
A Azul (AZUL53) anunciou ao mercado o lançamento de uma oferta privada de títulos de dívida seniores com garantia prioritária e vencimento em 2031, a ser realizada por sua subsidiária Azul Secured Finance LLP. A operação tem como objetivo principal financiar a saída da companhia do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conduzido sob o Chapter 11.
Segundo fato relevante divulgado pela aérea, os recursos captados serão destinados, prioritariamente, à quitação do saldo devedor em aberto do financiamento DIP (debtor-in-possession), mecanismo de crédito utilizado por empresas durante processos de reestruturação. Caso haja valores remanescentes, estes deverão apoiar a implementação do plano abrangente e permanente de reestruturação da companhia, voltado à otimização da estrutura de capital e ao reforço da liquidez.
Na prática, a Azul busca concluir a reorganização financeira e avançar para a etapa final do processo de recuperação. A saída do Chapter 11 é aguardada pelo mercado para fevereiro deste ano e é considerada um marco relevante na estratégia de estabilização financeira da companhia.
Os títulos de dívida contam com garantias da Azul e de diversas subsidiárias operacionais, incluindo Azul Linhas Aéreas Brasileiras S.A., IntelAzul S.A. e ATS Viagens e Turismo Ltda., entre outras. O pacote de garantias também envolve determinados recebíveis gerados pelas operações da Azul Fidelidade, Azul Viagens e Azul Cargo, além de marcas, nomes de domínio e outros ativos de propriedade intelectual utilizados nos negócios do grupo, bem como ações ou quotas de subsidiárias.
A companhia ressalta, no entanto, que a concretização da oferta está condicionada a fatores externos. “Os termos da oferta estão sujeitos às condições de mercado e a outras condições. Não há qualquer garantia de que a oferta e a venda dos títulos de dívida serão consumadas”, afirma a Azul no comunicado.
A empresa também esclareceu que os títulos não foram e não serão registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na Securities and Exchange Commission (SEC) dos Estados Unidos ou em qualquer outra jurisdição, caracterizando a operação como uma oferta privada.
Agências atualizam ratings da companhia
O fato relevante informa ainda a atualização das classificações de risco da Azul pelas agências Moody’s e Fitch Ratings, em meio ao andamento do processo de reestruturação.
A Moody’s atribuiu rating B2 à companhia, na categoria Corporate Family Rating, considerada de alto grau especulativo, bem como aos títulos vinculados à oferta de financiamento de saída. Ambos receberam perspectiva estável.
Já a Fitch Ratings atribuiu rating esperado de B- à Azul e à operação, também classificado como altamente especulativo, com perspectiva estável. Segundo a agência, a nota deverá ser convertida em definitiva após a conclusão do processo de reestruturação no âmbito do Chapter 11.
De acordo com as agências de classificação de risco, as decisões levaram em conta, entre outros fatores, o avanço da implementação das etapas previstas no plano de recuperação da companhia.
Em nota, a Azul reforçou que segue executando o plano conforme o cronograma. “A companhia segue conduzindo a implementação das etapas previstas no plano do Chapter 11 com foco, disciplina e alinhamento às diretrizes já estabelecidas, avançando conforme o cronograma previsto e mantendo consistência na execução das iniciativas em curso”, afirmou.







