CVC
Felipe Gomes, VP da CVC Corp

A CVC Corp espera ganhar maior flexibilidade financeira após concluir o reperfilamento de R$ 370 milhões em dívida, operação que reduziu o custo dos títulos renegociados e redistribuiu os pagamentos ao longo dos próximos anos. Ao M&E, Felipe Gomes, vice-presidente de Finanças, Jurídico, Planejamento e RM da companhia, revelou que a operação permitirá preservar recursos para a operação e para a continuidade do processo de transformação da empresa.

A renegociação reduziu a remuneração da dívida de CDI + 4,50% para CDI + 3,90% ao ano. Ao mesmo tempo, a companhia eliminou as amortizações anteriormente previstas para outubro de 2026 e abril de 2027 para a parcela renegociada, postergando a primeira parcela de principal para setembro de 2027.

“Essa renegociação representa mais um passo importante no processo de fortalecimento da estrutura de capital da CVC Corp. Mesmo em um cenário macroeconômico desafiador, conseguimos melhorar o custo da dívida, reduzindo a taxa de CDI + 4,5% para CDI + 3,9%, e, ao mesmo tempo, readequar o cronograma de pagamentos, reduzindo de forma relevante a pressão sobre o caixa no curto e médio prazo”, explicou.

“É uma operação que nos dá maior flexibilidade financeira e reforça nossa capacidade de administrar o endividamento de maneira responsável, preservando recursos para a operação e para a continuidade da transformação da companhia”, completou Gomes.

R$ 110 milhões a menos em saída de caixa

Um dos principais efeitos da operação será a redução de aproximadamente R$ 110 milhões na saída de caixa nos próximos 12 meses. Desse total, cerca de R$ 30 milhões deixariam o caixa em outubro de 2026 e outros R$ 80 milhões em abril de 2027.

De acordo com o VP, o recurso não será direcionado automaticamente para novos gastos, mas contribuirá para fortalecer a posição de caixa da companhia. “O principal objetivo é fortalecer a posição de caixa e ampliar nossa flexibilidade financeira. Isso nos permite atravessar esse período com uma estrutura financeira mais equilibrada e maior capacidade de direcionar recursos para as necessidades do negócio”, explicou.

O executivo ressalta que a companhia pretende manter a disciplina financeira como prioridade. “Não se trata simplesmente de aumentar gastos, mas de criar condições para que a companhia possa executar sua estratégia com mais segurança e eficiência”, afirma.

CVC prevê redução gradual do endividamento

Com o novo cronograma, a companhia terá uma distribuição mais alongada dos pagamentos até 2029. Segundo Gomes, a partir de outubro de 2027 serão três parcelas semestrais de aproximadamente R$ 75 milhões, seguidas por outras duas de cerca de R$ 63 milhões, com vencimentos em abril e outubro de 2029.

A CVC não estabeleceu uma meta anual específica de alavancagem para o período. A expectativa, porém, é de redução gradual do endividamento por meio da geração de caixa e da manutenção da disciplina financeira.

“A renegociação tirou qualquer potencial pressão sobre o caixa em caso de um cenário futuro mais adverso e distribuiu melhor os vencimentos”, afirma Gomes.

Segundo o executivo, a estratégia é utilizar a maior previsibilidade financeira para fortalecer progressivamente o balanço da companhia, sem estabelecer, neste momento, uma meta anual de alavancagem até 2029.