
(EFE/Juan Ignacio Roncoroni)
Um Boeing 737 MAX 8 da Aerolíneas Argentinas permaneceu seis dias no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, após a identificação de um fragmento compatível com uma peça de drone durante uma inspeção de manutenção. O caso passou a ser investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que classificou a ocorrência como um incidente aeronáutico. Até o momento, não há confirmação de que a aeronave tenha sido atingida por um drone, nem em qual etapa do voo o possível impacto teria ocorrido.
Segundo informações da concessionária RIOgaleão, a aeronave de matrícula LV-GVE, que operava o voo AR1268, pousou normalmente no terminal carioca em 1º de junho. Horas depois, durante os procedimentos de inspeção realizados pela equipe de manutenção da companhia aérea, foi encontrado um objeto considerado compatível com um componente utilizado em drones.
A descoberta levou ao acionamento dos protocolos previstos para esse tipo de ocorrência e à comunicação imediata às autoridades responsáveis pela investigação aeronáutica.
Inspeção ocorreu após a chegada da aeronave ao Rio de Janeiro
De acordo com a RIOgaleão, o fragmento foi localizado durante uma inspeção realizada já no período da noite, quando o avião estava estacionado para manutenção.
Em nota, a concessionária informou que “não é possível determinar em qual fase do voo ocorreu o possível impacto”. Isso significa que, neste momento, não há elementos que indiquem se o contato teria acontecido durante a aproximação para pouso, na decolagem de outro aeroporto ou mesmo em algum momento da rota entre Buenos Aires e o Rio de Janeiro.
Outro ponto destacado pela administradora do aeroporto é que não havia operações de drones autorizadas nas proximidades do Galeão na data em que o voo foi realizado.
Mesmo assim, a inexistência de voos autorizados não elimina automaticamente outras hipóteses, já que operações irregulares de drones representam um desafio recorrente para autoridades aeroportuárias em diversos países.
Aeronave ficou seis dias sem voar
Dados públicos da plataforma de monitoramento de voos Flightradar24 mostram que o Boeing permaneceu estacionado no Galeão entre os dias 1º e 7 de junho.
Somente no dia 7 a aeronave realizou o voo de retorno para Buenos Aires. Depois disso, ela continuou fora da malha comercial por mais alguns dias, retomando operações regulares apenas em 16 de junho, incluindo novos voos para o Aeroporto Internacional Tom Jobim.
O período fora de serviço é compatível com inspeções técnicas detalhadas, necessárias sempre que há suspeita de dano estrutural ou de impacto contra qualquer objeto durante uma operação aérea.
A extensão das verificações depende da área atingida, dos sistemas envolvidos e das recomendações dos fabricantes e das autoridades de segurança operacional.
Cenipa investiga o que provocou o dano
O Cenipa abriu investigação para esclarecer a origem do fragmento encontrado na aeronave e verificar se, de fato, houve uma colisão com um drone.
Nessa fase, investigadores analisam evidências físicas, registros de manutenção, dados do voo e outras informações técnicas capazes de indicar quando e como ocorreu o possível impacto.
O objetivo desse tipo de investigação não é atribuir responsabilidade civil ou criminal, mas identificar fatores contribuintes e produzir recomendações que possam aumentar a segurança da aviação.
Até a conclusão da apuração, não existe confirmação oficial de que o Boeing tenha sido atingido por um drone.
Colisões com drones preocupam a aviação
Embora ainda sejam eventos pouco frequentes, as suspeitas de colisão entre aeronaves e drones recebem atenção especial das autoridades de aviação.
Esses equipamentos podem representar riscos principalmente durante as fases de decolagem e pouso, quando os aviões operam em baixas altitudes e próximos aos aeroportos.
Por esse motivo, a legislação brasileira restringe operações de drones nas áreas próximas aos aeroportos sem autorização dos órgãos competentes. Além das normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), operações nesse espaço aéreo também dependem de regras estabelecidas pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).
Sempre que existe qualquer suspeita de impacto, ainda que sem consequências para o voo, as companhias aéreas seguem protocolos rigorosos de inspeção antes de liberar novamente a aeronave para operações comerciais.
Investigação segue sem prazo para conclusão
Até o momento, o Cenipa não divulgou prazo para a conclusão da investigação nem informou detalhes sobre a análise do fragmento encontrado na aeronave.
Também não foram divulgadas informações sobre possíveis danos estruturais identificados durante as inspeções realizadas pela Aerolíneas Argentinas.
O caso permanece em investigação e somente o relatório final poderá indicar se o objeto encontrado realmente pertence a um drone, em que momento ocorreu o contato e quais fatores contribuíram para a ocorrência.







