Fernando Cinelli, fundador da Apex deixou conselho da CVC horas após ser afastado da presidência da gestora (Reprodução/Instagram fernandoakcinelli)
Fernando Cinelli, fundador da Apex, deixou conselho da CVC horas após ser afastado da presidência da gestora (Reprodução/Instagram fernandoakcinelli)

Fernando Cinelli renunciou ao cargo de membro do conselho de administração da CVC Corp nesta quinta-feira (6), no mesmo dia em que foi afastado da presidência da Apex Partners, plataforma de investimentos da qual é fundador. A saída do executivo da companhia de turismo foi comunicada ao mercado no início da noite, poucas horas depois de a Apex anunciar seu afastamento e a saída do diretor financeiro Eduardo Siqueira.

A CVC informou que recebeu o pedido de renúncia de Cinelli e que a cadeira no conselho ficará vaga até a indicação de um substituto. O comunicado foi assinado por Felipe Gomes, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da companhia.

A decisão ocorre em meio a uma crise financeira que levou a Apex a recorrer à Justiça do Espírito Santo para obter proteção temporária contra credores. O grupo é apontado no processo judicial como responsável por uma estrutura que acumula R$ 986 milhões em dívida bruta.

Afastamento aconteceu horas antes da saída da CVC

Antes de deixar o conselho da CVC, Cinelli foi afastado da presidência da Apex Partners pelos sócios da plataforma de investimentos. Em comunicado divulgado, a empresa informou que uma investigação interna identificou “inconsistências financeiras na companhia”. Diante dos problemas encontrados, os sócios decidiram retirar Cinelli da presidência e do conselho da Apex. Eduardo Siqueira também deixou a diretoria financeira.

A empresa não detalhou publicamente, até o momento, quais seriam as inconsistências apontadas na investigação nem atribuiu aos executivos responsabilidade pelos problemas financeiros identificados.

Em nota de defesa, a Apex afirmou que Fernando Antonio Kulnig Cinelli está “dedicado e comprometido” em contribuir para a preservação da companhia, de seus investidores e acionistas. Segundo a manifestação, o empresário pretende colaborar para esclarecer as questões levantadas.

A crise da Apex chegou à Justiça depois que o grupo passou a enfrentar dificuldades para cumprir compromissos financeiros. O Tribunal de Justiça do Espírito Santo concedeu uma tutela cautelar que suspendeu, por 60 dias, determinadas execuções de dívidas e garantias contra a empresa.

A decisão também estabeleceu prazos para que o grupo apresente informações sobre sua situação operacional e financeira. Entre as possibilidades avaliadas está um eventual pedido de recuperação judicial.

Cinelli havia chegado ao conselho da CVC em abril

A presença de Fernando Cinelli no conselho da CVC era recente. O executivo havia sido indicado pelo bloco de acionistas ligado à Apex Partners e eleito para o cargo em abril.

A entrada fazia parte de uma reorganização da estrutura acionária da companhia de turismo. A Apex havia aumentado sua participação na CVC nos anos anteriores.

A Apex começou a comprar ações da CVC em 2023 e acelerou as aquisições durante 2025. Um fundo ligado à Carbyne, gestora de recursos da plataforma capixaba, esteve entre os veículos utilizados na formação da posição.

Crise financeira na Apex

A participação na CVC passou a ganhar importância dentro da crise financeira enfrentada pela Apex. De acordo com informações apresentadas no processo judicial, um dos fundos ligados à gestora detinha cerca de 15% do capital da companhia de turismo. No fim de junho, a participação tinha valor nominal de R$ 261,5 milhões.

O processo, no entanto, aponta que o valor considerado recuperável em caso de desinvestimento seria de aproximadamente R$ 190,1 milhões. A posição na CVC é um dos ativos relevantes dentro da estrutura financeira da Apex. O grupo também possui outras obrigações de grande porte.

Entre elas estão R$ 452,1 milhões em debêntures emitidas pela Rhino Securitizadora, com garantias envolvendo ações da BRM Apex Investimentos e da própria Apex Partners. O processo judicial também menciona avais bancários de R$ 201,7 milhões junto ao Sicoob, BTG Pactual e Daycoval.

Outro compromisso que chamou atenção foi uma parcela de R$ 7,9 milhões que deixou de ser paga ao grupo Gazin em julho.

Justiça deu prazo para Apex apresentar informações

A tutela concedida pela Justiça do Espírito Santo não significa que a Apex esteja em recuperação judicial.

A medida tem caráter temporário e busca preservar a estrutura da companhia enquanto a situação financeira é analisada. A Justiça determinou que o grupo apresente, dentro dos prazos estabelecidos, informações que permitam avaliar suas condições operacionais e financeiras.

A empresa também deverá avançar em uma auditoria externa das contas. O trabalho deverá revisar informações referentes ao exercício de 2025 e analisar dados de 2026.

O resultado dessa análise poderá ser determinante para definir os próximos passos da companhia e indicar se a Apex terá condições de reorganizar suas obrigações sem recorrer a um processo de recuperação judicial.

Enquanto isso, a empresa permanece protegida temporariamente contra determinadas medidas de cobrança.

*Com informação de A Gazeta e Timesbrasil