Caos no aeroporto de Lisboa marca início do novo sistema europeu de controle de fronteiras
Novo sistema europeu causa atrasos e confusão no principal aeroporto de Portugal (Reprodução/Jorge Silva/X.com)

O primeiro dia de operação do novo sistema europeu de controle de fronteiras, o Entry/Exit System (EES), transformou o aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, em um cenário de caos. Passageiros relataram longas filas, confusão e falta de apoio, especialmente entre aqueles com voos para fora da União Europeia.

O problema atinge principalmente viajantes de fora do bloco europeu, que agora precisam passar pelos novos boxes de controle automatizado. Com destino a Miami, o passageiro Ricardo Santos relatou à Euronews que esperou quase duas horas para concluir a verificação do passaporte. “Eles recomendam vir com três horas de antecedência. Neste momento, o aeroporto não consegue processar as pessoas nesse tempo, principalmente se não forem cidadãos da União Europeia”, relatou.

Segundo ele, o ambiente na área de controle era de completa desorganização. “O caos está instalado dos dois lados. Não se consegue chegar à divisão das filas. Crianças, grávidas, pessoas em cadeiras de rodas, ninguém consegue chegar à área prioritária. Não há ajuda de ninguém”, contou, mencionando até episódios de “violência” e passageiros exaltados.

Filas, lentidão e sobrecarga no sistema

O aeroporto de Lisboa já é conhecido por enfrentar limitações de espaço e sobrecarga de fluxo, mas a situação se agravou com a ativação do EES. O sistema, que passou a funcionar oficialmente no domingo, tem o objetivo de modernizar e agilizar o controle de fronteiras para cidadãos de países terceiros, registrando digitalmente as entradas e saídas no espaço Schengen.

Na prática, porém, os primeiros dias foram marcados por lentidão e falhas no processamento automático. A ANA Aeroportos de Portugal confirmou “atrasos nas partidas” e “lentidão dos processos”, sobretudo nas manhãs. A empresa chegou a emitir um aviso no site oficial alertando para “possíveis atrasos” nos voos não Schengen e recomendando que os passageiros cheguem ao aeroporto com antecedência extra.

Fontes ligadas à segurança aeroportuária explicam que o novo sistema, embora projetado para simplificar, pode acabar complicando o fluxo de passageiros enquanto não estiver totalmente estabilizado. Antes, em situações de sobrecarga, as autoridades portuguesas podiam recorrer ao controle manual de passaportes — prática que agora é proibida, já que todos os movimentos precisam ser registrados informaticamente no sistema europeu.

Autoridades minimizam o impacto

Em comunicado, o Sistema de Segurança Interna (SSI) afirmou que o EES foi lançado “com sucesso em todos os 29 Estados-membros do espaço Schengen” e que “não existem anomalias” nem aumento das filas em relação ao habitual. Segundo o SSI, Portugal se destacou no primeiro dia de operação, com 10.774 passagens registradas — sendo 10.749 em fronteiras aéreas e 25 em marítimas.

A Polícia de Segurança Pública (PSP), responsável pelo controle nas fronteiras aeroportuárias, reforçou que o EES “representa um avanço na segurança e na eficiência do controle fronteiriço”. O sistema se aplica a todos os viajantes de países terceiros que entram ou saem do espaço Schengen para estadias de até 90 dias em um período de 180 dias consecutivos, independentemente da necessidade de visto.

Apesar do discurso otimista das autoridades, a percepção dos passageiros foi bem diferente. Ao longo do dia, relatos nas redes sociais mostraram longas filas, atrasos e descontentamento generalizado. O episódio reacende o debate sobre a capacidade do aeroporto de Lisboa de lidar com o aumento do tráfego internacional e com as novas exigências tecnológicas impostas pela União Europeia.