não conseguir agendar a tempo.

Esse tipo de movimento não é novo, mas a escala da Copa de 2026 eleva o impacto. Estamos falando de um evento que deve mobilizar milhões de turistas, incluindo um grande número de brasileiros.

O que esperar até a Copa de 2026

A tendência para os próximos meses é de aumento gradual da demanda, seguido de picos mais fortes conforme o evento se aproxima. Consulados podem até tentar ampliar a capacidade, abrir horários extras ou reorganizar agendas. Mas existe um limite operacional. E quando esse limite é atingido, o efeito aparece rápido: prazos mais longos e menos previsibilidade.

Vale a pena correr agora?

Para quem já pensa em ir para os Estados Unidos, seja para a Copa ou não, o cenário atual é considerado o melhor ponto de entrada. A janela atual combina duas coisas raras: fila controlada e baixa pressão. Isso dificilmente vai se sustentar até 2026.