
A Câmara dos Representantes da Flórida aprovou o projeto que autoriza a mudança de nome do Aeroporto Internacional de Palm Beach para “Aeroporto Internacional Presidente Donald J. Trump”. A proposta recebeu 81 votos favoráveis e 30 contrários, em uma sessão marcada por forte divisão política.
O texto agora segue para o Senado estadual. Se também for aprovado, dependerá da sanção do governador e, depois, do aval das autoridades federais de aviação dos Estados Unidos para que o novo nome seja oficialmente adotado em registros, mapas e sistemas internacionais.
Localizado nas imediações de Mar-a-Lago, residência de Donald Trump em Palm Beach, o aeroporto é estratégico para a região. O entorno reúne condomínios de alto padrão, resorts e uma intensa movimentação turística. A eventual mudança ampliaria a presença simbólica do presidente em um território onde já mantém forte influência política e pessoal.
- Trump por US$ 16 bilhões: presidente dos EUA propôs destravar financiamento de túnel em NY em troca de homenagens com seu nome, diz fonte
- Da Groenlândia à Copa do Mundo: crise com Trump faz com que europeus falem em boicote
Homenagem inédita a presidente em exercício
Nos Estados Unidos, aeroportos costumam receber nomes de ex-presidentes apenas depois que deixam o cargo ou após a morte. É o caso do Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York, do Aeroporto Internacional Gerald R. Ford e do Aeroporto Nacional Ronald Reagan de Washington.
Ao buscar consolidar a homenagem enquanto ainda ocupa a Casa Branca, Trump rompe com essa tradição. Desde que retornou ao poder há cerca de um ano, ele tem intensificado movimentos para associar seu nome a instituições públicas e espaços simbólicos.
No mês passado, um trecho da Southern Boulevard, em Palm Beach, foi rebatizado como “President Donald J. Trump Boulevard”, com a presença do presidente na cerimônia. Na ocasião, ele afirmou que se lembraria “deste gesto incrível para o resto da minha vida”.
Aliados defendem que a iniciativa representa reconhecimento político em uma região que lhe é favorável. Críticos, por outro lado, apontam que a prática de homenagear líderes ainda em exercício é incomum e amplia a personalização de estruturas públicas que tradicionalmente buscam neutralidade institucional.
Custo estimado e registro de marca ampliam debate
A mudança de nome envolve impacto financeiro relevante. De acordo com o condado de Palm Beach, o custo estimado é de cerca de US$ 5,5 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 28,7 milhões. O valor contempla nova sinalização, atualização de sistemas tecnológicos, ajustes em documentos oficiais e reformulação de marca de equipamentos e uniformes.
Paralelamente à tramitação do projeto, a Organização Trump, administrada por dois filhos do presidente, entrou com pedidos de registro de marca para nomes de aeroportos que utilizem “Donald J. Trump” ou a sigla “DJT”. A empresa declarou que não pretende cobrar taxas, royalties ou obter lucro com a eventual mudança.
Mesmo assim, o pedido chamou atenção. O advogado especializado em marcas registradas Josh Gerben afirmou que, embora presidentes já tenham recebido homenagens em vida, “a empresa privada de um presidente em exercício jamais buscou, na História dos Estados Unidos, direitos de marca registrada antes mesmo da nomeação oficial de um local”.
Tentativas anteriores de associar o nome de Trump à Penn Station e ao Aeroporto Internacional Washington Dulles enfrentaram resistência e não avançaram.
Caso todas as etapas sejam superadas, Palm Beach poderá se tornar o primeiro grande aeroporto americano a carregar oficialmente o nome de um presidente ainda no exercício do mandato. A decisão final deve ocorrer nas próximas semanas e promete manter o tema no centro do debate político nacional, envolvendo tradição, custos públicos e a relação entre poder e marca pessoal.








