Durante a Expo Airport, os representantes dos principais órgãos e entidades da aviação civil participaram de diversos debates e palestras sobre o tema. Em um dos deles, o tema foi “Expectativas para as concessões aeroportuárias”, quando o professor Claudio Jorge Pinto Alves, da Divisão de Engenharia Civil do Instituto de Tecnologia da Aeronáutica, e Ricardo Gondim, do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), discutiram sobre as recentes concessões dos aeroportos brasileiros (GRU, VCP e BSB). De acordo com o professor, dos quatro mil aeroportos do Brasil, somente 100 têm condições de operar pistas de acordo com as regras da aviação. “A taxa de crescimento da demanda é muito superior aos investimentos em infraestrutura. Já ultrapassamos todas as perspectivas de crescimento dos melhores estudos já publicados. Ou seja, o cenário é o pior que se possa imaginar”, disse.
Para Alves, a situação tende a piorar com os grandes eventos. Já Gondim disse que a prioridade não são os eventos, já que são passageiros. “A prioridade é atender a demanda existente e seu crescimento. O volume de passageiros e a capacidade dos aeroportos já foram superados e hoje está tudo muito deficitário”, disse. Segundo ele, o Brasil tem crescido anualmente nos últimos cinco anos cerca de 20%, muito acima dos 7% anteriores. Segundo o professor a capacidade tem muito a ver com o nível de serviço oferecido, como espaço, tempo de atendimento e conforto (térmico, acústico, visual e ambiental). “Mas esse serviço pode vir a ser o que é ofertado de fato e aquilo que os consumidores percebem”, lembrou.
Ambos concordam que a capacidade dos aeroportos varia de acordo com o serviço, mas os dois também estão animados com o fato de as empresas privadas estarem dispostas a investir em melhorias nos aeroportos. “As perspectivas são boas. Há expansões em andamento, obras do PAC, novos concessionários. Há ainda muitas indefinições, mas podemos dizer que as mudanças estão acontecendo”, declarou Alves. Finalizando, eles disseram que o importante é o Brasil ter aeroportos compatíveis com a demanda, ter um nível de serviço conveniente e operações coordenadas e monitoradas, além de uma regulamentação moderna e persistente.