
No movimento mais ambicioso em décadas, a Aerolíneas Argentinas confirmou que fará a primeira renovação de frota financiada integralmente com recursos próprios. O plano prevê a chegada de 18 novas aeronaves entre Airbus e Boeing e investimentos que ultrapassam US$ 65 milhões em cabines e conectividade. A estratégia mira eficiência, rentabilidade e um salto na experiência do passageiro, consolidando a virada financeira iniciada em 2024.
A expansão prevê a entrada de quatro Airbus A330neo, modelo de longo alcance que promete redução de consumo, mais autonomia e processos de adaptação simplificados graças à compatibilidade com o A330ceo. Paralelamente, a companhia também vai modernizar os interiores dos aviões já em operação para entregar uma cabine mais atualizada e eficiente.
Para as rotas domésticas e regionais, o plano inclui 14 Boeing 737 MAX — dois MAX 8, quatro MAX 9 e oito MAX 10. A empresa já opera 15 MAX 8, e a chegada das versões maiores deve ampliar a capacidade nas rotas mais disputadas e reduzir custos por assento. Todas as aeronaves entram via leasing operacional, movimento que, segundo a aérea, permite acelerar o crescimento sem comprometer o caixa.
“Com esse passo, mostramos que a empresa ganhou fôlego e capacidade de investimento com recursos próprios”, afirmou Fabián Lombardo, presidente e CEO da Aerolíneas. Ele destacou ainda que a tomada de posições nas encomendas representa “uma capitalização importante e um reforço na competitividade da companhia”.
A conectividade a bordo também entra no pacote de modernização. A Aerolíneas iniciará a instalação de Wi-Fi primeiro nos A330, com expansão para os 737 e Embraer 190 em uma segunda fase. A previsão é que o serviço esteja disponível a partir de 2027.
E 2025 marca outra virada histórica: será o primeiro ano em que a empresa não receberá aportes do Tesouro Nacional desde a retomada estatal, em 2008. Após acumular perdas médias de US$ 400 milhões anuais por 15 anos, a aérea registrou em 2024 seu primeiro resultado operacional positivo, com EBIT de US$ 56,6 milhões segundo auditoria da KPMG, e espera dobrar esse número em 2025.







